domingo, 30 de novembro de 2008

Redescobrindo

Ontem eu li Fernando Pessoa. E Alberto Caeiro. E Ricardo Reis. E Álvaro de Campos. E dentro do livro do Bandeira eu encontrei um poema que um amigo (desses que fazem samba e amor até mais tarde) escreveu pra mim. Talvez o poema mais lindo que alguém já escreveu sobre mim. Deu saudade. Do autor do poema, daquele tempo, dos outros poemas que escreveram pra mim. Já faz bastante tempo que eu não sou musa de ninguém.

Hoje eu ouvi Paul McCartney depois de quase dois anos. Lembrei de um monte de coisas enquanto batia um bolo que não deu certo (por farinha estragada, não por falta de mão). Lembrei por que eu ouvia tanto, e por que parei de ouvir depois da dissertação pronta. E sei que vou ouvir muito daqui pra frente de novo.

Vou encher isso aqui de poesia e música enquanto acompanho o jogo do meu time. Vou radicalizar a vida a partir de amanhã. Just wait.

Boas companhias

Johnnie Walker, Miles Davis, Fernando Pessoa & sua turma, Drummond-amor-natural, Bandeira, Tom Waits.

Nada como um bom sábado à noite...

sábado, 29 de novembro de 2008

Amanhecer

Adoro a sensação. O sol chegando de leve, batendo nos prédios, aquela luz que nenhum outro momento do dia sabe ter, mesmo numa manhã nublada na cidade cinzenta. Não tenho pressa de chegar em casa. O som dos passarinhos e do Tom Waits, do salto do sapato batendo devagar na calçada enquanto a Norah Jones canta só pra mim. Miles Davis e a rua vazia. Que vontade de não chegar! O corpo tá cansado, o olho não aguenta mais; a cabeça vai cheia, do coração nem sei. Sei que a noite provoca coisas, e essa não foi diferente. A virada cultural virou foi a minha cabeça. O coração não sei. Quieto e inquieto. Moral, imoral, amoral. Corpo, alma, cabeça, coração. Vontade de ler o livro, vontade de ler Fernando Pessoa e redescobrir o sentido da vida. Vontade de correr de volta pra rua, mas os carros já vão lá, as cores já não são as mesmas. A cabeça cheia. O coração... também.

domingo, 23 de novembro de 2008

... E sobre os "fantasmas" do passado

Muitos de vocês leitores sabem, desde o meu outro blog, o quanto eu sempre achei o Wagner Moura parecido com o meu ex #2. O namoro terminou na época de Paraíso Tropical, quando ele fazia o Olavinho, e eu não podia ver as cenas dele com a Bebel sem ser diretamente arremessada pro meu passado recente. Não se trata de uma semelhança física; é alguma coisa no jeito de falar, nos gestos, em certas expressões faciais... e as manchinhas nas laterais do rosto, claro. Um tempo depois, descobri que o Wagner é baiano, e aí muita coisa fez sentido.

Muitos de vocês também sabem que eu fiquei muito tempo sem encontrar esse ex, e que o reencontro não foi dos mais naturais. Claro que eu já não sinto mais nada por ele há muito tempo, mas as lembranças permanecem e se tudo correr bem nunca vão sumir. Lembranças são sagradas. E ontem, quando o Wagner entrou no palco e falou "Boa noite. A peça tem duração de três horas com um intervalinho curto, de dez minutinhos, ...", as lembranças voltaram assim, num piscar de olhos. Quando ele ficava parado do lado "de fora" da cena, na saudação ao público no final,
pude ver o quanto realmente a semelhança existe: no jeito de ficar parado, de mexer no cabelo, coçar o nariz, gesticular, falar. Foi legal. Foi legal ver que eu me arrepiei toda, sim, mas pela atuação (e pela beleza) dele, e não pelas lembranças. As lembranças que fiquem onde estão.

