sexta-feira, 31 de agosto de 2007

A verdade é:

Tou indo viajar triste, preocupada e meio decepcionada. Uma merda quando as coisas não saem como a gente queria...

Odeio quando o telefone não toca.

Tô indo...

Dentro de duas horas estarei embarcando pra Porto gripada, com a bolsa cheia de remédios pra güentar o tranco, e com o iPod carregadinho de músicas pra me distrair na viagem. Torçam por mim!

Antes de ir, deixo pra vocês uma música que eu tenho ouvido muito, mas muito nos últimos dias:

After the laughter passes by
And what remains are shadows of the truth you try to hide
And for our sins left never reconciled
The simple truth is hearts were made just to fail
No matter how we try

If I don't see you again
I only hope someday you understand
Time turns good love to goodbye
I should have told you
It's all it would ever be

And so we face the silence of another memory
And draw the shades down upon a scene we once believed
So before you walk away
And I just walk on out just know

If I don't see you again
I only hope someday you understand
Time turns good love to goodbye
I should have told you
It's all it would ever be

I don't know why
Or are we learning all the way
Or is it all just wasted time
Or someday maybe we will find our way

If I don't see you again
I hope someday you understand
Time turns good love to goodbye
I should have told you
It's all it would ever be

I should have told you
It's all it would ever be


No wonder this has been my #1 ever since the first time I've heard it...

quinta-feira, 30 de agosto de 2007

Injustiça

Eu ia postar sobre um assunto completamente diferente. Mas aí tava aqui conversando com uma amiga no msn e comecei a pensar como o mundo é injusto. Ou pelo menos como as pessoas podem ser injustas. E falsas. Traiçoeiras mesmo.

Tudo bem, quem me conhece sabe que eu não tolero traição. Num namoro, por exemplo. Não suporto trair, ser traída, nem mesmo cooperar pra que uma terceira pessoa seja traída. Já houve pseudo-escorregões quanto a isso na minha conduta, mas muito breves e muito pseudo mesmo. Até pouco tempo atrás eu tinha convicção de que nunca tinha sido traída também; hoje já não tenho certeza não. Pulgas, muitas pulgas morderam a minha orelha recentemente. E o foda é a falta de honestidade, nem tanto a traição. Tá gostando de outra pessoa, não invente desculpas; seja honesto, "tô gostando de outro/a". Mais simples. Machuca no início, mas pelo menos a gente sabe que não tem volta. Não fica sonhando acordado cada vez que recebe um e-mail, não fica arrastando meses e meses uma história que já acabou de vez, mas esqueceram de contar pra gente, ou preferiram dizer outra coisa menos fatal. Preservar é o caralho! Parece coisa de gente egoísta, que quer te manter preso a ela. Depois de conversar dias e dias com Rey, soteropolitano ilustre, chegamos a essa conclusão. Tem gente que precisa ter um séquito de admiradores, senão não se garante. Puta masturbação de ego. Não tenho mais saco pra isso.

Mas não é só namoro que tem esses problemas. Gente traiçoeira tem por tudo, aos borbotões. No meu meio profissional nem se fale, é um tal de puxar tapete de cá e de lá que vou te contar. Até quem se diz teu amigo quando a gente vê tá fazendo a caveira da gente pra quem nem nunca ouviu falar que a gente existe. E pra que, meu deus? Pelo prazer de fazer caveira? Pelo prazer de queimar filme? Pra se fazer de melhor que os outros? Olha, juro que não entendo. Mas tenho certeza que é coisa de gente incompetente, que precisa pisar na cabeça dos outros pra subir um pouquinho, porque pelas próprias forças não consegue não. É foda. Nego quer é se dar bem. Quem disse que é só nas grandes corporações que isso existe? Puxa-saquismo e babação de ovo é universal. Infelizmente. Tomara que eu nunca deixe de ficar puta com essas coisas. Sinal que ainda tem coração batendo aqui dentro do peito, não achar nada disso normal.

Falar em coração batendo... É bom quando a gente fica sabendo das coisas e nem se abala! É bom quando a gente descobre as piores putarias e cafajestagens e acha que tudo bem, já passou mesmo. Tô curada. Se antes não tinha certeza, agora tenho. Coisa bem boa quando o futuro vira presente!
Falar em coração batendo... É bom quando alguém de fora diz que a gente tem razão, porque viu (com os olhos) que a gente tem razão. Doente e tudo, preocupada e meio triste que eu ando esses dias, ainda assim tô momentaneamente feliz. Feliz comigo mesma, com as minhas atitudes, com as minhas reações. Até voltei a ficar confiante de novo de repente. Ou não sou eu que sempre consigo tudo o que quero no final das contas? Ah, a vida não vai teimar de ser injusta comigo justo agora!

E eu achando que era dor de garganta

Mas agora tou com febre e calafrios e dor no corpo e essas coisas de gripe. Agora visualizem isso aqui 18 horas dentro de um ônibus. Vou ter que levar mil remédios, comidas e águas pra agüentar o tranco. Bendito iPod de 2gb! Porque estudar que é bom tou vendo que nem em sonhos.

Isso, é claro, sem contar a parte "chegar na rodoviária". Arrastar malinha mil quadras até o metrô, pegar 2 metrôs... aiaiaiaiai...

Ah, claro:

Tou indo pra Porto amanhã de tarde. De busão. Devo chegar sábado de manhã.

Isso, é claro, se a porra do site me deixar efetuar a compra da passagem. Tou tentando desde as 17hs.

Alguém ainda duvida de que eu nasci pra dar errado?

A pior combinação do mundo:

Doente, sozinha e saindo de viagem amanhã. Preciso de um enfermeeeeeiro!!

quarta-feira, 29 de agosto de 2007

Tô precisando escrever

Só não sei exatamente o quê. Vontade de botar pra fora, cuspir, vomitar tudo o que eu tô pensando. Falta coragem.

Coragem? Há! Coragem eu tenho. Até demais. Tenho coragem por mim e pelos outros, tenho coragem pela humanidade inteira, até. Só queria saber por que é tão difícil pro ser humano médio tomar decisões e segui-las. Por que diabos as pessoas têm que tanto mudar de idéia? Mesmo quando elas acordam sorrindo feito que viram passarinho verde. Precisa o que, meu deus?

O mundo não é óbvio. As coisas não são óbvias. Mas a gente tem sinais. Se rola um impulso de abandonar uma coisa e começar outra completamente diferente, na verdade não é um mero impulso. É um impulso gerado a partir de uma semente plantada sabe deus há quanto tempo. Parece repentino, mas se a gente busca lá no fundo acaba que não, que é coisa antiga que um dia estoura. Pelo menos eu penso assim, depois que fiz terapia. A gente faz terapia e vê tudo ali, preto no branco. Aprende a se conhecer e a conhecer um pouquinho os outros também. Pena que os outros nem sempre se conhecem e ficam achando sempre motivo pra confusão.

Será que precisava mesmo eu passar por tudo isso de novo? Será que já não era hora de dar certo um pouco? Será que da última vez não foi suficiente? Será que vai dar certo algum dia nessa vida? Será que eu sou assim tão péssima desse jeito, de conseguir envolver mas não conseguir desenvolver?

Pior que nem lutar pelo que eu quero eu posso dessa vez. E também lutar pra quê? Pra nada, de novo? Pra morrer esperando? Já esperei tanto, tantos meses, tanta dor... E aí tem que esperar de novo! E pra que, repito? Pra tomar outra cassetada nos cornos! Nasci mesmo pra apanhar, não foi? Digam aí, vocês que sabem da vida, se eu não tenho cara de quem nasceu pra apanhar.

