Não tinha medo o tal João de Santo Cristo
Era o que todos diziam quando ele se perdeu
Deixou pra trás todo o marasmo da fazenda
Só pra sentir no seu sangue o ódio que Jesus lhe deuQuando criança só pensava em ser bandido
Ainda mais quando com um tiro de soldado o pai morreu
Era o terror da sertania onde morava
E na escola até o professor com ele aprendeuIa pra igreja só prá roubar o dinheiro
Que as velhinhas colocavam na caixinha do altar
Sentia mesmo que era mesmo diferente
Sentia que aquilo ali não era o seu lugarEle queria sair para ver o mar
E as coisas que ele via na televisão
Juntou dinheiro para poder viajar
De escolha própria, escolheu a solidãoComia todas as menininhas da cidade
De tanto brincar de médico, aos doze era professor.
Aos quinze, foi mandado pro o reformatório
Onde aumentou seu ódio diante de tanto terror.Não entendia como a vida funcionava
Discriminação por causa da sua classe e sua cor
Ficou cansado de tentar achar resposta
E comprou uma passagem, foi direto a Salvador.E lá chegando foi tomar um cafezinho
E encontrou um boiadeiro com quem foi falar
E o boiadeiro tinha uma passagem e ia perder a viagem
Mas João foi lhe salvarDizia ele: "Estou indo pra Brasília
Neste país lugar melhor não há
Tô precisando visitar a minha filha
Eu fico aqui e você vai no meu lugar"E João aceitou sua proposta
E num ônibus entrou no Planalto Central
Ele ficou bestificado com a cidade
Saindo da rodoviária, viu as luzes de Natal"Meu Deus, mas que cidade linda,
No Ano-Novo eu começo a trabalhar"
Cortar madeira, aprendiz de carpinteiro
Ganhava cem mil por mês em TaguatingaNa sexta-feira ia pra zona da cidade
Gastar todo o seu dinheiro de rapaz trabalhador
E conhecia muita gente interessante
Até um neto bastardo do seu bisavôUm peruano que vivia na Bolívia
E muitas coisas trazia de lá
Seu nome era Pablo e ele dizia
Que um negócio ele ia começarE o Santo Cristo até a morte trabalhava
Mas o dinheiro não dava pra ele se alimentar
E ouvia às sete horas o noticiário
Que sempre dizia que o seu ministro ia ajudarMas ele não queria mais conversa
E decidiu que, como Pablo, ele ia se virar
Elaborou mais uma vez seu plano santo
E sem ser crucificado, a plantação foi começar.Logo logo os maluco da cidade souberam da novidade:
"Tem bagulho bom ai!"
E João de Santo Cristo ficou rico
E acabou com todos os traficantes dali.Fez amigos, freqüentava a Asa Norte
E ia pra festa de rock, pra se libertar
Mas de repente
Sob uma má influência dos boyzinho da cidade
Começou a roubar.Já no primeiro roubo ele dançou
E pro inferno ele foi pela primeira vez
Violência e estupro do seu corpo
"Vocês vão ver, eu vou pegar vocês"Agora o Santo Cristo era bandido
Destemido e temido no Distrito Federal
Não tinha nenhum medo de polícia
Capitão ou traficante, playboy ou generalFoi quando conheceu uma menina
E de todos os seus pecados ele se arrependeu
Maria Lúcia era uma menina linda
E o coração dele pra ela o Santo Cristo prometeuEle dizia que queria se casar
E carpinteiro ele voltou a ser
"Maria Lúcia pra sempre vou te amar
E um filho com você eu quero ter"O tempo passa e um dia vem na porta
Um senhor de alta classe com dinheiro na mão
E ele faz uma proposta indecorosa
E diz que espera uma resposta, uma resposta do João"Não boto bomba em banca de jornal
Nem em colégio de criança isso eu não faço não
E não protejo general de dez estrelas
Que fica atrás da mesa com o cú na mãoE é melhor senhor sair da minha casa
Nunca brinque com um Peixes de ascendente Escorpião"
Mas antes de sair, com ódio no olhar, o velho disse:
"Você perdeu sua vida, meu irmão""Você perdeu a sua vida meu irmão
Você perdeu a sua vida meu irmão