Já em casa, liguei a tevê e tava passando "O diabo veste Prada". Nada de mais se assistir esse filme não tivesse sido a última coisa que eu e o ex #2 fizemos antes do fim do relacionamento. Mais um "trazedor de lembranças", "acordador de fantasmas". Nunca mais eu tinha assistido, ficou meio marcado, e como é um filme dispensável (diferente de Kill Bill, que eu nunca deixei de assistir), achava melhor não assistir pra não cutucar a onça com vara curta. Mas ontem, como a onça já tava mais que cutucada mesmo, assisti. O filme continua sendo a mesma coisinha água-com-açúcar, evidentemente, mas foi legal quebrar um "tabu" que na real nem tinha mais razão de ser. Só faltou comer um Twix durante a sessão!

Mais sobre Hamlet...

Impossível descrever o que a peça causou em mim. Já li Hamlet pelo menos duas vezes, já fiz workshop sobre Shakespeare, já vi o filme do Kenneth Branagh (mas não o do Mel Gibson), mas nada se compara ao que eu senti ali sentada. Finalmente entendi o conceito de catarse aristotélica: continuo tão sob o efeito da peça que nem a derrota do meu time me atingiu. Meu olho não desgrudava do palco nem por um segundo, e quando os atores chegavam pertinho de onde eu tava meu corpo se arrepiava todo. O palco pequeno, a frugalidade do figurino e do cenário, a proximidade com o palco, acho que tudo contribuiu pra gerar essa sensação que eu não consigo descrever. Impossível não sorrir vendo o Tonico Pereira sentado a dois passos de mim, ou o Caio Junqueira sorrir lá de cima. Inevitável engasgar com o choro dele no final do espetáculo. Parece a coisa mais imbecil e tiete do mundo, mas mexe com a gente ver aqueles atores famosos dando o sangue no palco. Faz a gente perceber o quanto a tevê achata o talento dos caras...

Ok, ok, mas vamos falar do ingrediente principal: o Wagner Moura. Lindo, a gente já sabe que ele é.
Mas ao vivo, Deus me defenda, é muito mais. Babei muito quando ele entrou no palco, e no resto todo do tempo. Achei o máximo quando ele chegou perto de onde eu tava, e melhor ainda quando ficou na minha frente, fora de cena. Mas o mais marcante, por incrível que pareça, não é a beleza; é o show de interpretação. É ver como o cara consegue modalizar a voz, ser gaiato agora, agressivo daqui a 30 segundos, doce logo depois; é ver o tanto que o rosto dele se inflama, o quanto ele sai suado no intervalo da peça. Tirei meu chapéu pra ele, pro resto do elenco, pra adaptação, pro Aderbal Freire-Filho. Valeu a pena pagar quarenta reais. Valeu a pena ter a produção destruída pelo banho de chuva.

Valeu a pena ir comer na pizzaria da Villaboim, mesmo tendo tido que deixar o ingresso lá pra poder ganhar o desconto (logo eu que coleciono ingressos!). Me deu uma nostalgia meio inesperada da Itália, comecei a lembrar de um monte de coisa, fiquei contando pra Lu como era a minha vida lá, entre um comentário e outro sobre a peça. Acabei sonhando com a Itália, com o Wagner no palco... e com mais um monte de coisas que a noite desencadeou em mim.

Hamlet

Eu vi!!!!
Eu vi o Wagner Moura em todo seu talento - e beleza. Tou extasiada.
Amanhã volto aqui pra contar mais. Hoje tou exorcizando velhos fantasmas...

sábado, 22 de novembro de 2008

Sem inspiração

Pra trabalhar, pra arrumar a casa, pra fazer qualquer coisa além de nada. Meio que sem inspiração pra viver, quase. A vida tá precisando dar uma mexida... ou eu tou precisando dar uma mexida na minha vida. Um vento bom que me vire a cabeça ou as coisas ou ambas. Algo diferente que me... inspire. Que me empurre pra frente e pra cima com toda a força. Tomara!

