quarta-feira, 30 de julho de 2008

Revolta

Essa noite pularam a grade aqui do prédio, que não é baixa, arrombaram a porta do carro do meu pai e levaram o som. Um sonzinho mixa, mais velho que eu, nem toca mp3, malemá um cdzinho. Provavelmente cortaram o alarme, porque a gente não ouviu nada - e o meu quarto é praticamente em cima da garagem. É o segundo ato de violência e/ou roubo que eu presencio em menos de uma semana, fora os que aconteceram com conhecidos meus e eu só ouvi falar.

O cara que entrega água mineral pra gente chegou bem na hora que o meu pai descobriu o carro arrombado, e falou "ah, ainda se fosse na rua, tudo bem, porque se a gente deixa o carro na rua a gente sabe que tá sujeito, tá correndo risco. Mas dentro da garagem do prédio não tem cabimento." Errado, moço. Muito errado. Deixar o carro na rua não deveria representar um risco.
Caminhar de noite por aí não deveria representar um risco. Sacar dinheiro no caixa eletrônico depois das dez da noite não deveria representar um risco. Ir assistir o jogo do time do coração às 21:45; andar no centro; morar numa casa sem grades enormes na frente, nas laterais, nos fundos, cerca elétrica, arame farpado, alarmes, cachorros vorazes e vigia na porta; usar um anel de ouro na rua; nada disso deveria representar um risco. Mas representa, e a liberdade das pessoas vai cada vez mais se encolhendo e se moldando às circunstâncias. Ninguém para pra pensar não? Todo mundo se resigna a passear no shopping e deu pra bola? Lá em São Paulo já fizeram o Cidade Jardim, que eu chamo de "A Bolha". Me pergunto se quem mora lá algum dia leu A Caverna, do Saramago; porque os criadores do complexo devem ter lido, quem sabe até usado como fonte de inspiração - o que só comprovaria que a ignorância humana definitivamente não tem limites. Imagina aqui o que não hão de inventar? Só esse ano vão ser inaugurados nem lembro quantos shoppings, fora as ampliações dos já existentes. Por mais que eu goste de passear em shopping, pra pegar um cineminha e olhar vitrine, não é normal.

Me assusta a onda de violência e impunidade, mas me assusta ainda mais que as pessoas se deixem acostumar e passem a achar que é normal viver desse jeito, nesse clima de constante insegurança; ou achem que se enfiar numa bolha é solução, pior, a única solução possível. Porto Alegre tá a um passo de virar uma Gotham City. O problema, minha gente, é que na vida real não há ninguém disposto a ser um Batman.

terça-feira, 29 de julho de 2008

Movie days

Domingo: Tapete vermelho e Hairspray. Fantásticas atuações do Nachtergaele como um jeca à la Mazaroppi (que eu adoro, por sinal) e do Travolta como uma matrona gorda dos anos 60.

Segunda: Um lugar chamado Notting Hill, pela trilionésima vez. Não consigo não assistir quando vejo que tá passando. Lindo, lindo, fofo, e com cenas absolutamente impagáveis, como todo bom filme do Hugh Grant.

Hoje: Arquivo X: eu quero acreditar e Batman: The Dark Knight no cinema. O primeiro deu uma saudade tão grande da série que eu comecei a baixação de episódios assim que cheguei em casa. Palmas pro Duchovny, sempre lindo de morrer. Lu, já sabe né? Sem comentários quanto ao Batman... Apesar de todo o furdunço dos adolescentes que não sabem calar a boca no cinema (palmas pro pai gritando "vão calar a boca aí, seus filha das putas!" no meio do filme, e sendo seguido por vários outros plateiantes descontentes), taquiopariu que filme bom! Bah, sem comentários mesmo, amei e quero ver muitas vezes mais. Sem contar o Christian Bale, é claro (Lu, já sabe, né?). De noite, ainda vi A última legião e Encantada. Bonzinhos, mas nada de mais. Pontos pro Colin Firth e pro Patrick Dempsey, lindos como sempre. Lu... ah, nem preciso falar nada, né?