Eu tenho certeza que nasci pra apanhar. Conseguem tudo de mim, sempre, e eu consigo o que dos outros? Que não me deixem preparar meu seminário, que eu tenha que virar madrugada hoje pra preparar seminário pra amanhã, e com tudo isso rodando na cabeça. Não dá. Alguma coisa vai ter que mudar, eu achei que já tinha mudado mas pelo jeito continuo a mesma burra idiota animal que não pensa as coisas, ou que pensa otimista demais, ou que confia demais em si mesma, que que eu sei da vida? Sei nada, só sei de doer. De doer eu sei bastante. Queria saber de ser feliz um pouquinho. Mas pelo jeito ainda não vai ser dessa vez...

terça-feira, 28 de agosto de 2007

Some people are just not meant to be happy

And I guess I'm one of them...

Ah...

Bolas! Tá chato hoje aqui na frente desse computador.

Desabafinho

Tô preocupada hoje. Preocupadinha, sim. Muita coisa acontecendo, doencinha pequena e chata, telefoneminho que deixa pulga atrás da orelha... Tá difícil get it together e preparar minha apresentação de amanhã.

Odeio ficar assim.

segunda-feira, 27 de agosto de 2007

Acalmando as expectativas desse povo

Então, leitores apressadinhos que tiram conclusões precipitadas, vamos aos fatos! Rsrsrsrs...

A verdade é que eu não postei mais nada porque o meu queridíssimo amigo Rey chegou aqui em casa no sábado de manhã, pra prestar prova de proficiência essa semana. Vai tentar doutorado com o Jairo. Qualquer semelhança com histórias de blogs passados não é mera coincidência, rsrsrs...

Enfim, saímos sábado o dia todo e ontem também. Chegamos em casa podres e mortos nos dois dias, mas não perdemos a esportiva e até assistimos meus dvds novos do Kill Bill ontem à noite. Por isso eu não postei, entenderam? Tá? Ontem eu tive a melhor noite do mundo em muuuuuuito tempo e consegui reverter sensações que esses filmes me davam. Lembranças de um passado negro que se foi, essas coisas. Agora só falta O Senhor dos Anéis :oP

Quanto aos outros assuntos, deixa quieto por enquanto que tá bom do jeito que tá. Serve pra vocês eu dizer que tô feliz feliz feliz?

sexta-feira, 24 de agosto de 2007

Expectativa

Amanhã vai ser um dia muuuuuuito bom! Tão bom que eu vou dormir bem cedo, pra ver se o amanhã chega mais depressa.

Post repetitivo

Voltando do supermercado devidamente carregada com 200 sacolas, peso total aproximado de 3 toneladas. Morrendo de calor, porque eu não sei sair sem casaco. Músicas relevantes nos ouvidos. E, de novo, tudo o que eu consigo pensar é como o pôr-do-sol é bonito nessa cidade...

Tô começando a ficar com medinho.

quinta-feira, 23 de agosto de 2007

Estejam à vontade...

Pra me tirar pra louca o quanto quiserem. Nesse exato momento eu não tô nem um pouco preocupada com isso :o)

Enquete

Vocês acham que 75 anos é tempo demais?

Respostas nos comentários, por favor.

For the record

Ônibus lotado, eu devidamente de pé esmagada pela multidão, músicas relevantes nos ouvidos... e tudo que eu consigo pensar é como o pôr-do-sol tá lindo.

É, minha gente, a situação tá crítica.

Still speechless

Continuo sem muitas palavras. Só o que posso dizer no momento é que cada vez que o meu celular avisa que chegou uma mensagem eu começo a sorrir. Sabe os cachorros do Pavlov? Mais ou menos a mesma coisa. Também tô somatizando (a palavra perdida!) as coisas um pouco, eu acho, ou então a descarga de adrenalina e/ou outros hormônios menos publicáveis foi fatal: acordei com dor de cabeça. Evidente que nem isso afetou o meu bom humor; mas ficou pior durante a manhã e acabei vindo pra casa. Agora vou voltar pra USP pro curso do Archibald, mas a cabecinha tá uns quantos quilômetros ao sul...

quarta-feira, 22 de agosto de 2007

Be careful with what you wish

Tô sem palavras pra descrever o dia de hoje. Juro. Tô pensando há horas e não consigo achar um jeito de dizer o que eu quero dizer. E vocês, que conhecem muito bem a minha verborragia, já devem estar carecas de saber que isso não é normal. Bom, o dia hoje não foi normal. Começou e terminou de jeitos impensavelmente alucinantes, mas que eu vinha prevendo e/ou queria que acontecessem. Ainda tô tentando recuperar meu fôlego, mas acho que ele ficou irremediavelmente perdido em algum lugar entre a rua T e a avenida R.

Teste imaginário: tentem beijar alguém segurando uma bolsa gigante e pesada, uma sacola idem e um fichário ruim de segurar. Se na hora vocês conseguirem abstrair o mundo, esquecer que tão com tudo isso na mão, que o mundo existe e que a campainha vai tocar; se depois de três horas vocês ainda estiverem ofegantes e com um sorriso idiota na cara, aí talvez vocês entendam.

Metaforicamente, é claro. Porque nada disso aconteceu comigo.

When you just can't find the words...

You throw in some music!!!

Carpet stained with my red wine
I've been staring at the fire
I keep on looking at the time
I'm waiting on you
I can hear the howling wind
Yes the sound is getting higher
As the night is closing in
I'm waiting on you
Those big black eyes wicked smile
That you flash as you walk through my door
Into my life
Into my life
Into my life
Won't you come in and sit right down
Here let me pour a Stolichnaya
Why is it when you come around
I'm waiting on you
We drink until we get too tired
Even though you try to dance for me
I still can't light up your fire
So I'm waiting on you
From time to time I feel so blind
And there's still so much more left to do
Into my life
Into my life
Into my life
All right
You call me on the telephone
You say that I am always busy
So why am I here all alone
Waiting on you
I pick you up in my white car
I could fall ever so easily
Why you keep me hanging on
I'm waiting on you
Still, those big black eyes wicked smile
That you flash as you walk through my door
Into my life
Into my life
Into my life

Música velha sempre diz coisas interessantes pra gente. Pra quem não lembra, isso aí é Men At Work, e já esteve no meu about me do orkut, mas por motivos completamente diferentes. People come and go, music still remains.

terça-feira, 21 de agosto de 2007

Ah, sim

Algumas conclusões óbvias, antes que eu esqueça:

1) Não vai ser dessa vez que eu vou quebrar meus padrões (essa só o Tigre vai entender);

2) Os fatos recentes não alteram a verdade dos fatos passados, ou seja: eu provavelmente vou ficar tristinha, mas haverá gente em condições piores, eu acho;

3) Pergunta que não quer calar: nem quando a coisa é smooth e out of the blue vai funcionar mais? Logo eu, que sou defensora do acaso, vou ter que amaldiçoar o pobre?

4) As apostas sobre a data de alteração do meu relationship status no orkut foram encerradas e o dinheiro não será devolvido :oP

Elucidando o post anterior, ou A vida como ela devia ser

Não vou dizer que vou explicar, porque não vou. Vou apenas discorrer um pouco sobre o assunto.

Eu sempre me orgulhei de não ser covarde. Não tive medo de atravessar o atlântico e morar no exterior, nem de sair da casa dos meus pais, por exemplo. E podem dizer que morar na Itália e em Floripa é barbada, são paraísos, qualquer um iria sem pestanejar. Pois vocês estão enganados. Dos meus colegas da Itália, eu era a única que tinha deixado um namorado em casa, e fui a única a sequer considerar a remota hipótese de voltar mais cedo. Não só fiquei uma semana a mais do que o estritamente necessário, como ainda por cima voltei chorando. Floripa idem, deixei o namorado em Porto e me mandei, além do que não fui morar lá pra pegar praia; quem me conhece sabe que eu não sou uma entusiasta de balneários, portanto morar na praia nunca foi meu sonho de consumo. Vir pra São Paulo, a capital do pecado, a cidade do demônio, foi coisa que todo o mundo criticou (especialmente porque eu tava saindo de Floripa, que, dizem, é o paraíso na terra). E eu vim anyway.