Essas palavras vão entrar no coração
Eu vou sofrer as conseqüências como um cão"Não é que o Santo Cristo estava certo
Seu futuro era incerto e ele não foi trabalhar
Se embebedou e no meio da bebedeira
Descobriu que tinha outro trabalhando em seu lugarFalou com Pablo que queria um parceiro
E também tinha dinheiro e queria se armar
Pablo trazia o contrabando da Bolívia
E Santo Cristo revendia em PlanaltinaMas acontece que um tal de Jeremias,
Traficante de renome, apareceu por lá
Ficou sabendo dos planos de Santo Cristo
E decidiu que, com João ele ia acabarMas Pablo trouxe uma Winchester-22
E Santo Cristo já sabia atirar
E decidiu usar a arma só depois
Que Jeremias começasse a brigarJeremias, maconheiro sem-vergonha
Organizou a Rockonha e fez todo mundo dançar
Desvirginava mocinhas inocentes
Se dizia que era crente mas não sabia rezarE Santo Cristo há muito não ia pra casa
E a saudade começou a apertar
"Eu vou me embora, eu vou ver Maria Lúcia
Já tá em tempo de a gente se casar"Chegando em casa então ele chorou
E pro inferno ele foi pela segunda vez
Com Maria Lúcia Jeremias se casou
E um filho nela ele fezSanto Cristo era só ódio por dentro
E então o Jeremias pra um duelo ele chamou
Amanhã às duas horas na Ceilândia
Em frente ao lote 14, é pra lá que eu vouE você pode escolher as suas armas
Que eu acabo mesmo com você, seu porco traidor
E mato também Maria Lúcia
Aquela menina falsa pra quem jurei o meu amorE o Santo Cristo não sabia o que fazer
Quando viu o repórter da televisão
Que deu notícia do duelo na TV
Dizendo a hora e o local e a razãoNo sábado então, às duas horas,
Todo o povo sem demora foi lá só para assistir
Um homem que atirava pelas costas
E acertou o Santo Cristo, começou a sorrirSentindo o sangue na garganta,
João olhou pras bandeirinhas e pro povo a aplaudir
E olhou pro sorveteiro e pras câmeras e
A gente da TV que filmava tudo aliE se lembrou de quando era uma criança
E de tudo o que vivera até ali
E decidiu entrar de vez naquela dança
"Se a via-crucis virou circo, estou aqui"E nisso o sol cegou seus olhos
E então Maria Lúcia ele reconheceu
Ela trazia a Winchester-22
A arma que seu primo Pablo lhe deu"Jeremias, eu sou homem. coisa que você não é
E não atiro pelas costas não
Olha pra cá filha-da-puta, sem-vergonha
Dá uma olhada no meu sangue e vem sentir o teu perdão"E Santo Cristo com a Winchester-22
Deu cinco tiros no bandido traidor
Maria Lúcia se arrependeu depois
E morreu junto com João, seu protetorE o povo declarava que João de Santo Cristo
Era santo porque sabia morrer
E a alta burguesia da cidade
Não acreditou na história que eles viram na TVE João não conseguiu o que queria
Sofrer...
Quando veio pra Brasília, com o diabo ter
Ele queria era falar pro presidente
Pra ajudar toda essa gente que só faz...
segunda-feira, 30 de novembro de 2009
Impossível não ficar cantando
Minha experiência no congresso nacional
Logo na chegada disseram pra gente que tava tendo sessão na Câmara e que a gente podia assistir das galerias. Quando a gente chegou nas galerias, a moça falou que como era sessão solene a gente podia ir assistir lá mesmo, no plenário. Os caras-de-pau aqui, lógico, foram que foram. Passamos pelo Salão Verde, que é um lounge dos deputados, com poltronas mega confortáveis e um jardim interno, e entramos no plenário. A sessão solene era em homenagem ao centenário do Dom Hélder Câmara. Tinha tipo cinco deputados lá dentro, entre eles a que o Clodovil chamou de feia e o Mauro Benevides, que deu um discurso bem bacana. Um dos deputados cumprimentou a gente na saída e tudo, gente, o máximo! Deu pra bater foto, aplaudir, me senti uma legisladora decidindo importantes assuntos da nação.