domingo, 27 de julho de 2008

Um post do tamanho da chuva

Após dois dias de atenções dominadíssimas pela Isabella, eis que a vida volta ao normal. A constatação, de novo, é que eu evidentemente não vou ter tempo de fazer tudo o que eu queria antes de ir embora, nem antes de as férias acabarem. Até olhei pra trocar a passagem, mas não dá - ou melhor, dá, mediante o pagamento de uma nada módica quantia em reais. Forget it, tou pobre, no way. Aliás, a minha bolsa é uma das coisas que eu preciso resolver em Sampa assim que eu chegar, fora todas as tarefas domésticas pendentes e organizações pré-início-de-semestre. Ou seja, ficar aqui não ia resolver muito.

Evidentemente, não trabalhei quase nada nas férias. O que significa trabalhar em triplo na primeira semana de aulas. Ainda tenho que dar jeito no computador que vai ficar com o pai e a mãe, e isso vai me tomar um certo tempo. Fora as derradeiras visitas, a superterça cinematográfica que aparentemente vai rolar com o pai y otras cositas más (nunca sei se é com acento...), tipo arrumar minhas trouxas para partir na quinta de manhã. Enfim, no final de outubro voltarei e quero tentar ficar uns dez ou quinze dias pra ver todo o mundo e pra curtir o aniver de um aninho da Isabella.

Mudando loucamente de assunto, hoje choveu o dia inteirinho. Ou melhor, caiu um dilúvio de proporções bíblicas. Nada contra uma boa chuva no domingão pra atiçar a preguiça, mas hoje eu queria ir pro Olímpico Monumental torcer pelo meu time, líder do campeonato brasileiro, contra o Parmera maledetto do Luxa-manicure, e ainda por cima a gente tinha almoço do Circolo Trentino, não dava pra não ir. E aquela chuva que começou bem na hora de a gente sair de casa, às onze da manhã, e não parou até agora.

O jogo, claro, foi pras cucuias porque com aquela chuva não tinha como. Mas pro almoço a gente foi, apesar de eu estar morrendo de preguiça de me mexer de dentro de casa. Abre parênteses cultural. O Circolo Trentino é uma associação de descendentes de imigrantes trentinos. Os trentinos são as pessoas que nascem no Trento, uma região do norte da Itália, na divisa com a Áustria (na verdade, já pertenceu à Áustria, e a isso eu credito a minha personalidade quando tou de mau humor). E eu e a minha mãe estamos com processo de descendência pela parte dos Manica, da minha avó, cuja família veio do Trento pro Brasil há muitos e muitos anos. O resto todo da minha família, seja por parte de pai ou de mãe, também veio ou do Trento ou do Veneto, que é ali pertinho. Fecha parênteses cultural. E hoje tinha esse almoço porque tá aí uma comitiva de Trento, incluindo autoridades e um grupo musical que se apresentou antes do almoço e promoveu uma cantoria fenomenal depois dele e de muitas taças de vinho.