E o mesmo princípio se aplica a todo o resto da minha vida. Inclusive - talvez principalmente - relacionamentos. Não fugir do que a gente sente, não fugir do desconhecido, não achar que a gente deve se contentar com a vidinha-mais-ou-menos por medo de tentar outra coisa e quebrar a cara. Larguei um namorado pra ficar com outro cara. Não deu muito certo, é verdade, durou pouco. Mas ainda assim continuo achando que é melhor a gente assumir o que sente e viver o que deve ser vivido do que se acomodar em situações que no fundo não nos fazem felizes. Eu amava o Carlinhos, todo mundo sabe disso; mas não tava dando certo, o amor não tava sendo suficiente, e provavelmente foi isso o que me fez olhar pro lado e enxergar outra pessoa, e sentir alguma coisa por essa pessoa. Claro, eu podia ter ouvido os apelos da razão e do medo: "mas como, jogar tanta coisa fora, e se não der certo?". Digo de novo: não me arrependo. Quando a gente começa a pensar se tá valendo a pena, se tem futuro, é porque provavelmente não tem.

Pois bem. Ontem conversando com o Amigo Tigre eu achei que tava sendo meio covardona com o que ando sentindo. Que não andava admitindo as coisas como elas são. Vejam, eu passei umas seis horas, no máximo, culpando o teor alcoólico. Depois mandei à merda (até porque quem me conhece sabe que eu não me alcoolizo tanto assim) e assumi que de fato tinha um sentimento rolando. Até aí beleza. Mas se me perguntassem eu diria "é, tem alguma coisa, mas não é nada avassalador, ah, nem é tudo isso, é só uma possibilidade". E ontem eu percebi que eu tava tentando desviar um pouco a coisa, modalizar. Acho que eu tava era tentando me precaver de tombos. Me machuquei muito da última vez e não sei se consigo entrar de cabeça em alguma história ever again. E "minimizar" um sentimento é uma boa forma de não se jogar de cabeça. Senti raiva ontem. Raiva de quem causou essa mudança em mim. Como eu disse, odeio gente covarde, então como é que agora eu vou virar uma covarde?

E não é que justamente quando eu resolvi deixar de ser covardona, quando eu resolvi peitar e esboçar minimamente uma atitude de mulé-macho eu quebrei a cara? Com a covardia dos outros, ainda por cima! De novo a velha covardia alheia me dando rasteira. Por que as pessoas não conseguem ser consistentes? De que adianta tomar uma decisão, ter um arroubo, um acesso, um cinco-minutos aí, fazer coisas grandes e decisivas, acenar com possibilidades, com um "sim, é verdade, tem alguma coisa acontecendo, vamos ver o que dá"... e mudar de idéia em 48 horas? Sofre um, sofrem dois, sofrem todos. E que não venham me dizer que eu tô imaginando coisas! Meus vários consultores (homens e mulheres, fracassados e bem-sucedidos) também analisaram a situação e também acham que eu não tou nessa sozinha.

E é por isso que eu odeio gente covarde. Inclusive um que tava completamente sumido, da minha vida, do orkut, acho que até do mundo, e hoje resolveu ressuscitar do mundo das sombras e colocar sua "carinha" no orkut. E justo hoje! Certas coisas realmente me perseguem...

Covardias

Eu odeio gente covarde.

Acabei de chegar em casa depois de horas em pé no ônibus. Fiquei a viagem toda pensando em como eu odeio gente covarde. Pensei num post gigantesco. Se me der na veneta mais tarde volto aqui e posto.

Mas que fique registrado: eu odeio gente covarde. Com todas as minhas forças.

segunda-feira, 20 de agosto de 2007

Veneno antimonotonia

Depois do meu repúdio ao tédio do post anterior, alguma coisa tinha que acontecer, concordam? E aconteceu. Não, o príncipe encantado não subiu pela minha janela; se bem que, pensando bem, um homem escalando a nossa janela hoje em dia só pode ser ladrão. Mais provável que tocasse o interfone. Ou desse um toque no celular, a cobrar, avisando que tá lá embaixo mas esqueceu o número do apartamento. Ou que desceu do ônibus e não lembra mais pra que lado ir. Bom, deixa pra lá, não houve príncipes no meu domingo, apesar das expectativas.

Ou melhor, houve sim. Dois. Fecharam a minha noite com chave de ouro. Diego e Tigrão, os melhores amigos que uma mulher pode ter: os mais carinhosos, aqueles que enchem a tua bola e te desmontam, just for fun, na mesma linha de conversa do msn. Contei pra eles toda a minha breve e nem tão triste história e os dois concordaram que eu vou me dar bem. Nas palavras deles, "alguma dúvida de que esse cara tá doido por ti?". Eu não exageraria tanto, mas se tem uma coisa que eu já aprendi é a dar ouvidos a essa dupla. Especialmente quando os dois têm exatamente a mesma opinião. E a melhor parte é que eles me dizem essas coisas em meio a mil tiradas fantásticas, e eu quase morro de rir. Conversar com gente inteligente e perspicaz é tão bom! Ainda mais ouvindo muita música boa, porque o Diego não perdoa. Ontem foi Nick Cave, e adivinhem o que eu passei o dia todo ouvindo hoje?

Quanto ao resto, os guris acertaram em cheio uma cena, um diálogo. Aconteceu hoje, exatamente como eles disseram. E foi tão chocante pra mim descobrir que os meus amigos queridos têm o dom da premonição que eu mal consegui reagir, quem dirá dar a resposta que eles me aconselharam a dar. Eu acho que o resto ainda demora, mas o pool de apostas tá grande pra ver quando é que eu vou mudar o meu relationship status no orkut. Porque, como todos sabem, isso é que é o mais importante, né?

Hahahahahahahahahaha!!

domingo, 19 de agosto de 2007

Breve desabafo

Meu Deus, que dia chaaaaaaaaaaaato! Monótono e solitário.
E eu que achei que os meus domingos nunca mais seriam os mesmos...

Sonhos, sonhos...

Eu já contei pra vocês de quando eu fazia terapia? Não? Pois bem, eu fiz terapia. Em 2004, aquele ano em que o Carlinhos quase conseguiu me enlouquecer de vez. A minha terapeuta era a mesma do Tigrão (e de muitos outros colegas da Letras, conforme eu fui descobrindo depois) e ela é a terapeuta mais gente boa do mundo, tenho certeza disso. Só parei de ir lá porque arrumei mil empregos e não tinha mais tempo; depois mudei pra Floripa e aí já viram. Confesso que às vezes faz falta; no final do ano passado eu tava quase indo buscar ajuda profissional de novo. Mas a gente também não pode correr pro analista cada vez que toma um pé na bunda, e eu já tinha desenvolvido um certo know-how pra lidar com a coisa. Foi difícil, mas eu levantei sozinha (na verdade, com o apoio emocional de todos os meus amigos que serviram de terapeutas, ouvindo as minhas lamentações durante meses e meses), e agora eu posso dizer "eu levantei sozinha, eu tenho a força". E isso é muito bom, apesar de eu talvez ter ficado com seqüelas que ainda não consigo identificar muito bem, e por isso eu ando pensando tanto nessas coisas.

Mas o fato é que quando eu ia na Corina eu tinha um problema: eu não conseguia sonhar! Quero dizer, eu sonhava, mas coisas absolutamente banais: ir pra faculdade, trabalhar, essas coisas burocráticas. Nunca sonhava um sonho analisável, interpretável psicanaliticamente. Teve algumas poucas vezes, mas era conseqüência direta de coisas que eu tinha pensado ou falado sobre no dia anterior. Era chato. Eu morria de inveja do Amigo Tigre, que tem mil sonhos mirabolantes sempre.

E hoje eu tive o sonho mais maluco de todos os tempos: sonhei que a pessoa aquela tinha feito uma história em quadrinhos me criticando! Colocando toda a culpa pelo fracasso do relacionamento (que é dele, todo mundo sabe, inclusive o próprio) em mim. Mas o mais engraçado é que, além de ter mil absurdos na história em quadrinhos (coisas que não aconteceram, coisas que até aconteceram mas não daquele jeito), e apesar de todo o repúdio, a pessoa me encontrava nos corredores de uma certa universidade para a qual eu poderia ir na semana que vem, me abraçava, me beijava e a gente saía de mãos dadas corredor afora! Até eu ver a revista, claro, porque eu não sou trouxa. Mas mesmo antes de ver a revista eu tava desconfortável com aquela mão na minha. Eu não queria estar com ele-sem-itálico-pra-não-dar-bandeira.

