O que aconteceu hoje foi tão, mas tão surreal, inexplicável, doido, maluco, fora da casa, inacreditáááááável que eu nem sei como contar. Aliás, não tenho como contar, porque vocês teriam que saber aquela história que eu disse que ia contar e não contei. Bom, nem vou contar. Inexplicável ou não, revoltante ou não, hoje tudo se resolveu. Bom, ao menos aqui dentro.
É engraçado... Contar a história aqui no blog era parte de um plano maior. Um plano de desintoxicação, se quiserem. Porque na flauta e na brincadeira, lá se iam mais de três meses nesse rolo. E como eu não queria, de jeito nenhum, terminar esse ano do mesmo jeito que terminei o último (exceto pelas mil taças de moscatel Cavalleri, é claro... hmmmm), resolvi exorcizar, expulsar os demônios, tirar os monstros do armário, me purificar mesmo. Fiquei um dia inteiro olhando todas as minhas fotos, montando um álbum retrospectivo no orkut. Descobri que cem fotos é pouco pra colocar tudo o que eu queria, todos os bons momentos que eu vivi nos últimos anos, todos os amigos e pessoas que eu amo. Descobri que tenho foto de gente que não faz mais a menor diferença na minha vida, e algumas dessas entraram também no album por força das circunstâncias. Descobri também que tem foto que não dói mais olhar; tem foto que dá sorriso. Descobri até foto no álbum dos outros que tinha tudo pra doer e não dói.
A Lara hoje viu as fotos e falou uma coisa, e eu concordo: eu fui feliz esse tempo todo. Mesmo quando tava mal, em depressão... A Clau também olhou as fotos e disse que eu tava bonita no final do ano passado. Nem ela, que viu de perto, lembrou que eu tava na merda. Conclusão possível: talvez eu não estivesse tão mal quanto achava. Mas de qualquer forma, eu não queria virar o ano encucada e triste de novo. Principalmente com quem não merece.
Pra isso, o primeiro passo era me convencer de que o "quem" não merecia mesmo. O que ia ser meio difícil sem um confronto cara-a-cara, porque na minha humilde opinião duas coisas tinham que acontecer, a saber: "quem" tinha que saber o que eu sinto (bom... saber que eu sinto alguma coisa; o que, nem eu ouso saber); e "quem" tinha que olhar nos meus olhos e dizer que não sente mais nada por mim. Esse seria o "final exorcism". Claro, seria também a confirmação de que eu sou um ímã de desgraças no que toca a relacionamentos com seres do sexo oposto (talvez porque eu insista em usar pronomes em vez dos nomes reais... da próxima vez vou inventar um epíteto, ou usar um nome falso, quem sabe funciona?): mesmo quando tem tudo pra dar certo, against all the odds, alguma coisa acontece. E segundo o meu humilde ponto de vista não é alguma coisa que eu faça, são os pronomes que são retardados mesmo, ou instáveis, doidos de pedra, galinhas, sex-addicts, imaturos, covardes, mentirosos, egoístas, teimosos... Depois o Tigrão me acha doida de querer casar com o House! Garanto que ele é bem mais mentalmente são do que os que me aparecem pela frente. Não dá pra confiar em caras que se apaixonam loucamente, prometem mundos e fundos, anos e anos e séculos juntos... e caem fora na primeira... hã... bom, depende. Nevermind.
Mas eis que a vida é muito esperta às vezes, e quando a gente menos espera as pessoas e os pronomes atravessam nosso caminho. E em cinco segundos a gente saca tudo. Do mesmo jeito que a Lara sacou, eu saquei: um celular tocando aqui e ali e sorrisos mal-disfarçados. E algumas outras marcas indeléveis, mas assovia e deixa essa parte pra lá. Ah, não tive dúvidas: chamei na chincha. Falei do meu sentimento, deixei claro que tinha sacado tudo (a little bonus), e pedi o golpe de misericórdia. O golpe veio. Relutante e nada, nada convincente, mas veio. Agradeci e virei as costas. Caminhei até o final do corredor, e então aconteceu: um arrepio pelo corpo, uma tontura agradável... a catarse!
Levantei a cabeça e vim embora. Procurei no orkut e achei, ambos. Ela, sem-graça. Não digo por despeito, digo porque sempre achei isso dela. Guriazinha, tabuinha, cara de sonsa e de outras coisas menos publicáveis. Blérghs! Lição do dia: quando um cara te diz que não te merece, ou que tu merece algo melhor do que ele, acredite! Um cara que deixe de ficar contigo depois de mais de ano nutrindo coisas e te chamando pra rede dele pra isso, realmente, não merece. Estou plenamente convencida disso, e a vida pode seguir seu curso, finalmente. A amizade faz falta? Faz! Mas olhando pra trás parece que amizade quem tinha era eu, do lado de lá sempre foi interesse de outra natureza.
E agora pensando... tou bem, de verdade. Minha verve irônica está de volta, meu humor sarcástico, meu sono, meu apetite! Tou louca pra ir pra balada com a Clau semana que vem, tou tendo conversas altamente instigantes no msn com o Tigrão, tou vendo possibilidades no final do túnel. Vontade de sair, ir ao cinema, ver gente, me divertir!
Meu ano-novo começou hoje. Ciclo encerrado, pronta pra próxima. Dor residual sempre fica, mas a vontade de andar pra frente é bem maior.