Pra começar, uma missinha bilíngue básica. Abre novo parênteses cultural. A igreja da Pompéia aqui de Porto Alegre é uma igreja de imigrantes de todos os lugares do mundo. Os padres são missionários e os frequentadores são em sua maioria pessoas que migraram de outros lugares do mundo pra cá. Por isso tem missas bilíngues, em várias outras línguas além do italiano. Fecha novo parênteses cultural. A missa foi legal, apesar do frio horroroso que tava fazendo dentro da igreja. Depois foi todo mundo pro salão paroquial pra almoçar e confraternizar. Eu gosto muito de frequentar os eventos do Circolo porque é tudo muito simples. Não conheço quase ninguém dos sócios, mas o atual presidente foi meu professor de italiano na UFRGS, e eu ajudei, a convite dele, antes ainda de descobrir minha origem trentina, a dar o pontapé inicial no curso de italiano que é oferecido lá. E por isso eu conheço i capi e todo mundo me paparica e pergunta quando eu volto pra assumir as turmas. Pra variar, o Pedro (o meu professor) me incumbiu de ser a fotógrafa oficial do evento. O grupo musical é fantástico, é música folclórica com roupagem atual, show de bola (bom, pelo menos pra mim, que adoro música folclórica italiana e sabia cantar todas hoje). E tinha um gatinho que tocava instrumentos de sopro e trocou olhares comigo, mas os meus pais me arrastaram pra casa quando a festa tava ficando etilicamente boa, antes que eu pudesse tomar a nonagésima taça de vinho e me apresentar pra ele cantando a Verginella. Abre mais um parênteses (duvidosamente) cultural. A Verginella é uma música folclórica italiana que nós, descendentes de imigrantes, cantamos quando estamos bêbados. Pra dizer que alguém tá muito bêbado, tchucão mesmo, gente diz "Fulano daqui a pouco começa a cantar a Verginella". Hoje descobrimos que isso vale também no Trento. Fecha mais um parênteses (duvidosamente) cultural.

Mesmo assim ganhei o dia. Explico: a mesa da comitiva trentina era atrás da mesa em que a gente tava. E lá pelas tantas um dos tiozinhos da comitiva inventou de falar com a mãe, enquanto eu fotografava os músicos tocando. O pai só me cutucou e disse "vai lá socorrer a mãe". Porque ela entende tudo, e até fala, mas falta fluência. Não deu 30 segundos e ela me chamou. Comecei a conversar com o cara e bah, meu italiano destravou na hora! O tal cara é formado em Letras, estudou na Toscana e dá aula em Roma. E a cidade italiana preferida dele é Siena, quando contei que morei lá o cara quase teve um troço. E lá pelas tantas no papo me disse: "Complimenti, il suo italiano è perfetto, ha un'accento bellissimo! Non solo sei bella, ma sei anche brava!" Depois dessa, francamente, me digam se não é pra eu ficar me achando pro resto da vida?

sexta-feira, 25 de julho de 2008

Bah!

Ter um bebê por perto é, disparado, uma das melhores coisas do mundo.

De quando a superioridade é mais que evidente

A seleção masculina de vôlei é tão superior às demais que, por mais que a seleção do Japão se esforce, parece que a nossa seleção tá jogando contra o time da letras de 2004.

quinta-feira, 24 de julho de 2008

Observações sobre o universo masculino

1) 90% dos homens mais lindos de Porto Alegre portam uma aliança de alguma cor em alguma das mãos.

2) O cara pode ser lindo o quanto for. Mas cabelinho de Bob da Silva Sauro não dá pra agüentar!

3) A sem-noçãozice é diretamente proporcional à baranguice.

4) Os aliançados são os mais saidinhos - será que é só comigo?

5) "Macho" e "emo" são itens lexicais incompatíveis (talvez "ser humano" e "emo" sejam itens lexicais incompatíveis).


To be continued...

Das coisas que só acontecem em Porto Alegre

O dia feliz que ia rolar ontem acabou sendo dividido em dois: dois terços terça e um terço ontem mesmo, como planejado. Terça foi um dia tri movimentado! Fui pro centro ao meio-dia almoçar com o pai, mandei fazer as lentes dos meus óculos, fui no médico, depois fui pra casa do Diego tomar meio litro de whisky, ouvir jazz, Tom Waits e tangos rasgados, filosofar e compartilhar com ele as agruras da vida. Entre uma atividade e outra, fui atropelada por partidários da (argh!) Maria do Rosário e da (aaaaargh!) Manuela na esquina democrática. Entrei numa farmácia e tomei uma cantada de um velhinho que tinha, por baixo, uns 90 anos. Dei tanta risada que vocês nem podem imaginar. Quase virei pro velho e falei "vambora, vô" pra ver o que ele fazia. Genial.