Mais ainda: de repente eu olhei bem pra criatura e ela tava de calça social e camisa cáqui, coisa que eu só vi uma vez na vida. E nem tava de tênis furados. Aí eu realizei a inverossimilhança (pra resgatar um termo aristotélico) do sonho. Acordei rindo sozinha de madrugada. Às gargalhadas, na verdade.

Dormi de novo e acordei bem depois do planejado, com o celular tocando pra avisar da tradicional mensagem de domingo de mamãe. Acordei no meio de outro sonho, no qual eu tava na frente do computador e ouvia o toc-toc-toc-oh-oh do icq...

sábado, 18 de agosto de 2007

Choradeira

Chorei olhando fotos antigas. Chorei assistindo novela. Chorei assistindo Star Wars III dublado no telecine pipoca. Chorei assistindo o comercial de Separados pelo Casamento, também dublado, também no telecine pipoca. Chorei muitas vezes assistindo Extreme Makeover.

TPM é uma merda.

About Maguila

E eis que ontem eu pensei, pensei, pensei. Aí fui dormir. Mas antes de dormir eu abri uma porta do guarda-roupa que eu não costumo abrir. E lá dentro tava o Maguila. Eu abri a porta meio sem motivo; mas quando dei de cara com o Maguila eu lembrei. Ontem era aniversário dele. Um ano que ele foi resgatado de dentro da bagunça do armário da pessoa aquela pra me fazer sorrir pela primeira vez. Chorei. Sim, confesso, chorei abraçada no Maguila. Conversei longamente com ele, expliquei coisas sobre o divórcio de papai e mamãe, expliquei por que ele tem que ficar trancado no armário, por que eu não deixo mais ele cantar e dançar, por que ele não pode morar na prateleira em cima da cama, como ele estava acostumado lá na cidade fria da calçada torta. Expliquei também que logo logo ele volta ao mundo real, a cantar e dançar, a me arrancar sorrisos. E garanti que nunca, nunca vou abrir mão dele. Tranquei ele de volta no armário, bem no fundo atrás dos casacos de inverno. Acho que ele entendeu.

Acordei às oito com o meu despertador rollingstoniano, depois às nove com a música da vizinha. E tou até agora aqui, na frente do computador, esperando alguma coisa que eu não sei bem o que seja acontecer. Tentei ler, não funcionou. Fiquei jogando paciência spider, ouvindo música, e jogando uns joguinhos muuuuito viciantes que eu descobri na internet (taí o link pra quem quiser jogar também). Tenho que sair pra ir no super, mas tô com preguiça. Mas também não tô a fim de ficar em casa. Ah, sei lá. Tô incomodada hoje. Tchau.

Um post confuso

O mundo tá mudando. Não o mundo todo, mas o mundo que me cerca. A cada dia se criam as condições pras coisas acontecerem. De leve, discretamente, sem grandes ostensões, mas as coisas vão acontecendo sem eu nem fazer nada pra isso. Claro que eu tô achando isso muito bom, ciclos fechando, outros começando, mas a verdade é que eu não sei o que eu realmente penso disso tudo, muito menos como vou me comportar. Hoje mesmo fiquei quase o dia todo conjecturando que espécie de gente eu virei nesses últimos meses. Claro que não cheguei a conclusão nenhuma, exceto à conclusão prática de que eu continuo sendo uma boa amiga, apesar dos pesares, e sou uma amiga mais experiente do que eu costumava ser.

Pensei muito hoje sobre como vai ser em setembro. Que cara eu vou fazer, será que eu vou desmaiar? Tou cogitando pagar alguém pra ser meu namorado de fachada lá na hora (e já há candidatos cobrando preços altamente razoáveis, acho que nem adianta me mandarem mais currículos). Mas eu queria que não fosse de fachada, queria que fosse de verdade. Não por maldade, pra esfregar na cara; porque tô sentindo que tá na hora, que eu tô "pronta" (será que a gente tá pronto um dia?), que as condições tão pintando pra que tudo aconteça mais uma vez. De um jeito estranho e completamente inesperado, mas as condições estão surgindo.

O que me levou a pensar (de novo - eu ando pensando muito!) que espécie de gente eu virei, incluindo que espécie de namorada eu virei. Eu era legal, carinhosa, dedicada e boazinha.

[digressão mode on]

Carlinhos discordará da última parte. Azar o dele. Eu era, sim, loucamente ciumenta, mas isso no tempo em que ele era não era um careca gordo, hahahahahahahaha!! E ele fazia por merecer certas coisas. Mas depois eu deixei de ser ciumenta e virei a melhor namorada do mundo, há controvérsias se a contraparte mereceu tudo isso, mas quem disse que o mundo é justo? Só sei que o próximo vai ter que ser um querido ao quadrado, um fofésimo, carinhosésimo, pra compensar o último; além, é claro, de usar roupas das mesmas cores das minhas. Será que é difícil achar um cara que use roxo, violeta e bordô? *duh!*

[digressão mode off]

Anyway, a boazinha se ferrou lindamente e passou meses chorando e sofrendo. E agora ela não sabe mais se ainda é boazinha ou se virou uma megera (acho difícil). E agora ela tem muito medo de se atirar de cabeça nas histórias, de revelar o que sente, essas coisas. Ainda mais com as coisas confusas como estão, mudando rápido como estão.


Notícia boa: num período de um mês a contar da semana que vem, vou rever quase todos os meus amigos mais queridos. Isso me deixa feliz feliz, vocês sabem o quanto eu prezo os meus amigos, o quanto sinto falta deles! Benditos msn e orkut que ajudam a gente a ficar sempre em contato! Nas horas boas e nas ruins também.

quinta-feira, 16 de agosto de 2007

Here I go again, again

Consegui domar o Latex e escrevi a resenha. Realmente ficou muito bonita a apresentação do texto, acho que vou escrever tudo em Latex agora, até a minha tese. A aula foi bem legal, a discussão foi empolgante, o Marcos é muito, muito legal. Olha que pra eu ficar dando pitaco em discussão em aula com mais de dez pessoas é porque tou me sentindo muito à vontade.

E é verdade. Tou me sentindo muito à vontade: na USP, com os colegas, na cidade, no bairro, no prédio, em tudo. Ou quase tudo. Tem uma coisinha, um sentimentinho que tá me deixando meio sem saber pra onde ir, sem saber que rumo tomar exatamente, se é que eu devo tomar algum rumo. Também se não fosse assim não seria sentimento. É bom me sentir incomodada desse jeito de novo, já tava achando que não ia mais acontecer, que era hopeless. Ufa!

Ainda por cima hoje um amigo de uma pessoa que não suporta ser identificada no meu blog, portanto não o identifiquem, tá?
("o", com clítico em vez de pronome forte, e sem itálico, pra não dar bandeira), surgiu do nada no msn depois de séculos. Papo vai, papo vem, a pergunta óbvia: como vai o coração?. Resposta? De vento em popa!. Quer dizer que tá namorando alguém?

Não, não tou. Mas quem sabe o dia de amanhã? Sei que eu tô bem, tô feliz, tô pronta pra próxima. Difícil admitir, mas tô pronta, incômodos à parte. Percebi isso há poucas horas, quando me dei conta que hoje faltou alguma coisa no meu dia. Eu nunca mais tinha sentido falta. Mas hoje senti. Engraçado, parece de uma hora pra outra, mas claro que não é, fiquei um longo tempo no casulo, e eu sei bem o quanto foi sofrido, o quanto parecia que não ia passar. Mas passou. E agora eu sinto falta de novo. E sinto vontade de me arrumar, de estar bonita, de um monte de coisas que eu tava levando num mood completamente whatever até uma semana atrás.