Saímos correndo de lá pra lancheria pra comer uma coisinha rápida e logo fomos pro senado assistir a sessão lá também. Aí achei meio sacal, porque não podia entrar com nada, nem bolsa, nem água, nem câmera pra tirar foto. Principalmente câmera, a moça falou. Pelo tom, achei que tavam discutindo a implementação da pena de morte lá dentro. Uma pena, porque o senado é infinitamente mais bonito do que a câmara. Enfim. Na entrada ouvi a voz do cara que tava discursando e reconheci: era o Paulo Paim. Eu tava sonhando em ver o Simon, o Suplicy, o Cristovam Buarque,até o ACM neto servia, mas não, lá me aparece o Paim. Falando de redução no IPI e bicicletas. Sim, bicicletas. Ele falando (sem nenhuma concordância, e eu sem nem um pedacinho de papel pra anotar os dados), o Mão Santa presidindo e quase dormindo, outro senador irrelevante lendo jornal e mais um perdido olhando. Aí no final o Mão Santa falou do charque, da Guerra dos Farrapos, mencionando inclusive os ancestrais raciais do senador Paim, os lanceiros negros. E falou também do vinho da Miolo e da Valduga. E que as irmãs dele são professoras e tavam reclamando da aposentadoria. Ou seja, nada a ver com nada. E fora não poder filmar nem levar água nem nada mais, não pode ficar de pé, nem se manifestar. Como assim, o povo vai lá ouvir o que os legisladores falam e não pode se manifestar?? E a liberdade de expressão?
Enfim. Adorei. Quero ser deputada quando eu crescer. E fiquei louca pra voltar lá todo dia enquanto estiver em Brasília pra assistir as sessões. E fazer um lobby pra minha futura campanha.
sábado, 28 de novembro de 2009
Pérola do dia
- Quero. Deixa eu ver se eu fico mais magro.
Quatro giga
Brasília so far
Mas ontem deixaram a minha câmera cair na balada e eu perdi meu memory stick com todas as fotos de todos os reencontros e todas as cenas inusitadas... :(
Breve relato da viagem
- Oi mãe, tô embarcada.
disca, disca, disca:
- Oi amor, já tou no ônibus.
- Caralho, meu banco não sobe.
- Pera que eu te ajudo.
blonct! subiu.
- Meeeerda!
- Que foi?
- Travei as costas de novo.
- Vamos abrir a Ruffles?
- Vamo!
crec, crec, crec, crec, crec...
- Tá, agora eu quero coca-cola.
sobe um monte de gente em Campinas.
pára pra trocar de motorista.
pára de novo em Minas. banheiro imundo.
pára mais uma vez. nem sei onde.
- Catalão!
congestionamento.
rodoviária de Brasília. sem luzes de Natal.
táxi.
eixo monumental.
hotel.
fim.
quarta-feira, 25 de novembro de 2009
Fringe?
Explicando a enrolação
O problema é que eu tenho pela frente nos próximos meses uma incógnita gigante chamada doutorado sanduíche. Enquanto as águas de março não chegarem com o resultado do meu pedido, eu tenho que viver meio preparada pra sair do país em maio, meio preparada pra defender a tese em junho. Isso é muito bizarro! Sair do país requer toda uma logística do que fazer com as minhas coisas, o meu apartamento, etcéteras. Defender requer uma outra logística completamente diferente, e eu preciso ir fazendo as coisas um pouco de cada jeito enquanto nada se resolve. Tipo, tirar passaporte e escrever dois capítulos da tese nas férias. É demais pra cabeça do cristão.
Mas o pior não é isso, é que o resto todo tá embolado também. Eu não sei se vou direto pra Porto Alegre em dezembro ou se vou passar em Floripa uns dias; não sei como vai ser o combo natal-ano-novo, mas já senti que vai ser mais estressante do que o normal; já prevejo que viajar uns diazinhos na boca do ano novo não vai rolar nem fudendo, muito menos em fevereiro quando o pai sair de férias - e eu queria muito viajar esse ano. Já tou sentindo que nem vou aproveitar Porto Alegre, nem vou pegar praia, nem vou ficar em Sampa, porque tudo vai acontecer ao mesmo tempo e eu não vou conseguir ir pra lado nenhum. Vou perambular num limbo interminável até as férias terminarem, sem curtir família nem namorado nem trabalhar direito. E sempre com a espada de Damocles chamada tese pendendo sobre a minha cabeça.