terça-feira, 18 de novembro de 2008

Six Feet Under

Depois de dois meses, finalmente terminei de assistir. Comecei por recomendação da Lara, logo depois que voltei de Curitiba. Confesso que no início não me empolgou muito, não é o tipo de série que eu pararia pra ver se estivesse zapeando na tevê. Assisti os primeiros episódios bem esparsamente, ainda pensando se eu ia mesmo entrar numas de ver tudo. Me incomodava o mote da série, as personagens (eu ainda sou do tempo em que personagem não era comum de dois gêneros... rs), aquele monte de gente morta. Não pelos cadáveres em si ou porque os caras lidam com eles, afinal eu assisto Grey's Anatomy e House, tou acostumada. Não sei explicar. Talvez o conjunto da obra me parecesse doentio demais... cadáveres + gente desajustada pra caramba + humor nigérrimo + bizarrices constantes.

Não sei mesmo. Só sei que em algum momento que eu evidentemente não tenho a menor idéia de quando tenha sido a série me prendeu. Quando eu tava assistindo a segunda temporada, sem querer descobri num site como tudo ia terminar. E mesmo assim continuei assistindo, e não perdeu nem um pouco da graça. Nesses últimos dias, meio doente que eu tava, assisti o final da quarta e toda a quinta temporada quase sem parar. Engraçado que no início eu assistia um episódio e saturava, tinha que assistir alguma outra coisa, de preferência bem leve e imbecil, pra "desintoxicar". E no final foi como aquele livro bom que a gente pega pra ler antes de dormir, jura que vai ler "só mais um capítulo" e quando vê são cinco da manhã e o livro não quer fechar, e a gente não quer parar de ler porque precisa saber o que acontece depois. E isso tudo mesmo eu já sabendo o que aconteceria depois.

Queria escrever mais sobre o que a série me provocou, mas não quero "estragar a surpresa" pra quem ainda não viu e tá pensando em ver. Eu recomendo; essa série é diferente das outras, em que todo mundo termina previsivelmente feliz, casado, com seus sonhos realizados. Não que isso não aconteça, mas é tudo longe de ser previsível, inclusive o que a série desperta em cada um - e por isso não vou contar o que despertou em mim. Só digo que valeu a pena a empreitada. Chorei muito, me revoltei muito, criei opiniões sobre as personagens, saí amando algumas que eu odiava e odiando outras que no início tinham me cativado. C'est la vie. E como!

terça-feira, 11 de novembro de 2008

Revolta

Muito, muito, muito irritada. Mordendo! Uma semana trancada em casa trabalhando, tudo dando errado ontem, hoje, aaaaaaaaaaaaah! Tou me sentindo sozinha. Odeio essa coisa que as pessoas têm de só lembrar da gente quando a gente tá feliz, na hora de fazer festinha. Peguei chuva e duas horas e meia de trânsito pra ir pro treino, cheguei superatrasada e o povo não tava lá. Liguei pra todo mundo que eu tinha o número, ninguém atendeu. E aí? Volta o cão arrependido pra casa. Mais duas horas no trânsito. Perdi a tarde inteira. Custava alguém me avisar que não ia ter treino? Ou que iam treinar em outro lugar? Custava? Eu sempre lembro de avisar todo mundo, ligar, escrever, mandar mensagem, chamar pra sair. Mandei três mensagens avisando que ia me atrasar, ninguém nem respondeu. Me senti completamente ignorada, como se eu nem existisse. Tudo isso porque eu fiquei uns dias sem entrar no msn, trabalhando? Ou porque eu não fui pra aula ontem e hoje porque absolutamente tudo deu errado? Tudo que eu precisava hoje era contato com seres humanos, um abraço, conversar, qualquer coisa pra aliviar os sufocos e infortúnios dos últimos dias. Niguém percebe. Ninguém nunca percebe. Foda-se o mundo então.