Provas? Um assunto meio nada-a-ver-mas-tudo-a-ver pra vocês verem como eu tenho razão, como a vida se repete e repete. Ontem mesmo eu tava aqui na frente do computador, caindo de sono, e de repente pensei: vou apagar o icq. Eu amo icq, só uso msn porque todo mundo agora (agora = desde 2004) usa msn. Mas na verdade nunca me conformei de não usar mais icq. Só que eu tive um icq revival justamente com a pessoa aquela que não quer ser identificada no meu blog (de novo: não identifiquem a criatura!). Todo o histórico das conversas ainda tá aqui, todo o processo de conquista, etc etc etc. Ok, quem me conhece sabe que eu tenho skills em paquera pela internet (don't ask me why, mas é verdade, já me juntei e já juntei várias pessoas); mas icq foi só aquela vez, e o oh-oh ficou muito marcado. Quase um trauma. Enfim. Quase apaguei a florzinha ontem, só não fiz isso porque tava morrendo de sono.

Pois agora pasmem: hoje eu voltei a usar icq! Daquelas coisas meio do nada, ah, baixei icq!, ah, então me adiciona!. E quando eu vi lá tava eu ouvindo oh-oh de novo. E não dando a mínima pras lembranças! Claro, daqui a pouco lembrei, quando vi que o meu nick ainda tava aquilo que eu fui um dia e não sou mais. Mas deu, passou, e agora eu uso icq de novo!

Mais uma prova de que eu tou, sim, prontíssima pra outra!

Resenhando Rousseau

As madrugadas em claro finalmente cobraram seu preço e ontem eu fui dormir às nove e meia da noite. Até cheguei em casa animadinha pra escrever a tal resenha, mas foi pegar o livro e me deu um soooono do caralho. Tomei café, assisti um pouco de tv e nada, foi ficando cada vez pior. Me rendi, enfiei o pijama e desmaiei.

Sonhei um monte de coisas estranhíssimas. Não aquelas coisas estranhas do tipo monstros, estar voando, etc. Coisas estranhas no mundo real mesmo, envolvendo gente que eu conheço and myself.

E agora cá estou eu, tentando parir essa bendita resenha no bendito Latex. Acordei as seis da manhã, nem tinha sol ainda! Ultimamente ando indo dormir a essa hora, então façam a conta.
Até tenho idéias, mas tô meio dormindo ainda, apesar do café, e o programa só dá pau.

Depois de hoje só volto pra USP na segunda, pras palestras da McGinnis e do Archibald. Vou passar a semana toda na USP, manhã e tarde. Tô prevendo um final de semana negro, preciso pensar no meu projeto pra FAPESP e dar cabo da revisão da dissertação (ainda!). Mas a minha cabeça vai estar em outro lugar, e eu nem vou poder conversar com ninguém a respeito. Acho que vou convidar alguém pra estudar, pra não morrer de solidão no findi...

quarta-feira, 15 de agosto de 2007

God bless nature

Li 25 das duzentas páginas que tinha que ler pra hoje. Hoje de meio-dia, na USP, rapidinho, sentada num banco na frente da biblioteca. Ontem de noite não fiz nada além de trovar no msn e ouvir música. A Lu e a Sá entraram de madrugada e pela primeira vez fofocamos de madrugada. Só o Larson pra fazer a Lu ficar acordada até aquela hora. A Lu tinha novidades, eu também, e ficamos umas dando palpite na vida das outras.

Eu tenho novidades, mas não me sinto nem em condições de vivê-las, quanto mais de falar sobre elas! Tenho questionado quais terão sido os efeitos das minhas vivências recentes sobre a minha forma de agir e lidar com certas coisas. Tenho questionado se tou mesmo pronta pra encarar determinadas situações, e como vou encará-las caso isso seja preciso. Só tenho uma certeza: não sou mais a mesma. Conseqüentemente não sei o que esperar de mim.

A aula hoje foi bem legal. Mesmo tendo lido só 25 páginas, consegui fazer relações e participar da aula. Valeu muito a pena não ter lido todas as páginas, after all. Na hora do intervalo aconteceram umas coisas... não vou ficar falando, mas tem uma que eu preciso contar: fui encher minha garrafinha de água no bebedouro no final do corredor. Na volta, passei na frente de um banquinho onde tavam sentados dois caras, conversando. Quando eu passei um deles largou um "God bless nature" MUITO alto. Tive que me segurar pra não cair na gargalhada.

E mesmo assim a 3x4 ficou uma bosta!!!!

terça-feira, 14 de agosto de 2007

Perguntas

Eu tou há dias pensando e repensando sobre o meu projeto de doutorado, sobre o que vou querer estudar exatamente. Como bem disse o Jairo, o meu projeto é pra uma enciclopédia, não pra uma tese de doutorado. E, óbvio, não pode ser assim.

Aí hoje no meio do workshop eu tive uns estalos. Comecei a rabiscar desenfreadamente umas idéias. Acho que finalmente tou no caminho certo. No final do evento, fui falar com o Jairo pra contar pra ele sobre as minhas idéias e ele disse que eu preciso transformar tudo em perguntas, baseadas no conjunto de dados que eu quero explicar, porque só assim a gente consegue organizar o projeto: há um conjunto de dados que colocam um problema, e a tese vai tentar responder essas perguntas. Tem também que tentar responder preliminarmente, ou seja, tem que ter hipóteses pra explicar os dados. É assim que se faz ciência.

Eu tô há alguns dias pensando e repensando umas coisas importantes da minha vida. Coisas que eu não tava esperando, mas que parecem estar acontecendo. Como dizem por aí, quando a gente fica esperando é que nada acontece mesmo. Distraídos venceremos, ou qualquer outra coisa que rime com isso. E, óbvio, comigo sempre foi assim.

Aí hoje no meio do workshop eu me toquei que não adianta ficar negando o inegável. Tá acontecendo e pronto. Espero estar no caminho certo, acho que aprendi a não me fazer de louca. Mas tenho um puta medo de errar. Tenho feito muitas, muitas perguntas, mais do que as regulamentarmente necessárias, pras quais não consigo não dar respostas, mas as respostas são estranhas, porque a base empírica é pouca, recente e estranha. Tá difícil organizar a coisa, acho que perdi a prática. Tenho uma hipótese, mas tou viciando os dados pro meu lado e isso é totalmente anti-científico.



Meanwhile, 200 páginas pra ler pra amanhã e Scorpions na cidade. Ah, as agruras da vida acadêmica...

segunda-feira, 13 de agosto de 2007

Sunday night show

Cada vez mais essa cidade me proporciona surpresas e coisas boas, muito boas. Rodízio de pizza na esquina de casa por R$ 11,90? Voltar do cinema pra casa depois da uma da matina, à pé? Post-midnight vodca-tonica? Priceless.

A vida segue seu curso estranho e as coisas se repetem, agora invertidas, mas comigo no meio (pelo menos é assim que eu interpreto). Passei o dia todo pensando um milhão de coisas hoje, mesmo no meio do workshop dos figurões da aquisição (que foi fantástico, por sinal, e amanhã tem mais). Uma semana usando um certo objeto e tudo muda, ou ao menos parece prestes, ou propenso, a mudar. Realmente não foi à toa que eu escrevi certas coisas no último post, agora eu percebo; tudo tem um motivo, eu sei disso mas às vezes esqueço, bom que a vida sempre dá um jeito de me lembrar. Os últimos estertores de uma história que já deu o que tinha que dar?

No mais, amanhã vou tirar foto 3x4, coisa que eu detesto fazer, mas firmei um compromisso. John McLane, agora eu vi com os meus próprios olhos, continua kicking major ass, e apesar da cara meio bondiana das cenas de ação eu adorei o filme. Tom Waits é o cara, não vivo mais sem a voz dele cantando nos meus ouvidos. Tenho 200 páginas pra ler pra quarta, uma resenha pra escrever pra quinta, um programa de computador pra dominar até idem, e a cabeça meio nas nuvens. E tá muito bom assim.

domingo, 12 de agosto de 2007

O primeiro mês

Um mês de paulistanidade, parabéns para mim! Um mês e eu ainda não comi feijoada, o que é imperdoável. Se não tivesse comida pronta, e se eu não estivesse tão mal de grana, teria me dado de presente uma feijoada hoje. E nem precisava ser a do Veloso, podia ser a do restaurante aqui perto.