No meu mundo perfeito, era viajar no inicinho do ano, depois 15 dias lá, quinze dias cá, alternando momentos de ócio e de trabalho insano. Essa seria a perfeição suprema. Mas como de perfeita a minha vida anda cada vez mais longe, nem tou me empolgando muito com nada porque não adianta. Acho que eu vou fazer a mala e vou pra Minas alugar uma choupana no meio do mato. Mas que tenha eletricidade, pra eu poder escrever a tese em paz.
Quick update
Mas pra quem pensa que acabou, nããão! Tou aqui correndo pra arrumar as malas e ir pra Brasília passar dez dias apresentando trabalho e fazendo curso. E ainda tem a papelada do sanduíche pra correr atrás e o abstract do GLOW pra terminar e submeter e ah, o relatório CAPES pro dia 30. Aí quando eu voltar tem relatório FAPESP pro dia 10, lá vou eu enlouquecer com mil contas e redigir mais umas quantas páginas de texto pra somar com a quali e entregar pra eles verem que eu mereço continuar ganhando bolsa.
Eu gosto muito da vida que eu escolhi. Adoro poder viajar pra cá e pra lá apresentando trabalho, rever os amigos de longe, e Brasília promete ser a Curitiba desse ano. Delícia. Mas eu queria mesmo era umas férias, sombra, água fresca, um mar gostoso pra me jogar e o colinho do meu amor. Não preciso de quase mais nada nessa vida.
domingo, 22 de novembro de 2009
Tudo que vai...
quinta-feira, 19 de novembro de 2009
Pensando na vida
Será que alguma coisa tá errada?
quarta-feira, 18 de novembro de 2009
Eu quero!!

Diálogo reconfortante
Clark: Sabe o que os espíritas dizem sobre a dor, né?
Leo: Não, o quê?
Clark: "Puta que o pariu, que dor!"
Só não rolei no chão porque tava com muita dor nas costas. Juro.
terça-feira, 17 de novembro de 2009
sábado, 14 de novembro de 2009
Assistindo Fernanda Young
Detalhe: a entrevista contou com uma participação inusitada da Hebe, falando que a tal aluna da UNI(tale)BAN não pode posar pra Playboy porque é gorda. Pensando aqui nas fotos que eu vi dela hoje, realmente, haja técnico em Photoshop pra dar um jeito naquilo!
Falando em Photoshop, a grande pérola da entrevista, pra mim, foi essa aqui: "Tem uma coisa ultimamente, essa geração que nasceu em 80, foi adolescente nos anos 90 e é adulta agora que eu não sei o que acontece que não cresce pentelho! Ok, a humanidade evoluiu, mas como eu nasci na década de 70 eu tenho pentelho sim e não tenho por que esconder." Genial! Super na linha do Zonas Úmidas e outras coisas que eu andei lendo e ouvindo ultimamente. Um dia ainda vou escrever sobre essa paranóia antisséptica antipelos anticheiros que assola a humanidade atualmente. Mas não agora. Agora eu vou me esticar de novo na cama, porque a tentativa de sentar pra trabalhar não foi nada bem-sucedida.
Sexta-feira 13
Aí fui tomar um banho pra continuar trabalhando no outro resumo que eu preciso escrever pra hoje (ontem, na verdade). Mas quando eu saí do banho senti uma fisgada na lombar. Estranho, mas muito rápido. Depois outra e outra e outra, enquanto eu me vestia, e de repente a dor ficou e não parou mais. Não consigo ficar sentada, se eu fico de pé parece que eu já vou cair, e deitada também dói, não importa a posição. E não é dorzinha, é uma puta de uma dor.
Quando eu me conformei com a dor e resolvi deitar e ligar a tevê, descubro que desabou meia estrada lá no rodoanel e que tá tudo parado.
Que mais, hein? Outro apagão ou tá bom assim?
sexta-feira, 13 de novembro de 2009
A césar o que é de césar
quinta-feira, 12 de novembro de 2009
Comida, comida...
Levantei então e fui vasculhar a geladeira e os armários pra ver o que se arranjava. Foi quando me deparei com duas singelas maçãs. E lembrei que na minha última ida ao supermercado eu, ciente da minha condição de doutoranda que supre a falta de saber o que fazer com os dados da tese com comida, não comprei nenhuma guloseima, nem um pacotinho da batata da onda, nada. Nem coca zero! Tudo em nome da saúde. Comprei carne, pão, leite, alface, tomate e maçã. Pra quando batesse a fominha das onze.