Não adianta. A única pessoa com quem a gente pode contar é com nós mesmos. O resto, infelizmente, é só decoração de festa. É o que dá ser sempre tão segura.

domingo, 9 de novembro de 2008

Ha ha!

Eis que o meu tricolor botou pra quebrar contra o porco e mostrou mais uma vez porque é chamado de "imortal". Ganhar é sempre bom. Ganhar do Palmeiras é mais que bom. Agora, ganhar do Parmera em jogo de confronto direto, em pleno Parque Antártica, tomar a vice-liderança dos caras, e ainda ver a cara de dodói do cretino do Luxemburgo e daquele mala do Marcos... não tem preço. Agora até o meu paper vai sair na boa.

Eu queria era saber onde tá agora aquele povo insuportavelmente barulhento que me acordou batendo tambor e cantando gritos de guerra da Mancha às dez da manhã. Ha ha!

Olha a faca!

Sonhei a noite toda. Clique clique clique... deu nisso. Pela primeira vez na minha vida considerei a possibilidade de sair do orkut. Odeio descobrir que eu me importo com as coisas.

Não podia ter um cadeadinho lá não?

Praça Villaboim

É lá que a gente vai se esbaldar daqui pra frente. Opa!

P.S.: Vontade de contar coisas que eu fiquei sabendo... mas melhor ficar na minha.

sexta-feira, 7 de novembro de 2008

Sorriso é foda

Quando o resto favorece, então...
Aaaaai, que coceira!

Clique clique

Lembro de ter comentado com alguém que da última vez não sobrou nenhuma lembrança além de um vídeo com vozes não muito distinguíveis ao fundo e um cantinho de mão numa foto. Period.

No início isso me entristeceu um pouco. Gosto de lembranças concretas. Depois de um tempinho comecei a achar que era um sinal. E, claro, no final das contas acabei dando graças a Deus por não ter ficado nada além de um objeto que eu joguei no fundo de uma gaveta que eu nunca abro. (Por que eu não joguei no lixo, a exemplo da conversa no msn, eu não sei explicar. Talvez pra não esquecer de vez e acabar caindo na mesma historinha de novo. Talvez porque apesar dos pesares foi bom...)

Evidentemente tem as lembranças não-físicas: um disco especial, algumas outras músicas, cenas que volta e meia voltam na minha cabeça... Mas essas, como eu já disse aqui essa semana, são projeções. Saudade eu já não sinto faz um tempo.

Mas aí hoje... clique clique clique e lá estava. Na primeira olhada nem senti nada. Saí. Clique clique clique, voltei. Senti uma pontinha de alguma coisa. Saí de novo. Clique clique clique, lá estava eu de novo, over and over again ao longo do dia, inevitavelmente atraída a ver de novo e de novo. Agora mesmo, clique clique clique. Dois anos e dois dias. Dois meses e dois dias. Clique clique clique. A lembrança que eu queria tanto ter, agora escancarada na minha frente. Agora que eu não quero mais lembrar, não quero mais pensar, não quero mais! Troco a música. Não sei quantas vezes apertei o botão pra pular a faixa. Nada me atrai. Demora, talvez umas cinquenta apertadas de botão depois, entra o disco. Clique clique clique. Como eu procurei, não faz tanto tempo assim. Parece que faz anos, parece que nunca aconteceu. Clique clique clique. Lá vou eu de novo, mais uma espiadinha. Nada de mais, e ao mesmo tempo...