Pensando bem, melhor mesmo não ser a do Veloso. Não que não seja boa, pelo contrário, é a melhor que eu já comi. O problema é ir lá sozinha. As lembranças volta e meia ainda me atormentam nessa cidade, não podia nem ser diferente. Vim pra cá pela primeira vez exatamente um ano antes de vir de vez. E não tava sozinha, ah, you all know the story. Eu acho que sempre tem um momento em que as coisas começam a desmoronar de vez, e acho que foi aqui. Aliás, tenho certeza. Indícios eu tinha desde o mais tenro início, mas a "grande revelação" começou foi aqui mesmo. Engraçado ter durado tanto tempo.

Bom, mas eu nem sei por que diabos tou falando disso. Aliás, sei sim: mês que vem devemos nos topar por aí, pelas quebradas da vida. A menos que um de nós fuja, e com certeza esse "um de nós" não serei eu, portanto... nos veremos. O que me lembra que eu preciso fazer a minha inscrição logo de uma vez, o tempo tá passando e eu tou tão envolvida com as duzentas mil coisas que me envolvem nesse momento que tou sempre esquecendo de fazer as coisas, como por exemplo inscrições.

Expectativas à parte, e por falar em expectativas, dentro de duas semanas receberei meu primeiro hóspede! E em setembro, se tudo correr como tou prevendo, terei vários hóspedes, em vários momentos do mês. Vai ser bom, eu acho. Tou achando ruim que ninguém veio aqui ainda visitar, dormir, essas coisas. Parece que a casa não é uma casa de verdade, não sei. Acho que tou mal-acostumada com Floripa, lá a minha casa era o point, tinha gente entrando e saindo, dormindo, comendo, estudando, vendo TV o tempo todo.

Eu gosto de ser anfitriã, se pudesse chamava todo o mundo pra vir. Mas infelizmente o mundo é cruel e capitalista e isso é impossível, ao menos no momento, o que me lembra que hoje eu joguei de novo na mega-sena acumulada, dessa vez com números aleatórios escolhidos pela máquina. De novo não acertei nem um número, mas de novo acumulou. Preciso escolher uns números da sorte com muita calma e jogar de novo semana que vem. Sei que muita gente acha bobagem jogar, mas meu pai joga religiosamente em TODOS os jogos que existem de loteria. Segundo ele, é o único jeito de ficar rico, visto que ele tá quase se aposentando (se a lei não mudar pela enésima vez, como das outras três vezes em que ele tentou se aposentar). E como a situação aqui tá cada vez mais preta... mega-sena neles! Ou melhor, em mim! Pra ver se no próximo mês rola uma graninha pra comer a tal feijoada.

sexta-feira, 10 de agosto de 2007

O dilema da máquina de lavar

Então eu tenho uma máquina de lavar. Pra facilitar a vida. Porque em Floripa eu não tinha, então ou lavava tudo na mão, ou mandava na lavanderia. Até era baratinho, mandar lavar. O problema é que eles misturavam calça de abrigo com lençol e toalha de banho, tudo na mesma lavada, e aí as minhas roupas ficaram meio destruídas com o tempo. As delicadas, claro, eu lavava na mão, em casa, com todo o cuidado. As brancas, pretas, e as que soltam tinta também, porque as antas da lavanderia, como eu disse, misturavam tudo e eu não queria acabar com todas as minhas roupas brancas tingidas de cor-de-rosa porque deixaram uma calcinha vermelha no meio da roupa branca. Quem assiste Friends, ou ao menos assistiu a primeira temporada, sabe do que eu tou falando.

Pensando nisso tudo e na mão-de-obra que era lavar tudo na mão, porque demorava séculos pra secar a roupa porque a área de serviço não era boa pra secar roupa porque não pegava sol nem ventava, ganhei uma máquina de lavar de presente dos meus pais. Pra facilitar a vida, como eu já disse. Só que agora eu tenho outro problema: duas peças de roupa preta pra lavar, duas peças de roupa branca pra lavar, duas peças que soltam fiapos e causam bolinhas nas outras roupas, e umas roupas coloridas que não dá pra misturar aleatoriamente. Conseqüência lógica: faz uma semana que a pilha de roupa tá aumentando e eu não consigo lavar! A minha consciência ecológica simplesmente não me permite ligar a máquina pra lavar duas peças de roupa de cada vez. E a minha preguiça e a minha teimosia não me permitem lavar na mão, porque agora eu tenho máquina de lavar que lava direitinho, rapidinho, e torce tudinho pra roupa sair quase seca de dentro da máquina e secar num instantinho pendurada no varal.

Moral da história um: I'm running out of clean clothes. Será que eu vou ter que usar preto uma semana inteira, depois branco uma semana inteira, depois roxo uma semana inteira? E o que eu faço pra poder usar as roupas que eu só tenho uma daquela cor? E - dúvida suprema - quando é que eu vou poder usar a minha calcinha vermelha supracitada se eu quase não tenho roupas vermelhas? (Sim,
eu tenho mesmo uma calcinha vermelha, e daí?)

Moral da história dois: preciso casar com um cara que use as mesmas cores de roupas que eu. Já pensou esse drama multiplicado por dois?

De mega-senas e cafés, ou Um título aristotélico

A mega-sena não veio. Não acertei nem um número. Mas também, vamos combinar que seria demais um cara lindo daqueles falar aquilo e no mesmo dia ganhar na loteria. Em se tratando de mim, é claro.

O que veio foi que eu dormi demais hoje, de novo. Acordei queimada, de novo, e de novo os planos de lavar roupa e limpar a casa foram pro espaço. Tudo bem, a casa não tá tão suja e não tem uma montanha de roupa pra lavar. Mas eu decididamente não quero deixar as coisas acumularem, porque a pilha de textos já tá enorme e eu quero ser uma doutoranda exemplar pra deixar o Jairo feliz. E pra me sentir produtiva também, quero dar o meu melhor de todos os tempos; já que eu escolhi isso, que seja feito o mais perfeitamente possível dentro dos meus limites de ser humano.

E aqui tem tanta coisa pra fazer! Semana que vem tem workshop de aquisição com todos aqueles caras importantes dos States cujos livros estão nas minhas prateleiras; e na semana seguinte dois deles vão dar cursos! Então essas coisas legais todas têm que ser acomodadas com os quatro seminários punks que eu tenho que apresentar esse semestre, mais as resenhas semanais minuciosas que a aula de filosofia vai me exigir. Mas tô adorando isso tudo, tô com muito pique. As pessoas são legais, os professores são legais... só o café da cantina que é ruim. Pelo menos dá pra tomar café no DL, de grátis. Dos males o menor.

Bom, com vossa licença que agora vou dar uma lidinha em Rousseau, Platão e Aristóteles. Finalmente tenho desculpa pra isso!

quarta-feira, 8 de agosto de 2007

Mais um dia na vida de Leonor Klimber

Eu devia saber que hoje não seria um dia normal no momento em que acordei. Claro, provavelmente eu teria percebido se não tivesse acordado tão tarde e tivesse, portanto, tido tempo de prestar atenção no mundo que me cerca. Meus planos de lavar roupa, arrumar a casa e dar uma estudada antes de fazer almoço foram pro brejo. Mal deu tempo de me arrumar, almoçar rápido na rua e pegar o ônibus.