Sim, Brasil, eu estou nesse momento devorando uma maçã. Aliás, devorando não é o termo exato, estou ingerindo uma maçã interminável e me perguntando por que um pacote de batata da onda não dura tanto assim. Enquanto isso, Sr. Anônimo devora biscoitos waffer recheados de chocolate em frente à webcam. E o filho da puta do meu vizinho está passando no corredor nesse exato momento com uma pizza de alho e óleo quentinha que ele acabou de receber na tele-entrega. Assim, colegas, não há auto-sugestão que funcione!
Momento egoacadêmico
(Sim, eu preciso de validação pelos meus pares. E daí?)
Epifanias acadêmicas
Aí hoje, tentando parir um abstract prum congresso foda nos States, não é que os dadinhos me voltaram pulando na cabeça? Um depois do outro, bem belos e fagueiros como se não tivessem feito o favor de me sumir bem quando eu mais precisava.
Resultado: agora eu tou aqui pirando nesses dados e não consigo terminar de escrever o abstract que precisa ficar pronto urgentemente. Pode isso?
Teste vocacional
Maior pontuação D (foi a minha): são intuitivos como os C, mas, em vez de se preocupar com pessoas, costumam focar seus interesses em grandes áreas do conhecimento, como ciência e tecnologia. Apresentam notável capacidade para identificar problemas concretos e resolvê-los, bem como para o raciocínio abstrato.
Carreiras mais apropriadas
• Analista de sistemas
• Antropólogo
• Arquiteto
• Astrônomo
• Criador de software
• Designer industrial
• Economista
• Engenheiro
• Físico
• Líder de uma corporação (CEO)
• Matemático
• Militar
• Oceanógrafo
• Pesquisador - that's me! \o/
• Químico
• Músico (regente de orquestra)
• Urbanista
• Zoólogo
Maior pontuação em C (ficou em segundo lugar, quase empatado com a opção D): facilmente reconhecíveis por seu entusiasmo e interesse nas relações humanas, as pessoas do tipo C têm na intuição o seu ponto forte. Muitas endereçam seu esforço e talento para o desenvolvimento intelectual de alunos e discípulos e o conforto psicológico de pacientes e colegas de trabalho. No grupo dos tipos C, estão as personalidades mais laureadas com o Nobel da Paz e de Literatura.
Carreiras mais apropriadas
• Artista plástico
• Dramaturgo
• Educador
• Escritor
• Filósofo
• Jornalista
• Pedagogo
• Professor
• Psicólogo
• Psiquiatra
• Sociólogo
• Terapeuta ocupacional
• Tradutor.
E aí, quando será que sai o meu Nobel?
Das pequenas coisas
Pois é. É nessas horas que a gente tem certeza que vale a pena.
terça-feira, 10 de novembro de 2009
Fim?
É, acho que vou ter sérios pesadelos pelas próximas semanas.
domingo, 8 de novembro de 2009
Forjando silêncio
Solução: desprezar o ventinho gostoso, trancar todas as janelas e portas e ligar o ventilador, gastando fortunas em energia elétrica desnecessariamente. I'm sorry, mãe Terra, mas se as tuas crianças berrassem menos eu não estaria sendo obrigada a contribuir com o aquecimento global.
Nada ajuda
Vocês querem apostar quanto que amanhã, dia de sair de casa pra ir entregar a bichinha, vai tá um dilúvio daqueles que me fazem demorar três horas pra chegar na USP?