Depois do Diego, peguei uma carona com o pai, que trabalha do lado da casa do Diego, e fui jantar na Rejane, com o (outro) Diego e o Tigrão. Sopão, champagne, vinho e Uno até as três da manhã. Needless to mention o tamanho da ressaca que me afligiu na manhã seguinte depois de todo esse álcool, mas tudo bem. Ontem fui de novo pro centro, coisa que eu simplesmente odeio, mas tinha que buscar os óculos, levar pro doutor conferir, e depois tinha happy hour com Tigrão, Pablo e Dani na Casa de Cultura. Um frio de rachar o pala naquele centro e eu liberada quase uma hora antes da hora de encontrar o povo, acabei indo encontrar o Tigrão na casa de um amigo dele na Salgado. Músico, o amigo, e super gente boa. Um piano na casa, quase enlouqueci. Deu uma saudade tão grande que hoje de meio-dia reativei o meu por breves instantes, até lembrar como eu tou destreinada e ficar frustrada pela milionésima vez desde 1999. O happy hour foi tri legal, o Pablo disse que vai pra Curitiba pro workshop, fiquei feliz. Na volta, uma pernada pelo centro à noite, coisa impensável pra mim antigamente, e não teve nada além das indefectíveis bancas de fruta cheias de "pokan bem doce", "umbigo bem doce", "verga" e coisas afins. As bancas de fruta do centro são dessas coisas que me deixam meio nostálgica, bons tempos em que a gente ia passear no centro. Incrivelmente, nada aconteceu na caminhada. Aliás, essas idas ao centro essa semana me deixaram positivamente impressionada, fiquei pensando como Porto Alegre parece que tá melhorando um pouco, o centro tá mais humano, bom sinal.

Mas aí hoje, saindo do Shopping Total com a mãe às seis da tarde, eis que me vejo envolvida num assalto. Dois molequinhos de no máximo dez anos rondando a saída do shopping, falei pra mãe dar uma acelerada, eles vieram atrás e abordaram uma guria que tava caminhando do nosso lado. Com uma faquinha de cozinha, ameaçaram a guria na maior cara de pau, cheio de gente em volta: "cala a boca e passa a bolsa senão eu te mato". A mãe segurou a mão da guria e a bolsa dela e disse "não dá nada não, vem, vamos embora". Os guris continuaram em volta, nós cheias de sacolas de super, a guria apavorada (e eu também, claro), acabou dando pros piás o dinheiro que tinha na mão, que ela ia usar pra pagar a passagem pra voltar pra casa, acho que ela é funcionária do shopping. E eles insistindo em pegar a bolsa, a mãe gritou "socorro" e empurrou um dos guris, eu gritei "ó o assalto", eles saíram correndo. A guria chorando muito, uma mulher parou o carro pra ver se tava tudo bem, um senhor parou e perguntou o que tinha acontecido, a guria falou que só tinha aquele dinheiro pra ir embora, o cara puxou dez pila e deu pra ela "pegaí, pelo amor de Deus, não vai me fazer falta, moça, vai pra casa".
Tem gente legal no mundo. Nós caminhamos com ela até a Farrapos pra ela pegar a lotação e a gente pegar o ônibus. Eu tava tão perplexa que não conseguia falar nada, só passei o braço pelas costas da guria e caminhei com ela. E a imagem legal dessa cidade, que eu tava começando a reconstruir, foi pro espaço com tanta facilidade que eu chego a não acreditar.