Aliás, minto. Depois do almoço eu ainda saí em peregrinação Cardoso afora, tentando achar um lugar pra recarregar meu bilhete único do ônibus. Não fui feliz. Andei lééééguas e nada. Acabei pegando ônibus lááá em cima, no ponto da PUC. Achei que tava atrasada, o Butantã demorou décadas pra passar, mas deu tudo certo no final, cheguei cedo pra burro na USP. E aí começou a insanidade: todos, eu disse TODOS os banheiros do prédio estavam interditados pra limpeza. Pra piorar, tá rolando um congresso de não-sei-o-que por esses dias, então o índice de mulheres desesperadas pra passar um batom depois do almoço tava batendo na estratosfera. Imaginem o que aconteceu quando um dos banheiros finalmente abriu? Ah, pois é. Várias tias se acotovelando na frente do espelho e uma megafila pra poder jogar fora toda a água que eu tomei de um gole só, na pressa, na hora do almoço. E quando finalmente chegou a minha vez, a minha porta tava quebrada!! Era uma daquelas portas de plástico tipo sanfona, porque é o espaço reservado pra cadeirantes. Só que a sanfona tava quebrada em 4 partes diferentes, então tinha várias frestas, pro pessoal ver tudo o que tava rolando lá dentro de vários ângulos diferentes.

Passado esse obstáculo, a aula. Fomos parar na sala errada (uma sala de alemão cheia de gatinhos), depois fomos parar na sala certa (sem gatinhos). Pra encurtar o causo: somos 6 alunos matriculados, sendo que só 4 apareceram. E o sistema do semestre vai ser seminário em cima de seminário. Textos fudidíssimos sobre alçamento, controle e ECM. É, exatamente aquela porra que eu nunca consegui entender! Eu vou ter que apresentar um texto sobre o Quechua, o da Concha Castillo sobre ECM (os dois no mesmo dia!), o texto do Hornstein sobre movimento e controle (que "só" fundou uma corrente da teoria) e, pra encerrar o semestre com chave de ouro, duas aulas pra apresentar o Landau. Sim, duas aulas. E aí eu entendi por que o Marcello disse, no início da aula, que tava com pena da gente. A parte boa é a cara que as pessoas fazem quando ouvem "doutoranda com o Jairo". Já nem me espanto mais. Ou me olham com cara de quem tá olhando pra um maluco, ou com cara de quem tá olhando pra um supergênio, ou então fazem aquela cara de "bah, sifu" (aliás, essa última é a minha preferida).

Mas aí, como o semestre todo é seminário e hoje ninguém tinha nada pra apresentar, a aula acabou bem cedo. E eu decidi ir pro shopping carregar meu cartão de passe na lotérica. A fila tava quase pior que a do banheiro da USP. Mega-sena acumulada e a ricaçarada do bairro toda amontoada na fila pra jogar. Ok, eu também aproveitei o embalo e joguei, mas fiquei pensando que se uma daquelas peruas cheias de jóias ganhar é porque o mundo é mesmo injusto.

Saí do shopping pensando nisso e fui pro supermercado fazer umas comprinhas. No caminho tem uns edifícios muito opulentos, tudo muito sofisticado demais. Tem também duas escolas enormes, superaristocráticas, e eu continuei pensando sobre o mundo injusto, a dificuldade de ter que andar quilômetros dias a fio pra carregar o cartão, a mega-sena e o que eu faria com 12 milhões. Será que eu guardaria tudo pra cortar o cabelo? Anyway, saí do super e tomei o rumo de casa, cheia de sacolas, bolsa pesada, cansada de ficar pra cima e pra baixo o dia todo, puta da cara de ter tido que andar tanto com tanto peso, essas coisas de final do dia. E eis que eu vejo vindo na minha direção um husky siberiano enorme, o maior que eu já vi. Lindo, pelo preto em cima e branco embaixo, olhos azuis de doer. Lindo, o cachorro. Aí olhei pro dono do cachorro. Lindo, cabelo preto, olhos azuis de doer. Lindo. Mas lindo mesmo, lindo demais, fiquei até sem jeito quando ele ia passando por mim. Aí quando ele tava terminando de passar por mim e a minha vida tava quase voltando ao normal (às reclamações, no caso) depois daquela visão do paraíso, o cara vira e diz "nossa! que gata!!". Com todas as ênfases que vocês possam imaginar.

E aí eu descobri que o mundo não é nada injusto. O mundo é lindo, moreno, tem olhos azuis e um husky preto. E da próxima vez eu juro que viro de volta e ofereço meu número de telefone!!

terça-feira, 7 de agosto de 2007

O fim da saga do cabelo, o início da USPéia e um milhão de parênteses

Depois de acordar cedo, lavar um monte de roupa e ficar um bom tempo meditando sobre cortar ou não o cabelo, criei vergonha na cara, deixei de lado (momentaneamente) o meu lado materialista e saí. Sessenta reais e uma hora depois, cabelos cortados, com direito a cafezinho e tudo (que eu aceitei, em nome do meu lado materialista, é claro). Foi legal, a cabeleireira era querida e cortou bem como eu queria (também, se não cortasse eu cortava a língua dela!).

(Metaparênteses: vocês também acham engraçado quando eu fico enchendo de parênteses? É o meu outro "eu", the voices in my head que ficam se manifestando, huahauhauahuahua. Morar sozinha dá nisso...)

Sessenta reais a menos no bolso, só me restava ir bandejar com o Julio mesmo. E devo dizer: tava razoável. Melhor que o da UNICAMP, mas isso qualquer RU que não tenha pássaros sobrevoando as mesas consegue ser. Melhor que o da UFRGS (pelo menos em relação às fases "chiclete no feijão" e "chuleta assassina"). É, é decente. Mais caro que na UFRGS, R$ 1,90. Mas vem com um copo de suco "de grátis" (que na UFRGS tem que pagar, mas mesmo assim sai mais barato).

E após muito feijão e arroz com bicarbonato pra estufar o estômago, mais um meio quilo de batata que a tia colocou no meu prato (ainda bem que a carne era guisado, bem digerível, e que eu não gosto de banana, porque senão ia pesar horrores), e mais um alfajor argentino de sobremesa, cortesia de Julinho (aqui é pra ler "rrrulinho", com pronúncia castelhana), nada como uma aulinha de semântica formal pra facilitar a digestão. Se eu não sonhar com lambdas e mundos possíveis a noite toda já me dou por satisfeita. Mas o Marcelo, bah! Põe didática nisso, meu filho!! Eu não tenho a base de conhecimento pressuposta pra acompanhar a disciplina (ou até tenho em parte, mas de uma forma intuitiva, de tanto ler a respeito), e mesmo assim consegui entender quase tudo. Só não entendi o que o resto do povo também não entendeu, então tou no lucro.

Mas alguma coisa deve ter fritado a parte do meu cérebro que é responsável por pensamentos com encadeamento, sentenças com começo meio e fim e aplicação de parênteses. Ao menos a julgar pelo que eu acabei de escrever...

segunda-feira, 6 de agosto de 2007

Amanhã começa

Amanhã começa. Tô nervosa que nem criança no primeiro dia de escola. Bom, até não deixa de ser... Fora o fato de que é o meu milésimo "primeiro dia de aula" nessa vida, claro.

Amanhã começa. E hoje finalmente estou escrevendo com o computador em cima da minha mesa nova, e não no colo. Finalmente eu tenho uma mesa como se deve, digna de uma acadêmica (hehehe... a Tok&Stok, se me ouvisse, ia usar isso como slogan), e uma cadeira idem. A mesa é meio trambolho pro tamanho da sala, mas como diria a Rê, fuck you man, eu preciso de uma mesa espaçosa pra espalhar meus papéis! E daí se a pessoa tem que fazer uma curva pra entrar na cozinha? Pelo menos não vou mais precisar apelar pro chão ou pra banquinhos da cozinha pra colocar textos em cima.

Amanhã começa, e logo com aula do Marcelo!!! O cara é muito bom!! (Claro, se começasse com qualquer outro eu diria a mesmíssima coisa, mas quem se importa, não é mesmo?).

Amanhã começa, e se eu conseguir cortar o cabelo cedo (sim, adeus dinheirinho suado, adeus adeus, dá pra pagar umas 4 sessões de cinemark com essa grana, mas paciência, a vaidade ainda vai destruir o mundo) vou estrear no bandejão, guiada pelas mãos de Julinho, meu guia espiritual na USP.