O fim (da qualificação) está próximo
Sim, poderá. Depois que lavar a assustadora montanha de louça que se acumula desenfreadamente sobre a pia (doutourandos deviam ganhar do governo uma máquina de lavar louças junto com a primeira bolsa), passar todas as roupas que só estão lavadas porque há uma máquina de lavar à disposição (tão vendo como é importante? na hora em que acabarem os pratos limpos eu vou ter que lavar, mas se o prédio pegar fogo e eu precisar sair correndo, pelo menos tem roupa limpa), revisar um artigo pro chefe, limpar a casa peloamordedeus, escrever dois abstracts pra congressos fodas no exterior, montar o handout da apresentação da semana que vem, correr com a papelada pro sanduíche, montar o poster da apresentação da outra semana, arrumar hospedagem em Brasília, comprar passagens pra Brasília (provavelmente com a grana da reserva porque não vai dar tempo de montar o trabalho e entregar no departamento a tempo), preparar outro poster de um trabalho mega-tramposo em co-autoria que nem começou a ser feito e será apresentado nacional e internacionalmente até o início de dezembro, entregar relatório FAPESP, isso tudo sem contar as tarefas básicas do tipo ler os textos pras aulas da pós e pras reuniões do grupo.
Claro, a blogueira também gostaria de sair com os amigos pelo menos uma noite, afinal faz meses que a turma não se junta. E também gostaria de ter um quality time com o Sr. Anônimo quando ele vier lá do reino de Tão, Tão Distante. E de comer e dormir em horários regulares e de forma decente. A blogueira sonha com um dezembro ensolarado numa ilha, com Natal e Ano-Novo como se deve... Mas sabe que em janeiro tem que entregar mais uma pilha de trabalho pro chefe.
E sabe que logo logo começa tudo de novo. Pra produzir a versão final da tese.
* suspiro *
Posso chorar agora?
sábado, 7 de novembro de 2009
Passado que condena
Semiótica das embalagens
(Tá, vou dar um minuto de pausa no post pra vocês darem aquelas risadinhas adolescentes, pensarem "hmmmm... ela tem ky..." e qualquer outra besteira sexual que vos ocorrer.)
Enfim, voltando à vaca fria. Tá escrito lá, não nessa ordem:
* não gorduroso: ok, importante, ninguém quer que a sua cama fique com aspecto de quem trepou com uma picanha gorda;
* transparente: importante também. se eu quiser trocar a cor do lençol eu mando no tintureiro;
* solúvel em água: epa... como assim? ele tem que não se dissolver na água, afinal, água resseca e, bem, vocês sabem;
*seguro e discreto: discreto? um tubo daquele tamanho não é discreto nem aqui nem na China! ou será que eles querem dizer que ele não sai contando pra todo mundo com quem é que a gente fez uso do produto?
Deu vontade de comprar o produto do concorrente da próxima vez, só pra ver o que é que vem escrito na embalagem.
sexta-feira, 6 de novembro de 2009
Da série: eu e as minhas filosofias
Atirar numa coisa e acertar em outra é um processo relativamente comum na vida dos seres humanos. Na academia, por exemplo. A gente pensa numa hipótese pra dar conta de um conjunto de dados e no fim das contas descobre que a nossa brilhante idéia provavelmente não dá conta dos dados que a gente queria tratar, mas funciona que é uma beleza pra explicar um outro conjunto de dados no qual a gente nem tava pensando.
Na balada também é comum acontecer esse tipo de situação (muitas vezes um tanto constrangedora, por sinal): tu fica a noite inteira tentando paquerar um único carinha (que normalmente nem se apercebe da tua existência), mas os duzentos outros caras posicionados mais ou menos no caminho do teu olhar acham que é com eles e vêm todos-todos achando que tão arrasando. Sim, é um saco.
Acontece que os seres humanos têm uma necessidade inerente de estarem sob os holofotes. O processo da balada é muito semelhante, guardadas as devidas proporções, à paranóia que muitas pessoas têm de acharem que o mundo todo tá falando mal delas. É o famoso falem mal mas falem de mim, que no fundo é fruto dessa muitas vezes inconsciente necessidade de atenção. Quem nunca vivenciou, ou pelo menos presenciou, uma troca de farpas via mensagem de status no msn, que atire a primeira pedra.
Eu não tenho a pretensão de entender os seres humanos; o máximo que eu faço é expressar certas impressões aqui no meu humilde bloguinho de oito seguidores. E mesmo assim já vi coisas darem mais pano pra manga do que eu poderia prever, justamente porque alguém se sentiu pessoalmente atacado por alguma coisa que eu escrevi – e devo dizer que na maioria avassaladora das vezes uma coisa não tinha nada a ver com a outra, o que, convenhamos, só comprova a minha teoria. Lógico que eu não sou uma santa e às vezes as coisas estão relacionadas sim, e quem lembra do meu primeiro blog sabe do que eu tou falando. Porque tem coisas que me incomodam e escrever sobre elas é o meu jeito de pôr pra fora. Mas o meu objetivo não é expor nem crucificar ninguém (exceto o sistema bancário nacional, é claro), até porque, vocês me conhecem, eu não sou de mandar dizer.