Agora pensem: quando eu me mudei pra São Paulo, a preocupação de todo mundo era a violência. Tou lá há mais de um ano e nunca vi nada nem parecido, nunca presenciei uma cena de violência, nem um assalto, nada. Não que não tenha, mas em geral é bem mais localizado, são zonas da cidade que são perigosas. Claro, teve o roubo do carro da Aline na frente da casa dela e a tentativa de assalto à Kate Lucia, que como boa carioca não se mixou e saltou fora rapidinho. Agora aqui parece que o perigo é generalizado, não tem dia nem hora nem lugar. Em nem três semanas que eu tou aqui já presenciei (e estive envolvida, inclusive) uma cena dessas, e essa tá longe de ser a primeira vez. Sem contar que no parapeito da sacada aqui de casa tem uma marca de bala que graças a Deus a gente não sabe de onde saiu e quase todo mundo que eu conheço já foi assaltado ou quase, myself included. E é tão comum que ninguém nem mais se abala, é normal, no ônibus mesmo tinha uma mulher comentando sobre como tá perigoso ultimamente, "fulaninho que trabalha de noite tá apavorado, a coisa não tá fácil".

Não tá fácil mesmo, gente amiga, como dizia o Zambiasi antes de virar político. O que me lembra que é ano de eleição e as figuraças aspirantes a vereador tão começando a pintar na área, hoje na Obirici tinha um bonecão bizarro fazendo campanha pro Zacher, o Brasinha já tá com o caminhão bombando pra cá e pra lá convocando gremistas e colorados (jura!), e aquele bagaceiro do Mano Changes é candidato a vice-prefeito desta cidade. Uma cidade que cogita um vice desses não pode dar certo nunca, mesmo. Pior que isso só a violência e o governo federal teimando que não tem inflação.

De bom mesmo, só o meu tricolor rasgando a touca e metendo sete a um no Figueirense em pleno Estreito, e de lambuja assumindo a liderança do Brasileirão. Mas o goleador, believe it or not, é colombiano.

terça-feira, 22 de julho de 2008

Das coisas estranhas da vida e de como elas se atraem

Nada de muito normal poderia acontecer depois de um sonho como o dessa noite. Uma conversa muito estranha, ou pelo menos um pouco estranha considerando as circunstâncias. Curiosidade matou o gato, e como eu não sou gato nem quero morrer, deixa estar, jacaré. Ao menos por enquanto. Uma notícia acerca de um ex, obtida de um jeito bizarro, mas esperada. Orkut fora do ar a noite toda. Combinações insanas pra um dia feliz na quarta-feira, começando com whisky & jazz & tango in the afternoon com um amigo, seguido de happy hour com o mesmo amigo mais dois casais de amigos, seguido de janta com vinho e uno na casa de outro casal de amigos. Sessão nostalgia assistindo esquetes do Viva o Gordo no youtube. E pra encerrar com chave de ouro, meu pai traz pra casa um dvd muito maravilhoso com a carreira toda do McCartney. Lindo, mas deu vontade de cortar os pulsos quando ele colocou o dvd pra rodar e a primeira coisa que eu ouvi foi Calico Skies. E daí pra frente, só lembranças e mais lembranças do que foi e não é mais.

Expectativas, muitas expectativas pra volta a Sampa e pro que virá logo em seguida. Montevideu guarda alguma surpresa, tenho certeza; a ver se boa ou ruim. O que vem depois, nem quero comentar por enquanto. Palpites eu sempre tenho, mas melhor deixar quieto senão estraga.

domingo, 20 de julho de 2008

Back to Happy Harbor

Ir pra Marau é sempre uma experiência interessante, mas essa vez foi tri especial. Vi todos os meus tios, que eu tinha visto em dezembro de 2006, primeiro num casamento e uns dias depois num velório. Visitamos todos, ainda que tenha sido rapidinho, mas foi tri bom. Cada vez mais fica claro pra mim como o tempo passa rápido, vejo pelas crianças que tão lá enormes. Mas dessa vez vi também nos tios, percebi que eles tão velhos, envelhecendo, ou, como bem diz a minha mãe, "entrando na linha de frente". Detesto ter ficado tanto tempo sem visitar eles, até vou pra Marau com uma certa freqüência, mas a gente fica sempre nos irmãos do pai e quase nunca vamos visitar os irmãos da mãe. Dessa vez vi todos os tios e de lambuja uma prima que eu não via há muitos e muitos anos, desde que a vó morreu, eu acho (e lá se vão 14 anos). Vi os sobrinhos dela, filhos da minha prima que eu não conheço, por foto, e um deles, que eu vi pequenininho, já tem até carteira de motorista, meu deus, tô velha!