A merda, minha gente, é que às vezes aparece alguém.

terça-feira, 4 de novembro de 2008

Dois anos

Dois anos. Dois meses. Que ridículo lembrar dos dois meses, mas é como eu digo pra Lu: é projeção. Felizmente só lembrei dos dois meses porque fui ler as postagens mais antigas do blog e achei a de um mês. Enfim... só pra constar. Achei que eu ia beber, mas as obrigações me forçaram a transferir a festinha pro final de semana. Achei que eu ia pelo menos poder dar socos em alguém no treino, mas começou muito tarde por causa do SIICUSP e não tivemos tempo de praticar a nobre arte. E, claro, só a Lu lembrou de me dar os parabéns pela data. Parabéns, sim! O início da re-solteirice foi muito difícil, mas hoje em dia (já faz um tempo, na verdade) eu ando muito bem.

No ano passado essa data me deprimiu bastante. Mas a circunstância era bem outra. É engraçado que eu esteja in between love há tanto tempo. Aliás, depois da minha última empreitada relacionamentística, o máximo que eu tive foi uma paixãozinha que só não foi mais fácil de superar porque eu ainda tava baqueada do último namoro. Essa sensação de estar bem sozinha é muito boa, a maioria das pessoas não aguenta o tranco. Claro que tem horas que bate uma sensação de que já tava na hora de me amarrar de novo, sentir friozinho na barriga e tudo o mais, mas como não aparece ninguém, vamos curtindo. Mesmo porque, como diria meu último ex, "quem procura não acha". Então eles que me achem!

A teoria dos meios de transporte

Curto e grosso, é o seguinte: quando entra um cara bonito no ônibus, ou ele tá acompanhado, ou tem uma aliança de alguma cor em alguma das mãos. Se nenhuma dessas duas coisas for verdade, o cara vai sentar (ou ficar de pé) em um ponto do ônibus completamente fora do teu campo de visão. Quando isso não acontecer, jogue as mãos pro céu, paquere, peça o telefone dele e prepare-se pro dilúvio universal.

Pois bem, a teoria foi ampliada para "teoria dos meios de transporte". Tanto na ida como na volta de Porto Alegre tinha uns caras muuuito lindos na sala de embarque, mas do meu lado e nas minhas imediações, só senhoras e caras muito velhos. E nem venham dizer que é a numeração de poltrona que eu escolho, porque foram zonas completamente diferentes da aeronave nas duas viagens. Pior: na volta o avião tava vindo de Montevidéu, e vocês lembram o que eu falei sobre os homens de Montevidéu, não?

Falando em meios de transporte, não lembro se falei pra vocês de um cara que eu e a mãe conhecemos no ônibus Passo Fundo - Marau quando fomos pra lá em julho. Fofo, muito querido, lindo mesmo, puxou assunto com a gente e fomos conversando até chegar em Marau. Confirmando a minha teoria, aliança na mão esquerda. Não consegui sacar na hora se ele tava me paquerando ou se só era muito simpático. Deixei pra lá. Mais ou menos um mês depois, meio sem querer, vi no orkut do meu tio um cara com o mesmo sobrenome dele. Entrei no perfil e descobri que o irmão do cara tinha morrido recentemente, e era casado. Dois cliques e descobri que o irmão do cara era o cara do ônibus. Comentei com a mãe, chocada, e ela ficou de perguntar pro meu tio. Meses depois, ficamos sabendo que o cara do ônibus se suicidou, aparentemente sem motivo nenhum.

Não vou aproveitar o ensejo pra falar o que eu penso sobre suicídio. Mas também não vou conseguir encerrar o post com uma piadinha "tá vendo o que dá paquerar no ônibus against all odds?". Mas que paquerar em meios de transporte é complicado no matter what eu já não duvido mais. Tem sempre uma pedra no meio do caminho.

segunda-feira, 3 de novembro de 2008

De volta

Menos trânsito do que lá (sim, acreditem!). Menos empolgação também, mas essa eu tou sentindo que vem diminuindo a cada dia... Cansaço tá pegando geral, como sói acontecer no final de cada ano. Por outro lado, constatar que o ano tá quase acabando é uma coisa que sempre me empolga, porque eu sempre acho que "o ano que vem vai ser o melhor de todos". Dificilmente não é. Incrível como as coisas sempre tendem a melhorar.