Enfim. Eu me assusto com reações exageradas: um cara que chega te beijando na balada porque tu tava olhando na direção em que ele por acaso estava parado, gente tirando satisfação por coisas que ouviu dizer por aí e nem sabe se é verdade ou não, gente que jura que não fez nada mesmo quando ninguém tá cobrando satisfação, gente se estressando com coisas que nem têm nada a ver com elas, pessoas que hoje te convidam pra ir pro Peru e amanhã te renegam mais do que Pedro renegou Jesus. Aliás, renegar demais, justificar demais e se doer demais, cá pra nós, é muito coisa de quem tem culpa no cartório. Ou será que eu tou vendo muito Lie to me?
Tou começando a suspeitar que o titio Freud tava certo e isso tudo, como de resto quase todos os problemas de (in)sanidade mental dos seres humanos, é fruto de recalque. E antes que qualquer um, leitor assíduo ou esporádico, conhecido ou desconhecido, venha protestar, já aviso que esse post certamente não tem nada a ver com nada que possa pular aí nas cabecinhas de vocês leitores. Mas se a carapuça servir, aí eu não posso fazer nada.
quinta-feira, 5 de novembro de 2009
A saga bancária
Desde as priscas eras eu era correntista do Banco do Brasil. Foram três anos de iniciação científica, dois de mestrado e quase um de doutorado recebendo meus dividendos neste dito banco. Mas aí veio a FAPESP e eu precisei virar correntista da Nossa Caixa. Tudo bem, munida de todos os três mil documentos necessários, lá fui eu. Após uma nada auspiciosa espera de três horas e meia, virei correntista da Nossa Caixa. E aí surgiu a dúvida: manter ou não manter a conta no BB?
Resposta: manter, é claro. Afinal, terminal de atendimento da Nossa Caixa fora do estado de São Paulo é mais raro do que qualquer coisa muito rara que eu agora não consigo lembrar de nenhum exemplo. Perdoem-me, sou doutoranda em fase de qualificação, meu cérebro não anda dos melhores. Fecha parênteses. Como doutoranda que vive viajando pra congressos pra cá e pra lá, muitas vezes para locais inóspitos e remotos (não, nem só de João Pessoa vive o doutorando em lingüística) em que, se tiver uma agência bancária, vai ser do BB, é no mínimo inteligente manter a tal conta. E, como filha de bancário de banco top referência mundial na área, pedi pra converter a minha conta corrente numa conta poupança, que não tem grandes taxas de manutenção e ainda rende uns troquinhos, ainda que mirrados.
Pois bem. Em novembro do ano passado, no dia em que caiu meu último débito em conta do mês, fui lá fazer o cambalacho. Tudo ótimo, o débito já foi debitado, seu saldo é de tantos reais, a senhora pode usar o mesmo cartão de agora, a conta poupança será ativada dentro de dois dias úteis, tudo lindo e perfumado. Até que, uns quinze dias depois, chega na minha casa um aviso de que eu não paguei as contas cujos débitos o funcionário me disse que tinham sido efetuados no dia em que eu fui abrir a poupança. Ok, pequeno percalço do sistema, paga os jurinhos e tudo certo. Certo?
Errado! Porque uns dez dias depois disso a coió aqui resolve sacar a grana que sobrou do salário do mês na Nossa Caixa e enfeitar sua reluzente poupancinha. Pergunta: conseguiu? Nãããão! As máquinas da sala de auto-atendimento se negaram a engolir o envelopinho com o dinheirinho suado desta que vos fala.
No dia seguinte, lá fui eu de novo pro atendimento do BB. Veja bem, senhora, às vezes o cartão atual não funciona, isso é normal (meu pensamento: ah é? então por que tu não me disse isso quando eu vim aqui da outra vez?), vou solicitar outro cartão pra senhora, dentro de dez dias deve estar disponível. Vai ser enviado pra minha casa? Sim senhora, será enviado diretamente para a sua residência. Ok, obrigada, tchau.