Teve umas coisas muito inusitadas, como encontrar meu primo que mora em São Paulo. Nada de mais, não fosse o fato de que lá em São Paulo a gente nunca conseguiu se encontrar desde que eu me mudei. É uma vergonha e a gente merecia apanhar muito, porque além de tudo a gente simplesmente se adora. Mas pelo menos nos vimos e agora decerto que a gente cria vergonha na cara e se vê por lá também.

De resto, as crianças tão cada vez maiores e mais sarninhas, minha tia fez plástica e lipo e colocou silicone e tá com tudo em cima, o Pedrinho não é mais um nenezinho, a Isabella tá uma fofa, mas tá geniosa também (como toda a família, diga-se de passagem), eu levei um tombaço na escadinha da cozinha na casa da Lu e machuquei os dois cotovelos, comi muito churrasco (até de granito!), bebi muito vinho e uísque, joguei baralho e apesar de ser craque e de estar jogando com uma criança destreinada perdi mais do que ganhei (não tava pro jogo, vai ver tou pro amor, que esperança!), tomei sorvete, cortei e pintei loucamente o cabelo, ganhei presente, ganhei muito chamego do Pedrinho, a Dercy morreu, meu time ganhou, o Flamengo perdeu, o Inter empatou... e eu esqueci da vida por muitos dias, e não pensei no que podia estar acontecendo uns quilômetros mais pra cima no mapa. E foi a melhor coisa que podia ter acontecido essa semana.

terça-feira, 15 de julho de 2008

Back on the road

Indo pra Marau e arredores amanhã de manhã. Vou ver toooooodo o mundo, ou perto disso. Tou louca pra apertar muito as crianças!

Domingo eu volto, provavelmente cheia de novidades e mais cheia ainda de coisas pra fazer na minha última semaninha-or-so de férias.

segunda-feira, 14 de julho de 2008

Parênteses pros leitores não-portoalegrenses que não sabem o que é a Balonê

A Balonê é uma festa temática very 80's que acontece periodicamente na cidade e é muito comentada e badalada. Na verdade eu nunca fui em uma, porque nunca dei sorte de ter um show que eu quisesse ver, ou de a festa rolar quando eu tou por aqui. O ingresso é carinho, tipo uns 40 pilas, mas a festa é sob medida pra alguém so very 80's como eu. Oh, well...

Ufa!

Que alívio! Acho que agora finalmente vou poder relaxar e desencanar.

Mas como nem tudo são flores, voltando pra casa hoje de manhã, vi anúncios por aí de que a próxima Balonê vai ter Léo Jaime e Kid Vinil, dois dos meus maiores ídolos oitentistas. Quase morri de emoção! Cheguei em casa, entrei correndo no site e aí quase morri de tristeza: vai ser sábado! Perfeito, se eu não estivesse indo pra Marau na quarta de manhã pra só voltar no domingo.

Bolas! Se eu não estivesse tão aliviada hoje, ia amaldiçoar o universo por me odiar tanto assim. Mas como o universo hoje provou que me ama, nem reclamar eu posso; ao menos por uns dias...

domingo, 13 de julho de 2008

Metapost

Fiquei decepcionada com o meu post sobre o meu primeiro ano de paulistanidade. Podia ter sido bem melhor, tinha várias coisas pra escrever... Acho que eu tinha que estar em São Paulo pra falar sobre isso dignamente. Por outro lado, como quase todo esse blog retrata a minha vida em Sampa, acho que vocês conseguem saber como é a minha vida de paulistanidade. Se me der na telha volto a escrever sobre o assunto. Mas acho pouco provável eu querer ficar falando do que já passou com tudo o que tá vindo e se anunciando por aí. Pros curiosos, só digo que 2004/2 tá voltando cada vez mais! E tá vindo de todos os lados, inclusive os menos imagináveis! Os anos ímpares sempre foram os melhores, especialmente os de final 7. Mas parece que os anos pares bissextos têm alguma coisa pra mim também, after all...