Amanhã começa, e eu sei e muitos de vocês sabem também que só pára de novo daqui a quatro anos. Se parar.

domingo, 5 de agosto de 2007

De quando as coisas vão pro lugar

A gente sente que as coisas tão indo pro lugar quando coisas boas acontecem sem muita cerimônia, sem muito aviso prévio. Hoje eu reencontrei um primo que eu não via há no mínimo dez anos. Dez anos, quando eu ainda era uma menina de colégio e ele era solteiro. Dessas coisas da vida, esses orkuts que unem as pessoas; ele me achou, me ligou, me passou um esporro por eu estar em São Paulo e não ter procurado por ele ainda. Aí marcamos de jantar. Jantamos. Hoje, ainda tou meio sob o efeito do vinho, aliás. E foi tão legal! Eu, que sou toda família, imaginem, fiquei feliz. E ele, que também é todo família, mas eu não sabia, porque afinal a gente se conheceu quando eu era uma menina, também ficou feliz. E de repente a gente descobre que tem gente no mundo que a gente não conhece direito, mas devia conhecer. Que bom que essas coisas acontecem! Que bom refazer laços que na verdade nunca tinham sido realmente feitos. Que bom quando as coisas começam, finalmente, a ir pro lugar de vez.

sexta-feira, 3 de agosto de 2007

Bairro, bairro meu, existe alguém mais pé-rapado do que eu?

Eu já falei pra vocês que eu moro perto da Viviane Senna, do Jô, da Adriane Galisteu e de mais um monte de gente famosa, né? Pois é, eu tava achando isso o máximo, brincava com todo o mundo que "agora não posso porque vou ali no prédio ao lado tomar chá com a Vivi". Especialmente porque, pros padrões do bairro, eu pago barato pra morar no meio dos chiques, num apê mobiliado e cheio de guardinhas legais e prestativos 24 horas. Eu tava, realmente, adorando. Até hoje.

Hoje eu comecei a perceber algumas desvantagens de morar no meio dos ricos. Saí pra procurar um cabeleireiro. Caminhei o bairro todo e o mais barato que eu achei custava 40 merréis (nem vou contar pra vocês o preço do mais caro). Pior: o de 40 merréis parece aqueles salões furrecas da Assis Brasil*, aqueles que as mulheres que te atendem têm o cabelo descolorido à la farmácia, unhas muito grandes pintadas de esmalte vermelho descascando e dizem "néãm" em vez de "né". Néãm, com a boca beeem aberta e torta prum lado. Iãcs!

(parênteses: tou com a minha super tv nova pra variar ligada porque agora eu tenho net-combo-analógico-de-pobre-mas-ainda-assim-skavurska e ela vive ligada. enfim, tava trocando os canais e tá passando desenhos da pantera cor-de-rosa no cartoon network. yay!!!!)

Enfim, eu ia dizendo que cortar cabelo nesse bairro é muito caro. E caminhar em algumas das ruas desse bairro é simplesmente opressor. É muita opulência! Até a sinagoga (já falei que aqui é um bairro judeu?) e o colégio são incrivelmente chiques, grandes, sofisticados, a arquitetura é um negócio, enfim, a gente se sente tão minúsculo quando vê que uma bola de sorvete custa sete contos de réis que eu quase entrei na lotérica pra jogar na mega-sena. Ou isso, ou eu viro crente-style e não corto cabelo nunca mais. Logo eu, que gosto taaaaanto do meu cabelo!

Ok, ok, não tou odiando o bairro nem a minha vida de pobre no meio dos ricos. O bairro é maravilhoso, tem mil padarias maravilhosas, daquelas de babar na vitrine, um monte de lojas maravilhosas com preços melhores do que em Porto ou Floripa, e mais um monte de coisas geniais. Dá pra viver a vida inteira sem sair do bairro, só andando a pé. Eu até vou comprar um daqueles carrinhos de feira que as velhinhas usam pra ir ao supermercado. Acho isso um barato. Também acho um barato sair na rua e ouvir gente falando iídiche pra tudo quanto é lado, e ver rabinos de verdade daqueles com megabarbas e trancinhas e chapéus. Muito mais do que no Bonfim**. Mazel tov!


* Como agora esse é um blog cosmopolita, explico: Assis Brasil é uma avenida enorme da zona norte de Porto Alegre. Uma avenida comercial meio trash, mas que tem de tudo e todo mundo freqüenta pra comprar esse "de tudo" que tem lá. Talvez comparável à avenida São João aqui em Sampa, mas há controvérsias.

** Bonfim é o bairro judeu de Porto Alegre, onde o Moacyr Scliar morou e o Nei Lisboa bate ponto nos botecos. É perto do centro e bem menos chique do que aqui, especialmente porque hoje em dia os punks dominaram a área, hehehehe.

quinta-feira, 2 de agosto de 2007

Promessas de ano novo

Tou me sentindo como se fosse ano novo. Sabe aquela sensação de recomeçar, de fechar um ciclo e abrir outro novinho em folha? Aquele monte de coisas que a gente promete: "vou me divertir mais", "vou me estressar menos", "vou arrumar tempo pra fazer um exercício físico", "vou voltar a tocar piano", "vou trabalhar no meu artesanato", "vou arrumar um namorado", "vou", "vou", "vou"... A gente vai tudo e mais um pouco, ali, entre as 23:55 e as 00:05, enquanto pula da cadeira com o pé direito, brinda e abraça um monte de gente. Depois a gente come um monte de carne de porco, lentilha, enche os cornos de champanhe (hmmm... moscatel) e vai dormir podre. No dia seguinte, acorda megatarde, morrendo de dor de cabeça e não querendo nem ver nada que pareça com comida.

Ao longo da semana, enquanto a gente come todas as toneladas de sobras da noite da virada, o entusiasmo vai arrefecendo, as promessas vão virando lenda. Mas ah, férias, who cares, depois do carnaval é que tudo começa de verdade. E aí chega março, a rotina recomeça a trinta mil por hora e... bom... engole a gente e todos os nossos verbos "ir". Até as 23:55 do próximo dia 31 de dezembro.

Tou me sentindo às 23:59 de um dia 31 de dezembro. Tou fazendo mil promessas de que tudo o que tava ruim vai ser diferente: me divertir mais (agora não tem desculpa, estou na cidade em que tem de tudo pra gente fazer), fazer exercício, fazer artesanato, aulas de música pra desenferrujar, trabalhar sério e com cronograma, não adiar leituras, não adiar arrumação de casa, e mais um monte de outras coisinhas. Quando tava em Floripa, queria conhecer um monte de lugares. Morei lá dois anos e não conheci 30% das coisas que queria. A vida me engoliu, e eu praticamente não morava em Floripa, convenhamos que eu dormia lá umas poucas noites por semana, no depósito em que eu guardava minhas coisas. Agora quero fazer uma lista de tudo o que eu quero ver, fazer, conhecer em São Paulo. E quero que esse apartamento seja a minha casa, meu lar, home, vou caprichar na decoração e em tudo o mais que precisa de capricho pra que isso aconteça. E quero curtir meus amigos! Os daqui, os de Floripa, os de Porto e todos os outros que eu conheço ou venha a conhecer daqui pra frente.

Quero também aproveitar a família. Tenho três primos aqui, três primos que eu adoooooro, e dois deles não vejo há quase dez anos. Agora não tem mais desculpa. E eles me acharam no orkut, antes mesmo que eu pudesse procurar por eles! Espero que a gente possa aproveitar muito a oportunidade de estar perto. É bom ter um pouco de raízes, no final das contas.

Por que eu escrevi tudo isso? Pra vocês me cobrarem se eu começar a reclamar que não tou conseguindo fazer as coisas direito. Pra vocês me lembrarem, em março, das promessas que eu fiz em alto e bom som nesse 31 de dezembro antecipado. Quem disse que é cedo (ou tarde) pra fazer acontecer?