Passaram-se dez, quinze, vinte dias e cadê que o cartão chegou? Nisso já era quase Natal e lá fui eu de novo pro banco saber que diabos tava acontecendo. Ah, senhora, veja bem, o cartão de poupança não é enviado para a casa do correntista, ele vem diretamente para a agência. E o meu cartão está na agência? Só um momento que eu vou consultar. Quinze minutos depois, nada de cartão na agência. O problema, senhora, é que o seu cartão antigo ainda está ativado no sistema, então o sistema identifica que a senhora ainda tem um cartão (que o próprio sistema-pedro-bó não me deixa usar, percebam) e não é gerado um novo cartão. Eu vou cancelar o cartão atual da senhora (ah, o cartão expletivo?) e dentro de dez dias o novo cartão deve chegar pra senhora, eu mesmo vou telefonar pra senhora quando chegar. Estarei em férias, longe de São Paulo. Sem problemas, eu ligo mesmo assim e a senhora retira o cartão quando voltar.
Na terça-feira gorda eu voltei pra São Paulo sem ter recebido ligação nenhuma e com viagem marcada pra João Pessoa dali a sete dias. Comecei meu ano adivinhem onde? No atendimento do BB. Oi, eu queria saber se o meu cartão chegou. Identidade, por favor? Sim, pois não. Um momento. Dez minutos depois, volta a moça sem cartão nenhum na mão. Mas como assim? Veja bem, senhora, não sabemos o que aconteceu, provavelmente houve um erro no sistema, sugerimos que a senhora ligue para o atendimento BB para saber o que houve. Pois não, e o meu dinheiro enquanto isso fica refém de vocês? Não senhora, a senhora pode sacar a quantia que desejar diretamente no caixa (ah, na fila quilométrica?) mediante apresentação do documento de identidade. Fui lá, saquei o que eu julgava suficiente pra sobreviver por quinze dias no paradisíaco litoral nordestino e depositei na conta de uma colega. Liguei pro atendimento BB. Não consta nenhum problema no sistema, senhora. E então o que eu faço? Vamos solicitar novamente um cartão, a senhora pode estar retirando ele dentro de dez dias na sua agência. Ah, posso? Ah, tá.
Viajei, voltei, fui na agência, adivinhem? Nenhum cartão pra mim! Confesso que fiquei com muita vontade de quebrar a agência inteira em mil pedacinhos. Mas me contive, porque eu sou uma lady, saquei todo o meu dinheiro e mandei encerrar a porcaria da poupança. Afinal agora o BB tinha comprado a Nossa Caixa e já dava pra sacar nos terminais do BB. Problema resolvido.
Mas esperem! Eis que hoje eu fui bem faceira sacar o meu rico e suado dinheirinho pra depositar meu aluguel e o que acontece? O terminal me diz que vai gerar uma senha de sílabas como a do BB, como parte da migração de sistemas. Ok, até aí normal, apesar de que, como diz meu pai, ter cartão com chip e a senha aumentar de letras pra sílabas é algo muito, hã, lusitano. Mas tá, vamos lá gerar a senha de sílabas. Para isso, digite o código de segurança do seu cartão. Ah, tá, deixa eu ve... peraí, meu cartão não tem código de segurança! Pego um funcionário e pergunto o que eu devo fazer. É, aqui a senhora não tem como fazer nada. Como assim? É, o seu cartão não tem como gerar a senha. Ah, quer dizer então que eu nunca mais vou poder sacar dinheiro? Um momento que eu vou verificar se já chegou um cartão novo pra senhora.
(Parênteses: notaram alguma semelhança?)
Dou um prêmio pra quem adivinhar se o meu Ourocard Nossa Caixa já estava na agência. Solução: cancelar o meu cartão atual, me deixando dez dias sem débito (!!!) e tendo que sacar na boca do caixa enfrentando filas homéricas, e solicitar um novo, pra eu poder ter a maldita senha de sílabas que é desnecessária num cartão com chip quando o sistema é bem montado. Enfim. Posso jogar uma bomba nos bancos agora?
Ah, detalhe: depois desse forrobodó todo, eu fui no BB ver se conseguia sacar com o cartão da Nossa Caixa. Tentem adivinhar o que aconteceu!
Só pode
(Mais um) protesto
E tenho dito!