Impressões

Reencontrar old flames é sempre bom. Mas perigoso.
Especialmente se a atual do old flame tá por perto watching every move e cada olhar. Ai, ai...

sexta-feira, 11 de julho de 2008

iPhone no Brasil a partir de hoje

Eu quero!!

Um ano de paulistanidade

Hoje faz um ano que eu me mudei pra Sampa. Fui reler os posts daquela época, pra lembrar como eu tava me sentindo. Incrível quanta coisa aconteceu de lá pra cá, incrível como as coisas mudam, mudam, mudam mas acabam meio que no mesmo lugar. Será que sou eu que faço as coisas acabarem sempre no mesmo lugar? Ou é algo inescapável da vida? Tem horas que eu acredito em destino, tem horas que acredito em escolhas, tem horas que não acredito em nada.

Hoje eu acredito que preciso aprender algumas coisas. E acho que as coisas que têm me acontecido são pra me ensinar. Na verdade tem horas que me dá uma pressa de resolver as coisas, de ter as coisas, uma pressa que eu sei que não só não se aplica, como também não adianta nada. As coisas fall into place quando tá na hora, não quando a gente quer. Paciência é uma virtude que eu preciso desenvolver ainda. E apesar de as apostas que eu faço estarem invariavelmente corretas (porque eu não me engano quase nunca, vocês sabem), tem coisas que não dependem de mim. E tem coisas que, apesar de meant to be e pra dar certo, vêm é pra ensinar. A merda é quando a gente cansa de tanta coisa pra ensinar e tão pouca pra dar certo... Paciência, paciência...

Mas é como diz o meu grande amigo Jagger: "You can't always get what you want, but if you try sometimes you just might find you get what you need"...

Filosofia gratuita

Melancólica, pensativa e filosófica. Semi-insatisfeita.
2004/2 = 9, 1 não admitia.
2008/2 = 9, e o resto nem vou comentar.
Cansada. Bem cansada. Bem querendo coisas diferentes.
E a vida se repete e repete e repete.
E as músicas são redescobertas e como se encaixam! Odeio quando cantam a minha vida por aí. Nada específico, só as situações que são no fundo sempre a mesma, over and over again...

So many questions
I need an answer
Two years later you're still on my mind
What even happened to Amelie Earhart?
Who holds the stars up in the sky?
Is true love just once in a lifetime?
Did the captain of the Titanic cry?

Someday we'll know
If love can move a mountain
Someday we'll know
Why the sky is blue
Someday we'll know
Why I wasn't meant for you

Does anybody know the way to Atlantis
Or what the wind says when she cries
I'm speeding by the place that I met you
For the 97th time..... tonight

Someday we'll know
Why Samson loved Delilah
One day I'll go
Dancing on the moon
Someday you'll know
That I was the one for you

I bought a ticket to the end of the rainbow
I watched the stars crash in the sea
If I could ask God just one question
Why aren't you here with me... tonight


Assistir estrelas... Tão bom! E aqui tão nublado...
Odeio me arrepender de não fazer as coisas, mas o que seria "não fazer nada" nesse momento? Não sei. Não sei se reagir é fazer alguma coisa, ou se não reagir e aceitar o fado é que é fazer alguma coisa, é ser diferente. Queria era parar de pensar! Onde é o botão pra desligar a cabeça que maquina sem parar?