Tudo correu dentro dos limites da normalidade hoje. Um pouco de tédio, umas horas sem fazer nada nos corredores da FFLCH esperando a reunião da pós, coisas que eu não aceito de jeito nenhum e não me calo de jeito nenhum também. Dei plantão de mais de uma hora tirando dúvidas de um aluno só, e no final ele me deu um abraço todo agradecido. Me senti útil.

Trinta mil coisas pra fazer, como sempre. Amanhã completo dois anos solteira. Comemorarei distribuindo socos no treino e inaugurando solitariamente minha garrafa de uísque, se ninguém quiser se juntar a mim pra discutir a falência generalizada dos relacionamentos humanos. Tenho pensado que a falência generalizada dos relacionamentos humanos na verdade é uma falência generalizada dos humanos. Sexta na Feira do Livro me chamou a atenção a quantidade de bancas vendendo praticamente só livros de auto-ajuda, religião, espiritismo e etcéteras. Comentei com a mãe e ela disse "as pessoas tão cada vez mais querendo se agarrar em alguma coisa". Como forma de esperança, de acreditar em algo maior, ou até mesmo como promessa de felicidade. Pois eu acho que as pessoas deviam se agarrar umas nas outras (no pun intended). Mas como a maioria parece ter problemas de auto-aceitação, auto-estima e traquejo social, acaba todo mundo se fechando em si mesmo e buscando "ajuda" em outras coisas em vez de buscar outros seres humanos. E falo isso de uma forma geral, não só em relação às pessoas loucas que fogem de namoros, casamentos e outros tipos de compromisso conjugal.

Eu precisava escrever do "Ensaio sobre a cegueira", do que o filme me causou. Mas acho que não consigo colocar em palavras. A única coisa que eu posso dizer é que a sensação foi a mesma do livro, mas ainda mais crua. Eu sempre falo de seguir os instintos, mas tem certos instintos que não podem ser seguidos. Somos animais na pior acepção da palavra, e o filme do Meirelles traduz com perfeição a alegoria do Saramago. Quem não viu, veja. E principalmente: quem não leu, leia. E leia mais Saramago: Todos os Nomes e A Caverna são obras que todos os seres humanos deviam ler em algum momento de sua existência. A catarse dura pro resto da vida.

9 1/2 semanas

É o que falta pro ano acabar, segundo as contas feitas hoje no corredor da FFLCH. Se de amor não sei, mas que vai ser com areia, vai!

domingo, 2 de novembro de 2008

Frase da semana

Minha prima trintona & solteira tava segurando uma nenezinha irrequieta no colo durante a festinha da Isabella no sábado e soltou a seguinte pérola:

- Ultimamente só os nenês tentam tirar a minha roupa!

Cena da semana

Quinta à noite, mesa do Pingüim, na sagrada esquina da Lima com a República*. Entre outros, eu, Tigrão, Pablo, Dani, Rafa, Julio, Ana, Sonia e Carol. Um dos convivas pergunta como se faz pra paquerar; qual a manha da paquera em Porto Alegre, coisital. Nesse momento, metade da mesa vira e aponta pra mim! "Ah, pergunta pra Leo, ela sabe paquerar". "É, ela sabe tudo de paquera, é craque". Me digam, eu posso com isso? Posso? Minha fama agora é nacional! Agora só falta deitar na cama...


* Pros que não conhecem Porto Alegre, essa esquina é uma espécie de solo sagrado; ícone da Cidade Baixa, que por sua vez é o ícone da boemia porto-alegrense. Esquina Democrática é o c@%@$#*!

Deu pra bolinha

Do Massa, nos últimos segundos. Do Grêmio, que acabou a rodada em terceiro, mas não tá morto quem peleia. Da minha estadia na querência. E cá pra nós, acho que deu pra bola daquelas coisinhas "eu já sabia" também. Deu pra bola do meu sossego...