Tem momentos que parece que nada conspira a favor. Nem eu mesma.

quinta-feira, 10 de julho de 2008

O hoje de hoje

De volta ao Diane a partir de hoje.
Mais exames pra fazer.
Visita de madrinha. Bom, muito bom.
Algumas certezas, algumas dúvidas...
Nada fora do normal.

Não consigo decidir

Será que tem muita coisa acontecendo ou nada tá acontecendo?
Gente, preciso colocar a cabeça no lugar e o pezinho véio no chão!

quarta-feira, 9 de julho de 2008

Coisas a fazer até dia 31

* Mais alguns médicos e exames;
* Churrasco com a galera no sábado, com UNO e Imagem & Ação;
* Beber uísque com o Diego ouvindo jazz e tango e rindo das desgraças;
* Encontrar o Tigrão a sós pra falar sério sobre a vida;
* Encontrar o Diego com a consorte dele;
* Fazer alguma coisa com o Pablo;
* Fazer alguma coisa com a Amanda;
* Ver minha madrinha, provavelmente mais de uma vez;
* Ver minha tia, idem;
* Passar uns dias em Marau visitando toda a famiglia;
* Configurar o pc pros velhos;
* Assistir pelo menos um jogo no Olímpico Monumental;
* Ir no cinema ver Agente 86, Batman, Kung Fu Panda e Hancock (necessariamente nessa ordem de prioridade);
* Cortar e pintar o cabelo (urgente!);
* Resolver os pepinos do meu diploma de mestrado (duvido);
* Fazer coisas acadêmicas (ler, escrever, etc).

Deve ter mais coisas. Mas essa pequena lista já me dá a sensação de que não vou chegar nem perto de fazer isso tudo...

Sem aparelho...

...mas .25 mais cega e com blefarite no olho direito. O que será que me dirá a médica de amanhã?

A propósito: já vi quase todos os meus médicos, e quase nenhum dos meus amigos. Sinal de velhice?

Coisas semivelhas que voltam a fazer sentido de repente

She said I don't know if I've ever been good enough
I'm a little bit rusty, and I think my head is caving in
And I don't know if I've ever been really loved
By hand that's touched me, and I feel like something's gonna give
And I'm a little bit angry, well

This ain't over, no not here, not while I still need you around
You don't owe me, we might change
Yeah we just might feel good

I wanna push you around, well I will, well I will
I wanna push you down, well I will, well I will
I wanna take you for granted, I wanna take you for granted, yeah I will

She said I don't know why you ever would lie to me
Like I'm a little untrusting when I think that the truth is gonna hurt ya
And I don't know why you couldn't just stay with me
You couldn't stand to be near me
When my face don't seem to want to shine
'Cuz it's a little bit dirty well

Don't just stand there, say nice things to me
‘Cause I've been cheated I've been wronged,
And you don't know me, I can't change
I won't do anything at all

I wanna push you around, well I will, well I will
I wanna push you down, well I will, well I will
I wanna take you for granted, I wanna take you for granted, yeah I will

Oh but don't bowl me over
Just wait a minute well it kinda fell apart, things get so crazy, crazy
Don't rush this baby, don't rush this baby, baby

segunda-feira, 7 de julho de 2008

Livre!!!

Tirei o aparelho! Tirei o aparelho! Tirei o apareeeeeeeelho!!!! \o/

domingo, 6 de julho de 2008

Final destination

E já estou em Porto Alegre! Fico aqui até dia 31. Vai ser bom pra pensar na vida, fazer um balanço do primeiro semestre, get it together pra trabalhar ferrenhamente no segundo. Quem quiser me ver que se manifeste!

A volta pra casa

Acabei de chegar. Viagem longa, cansativa, ônibus ruim, muito frio. Mas uma noite linda, cheia de estrelas e lua e meu deus o Araguaia ao anoitecer é lindo e até uma estrela cadente eu vi, a primeira da minha vida. Sempre sonhei ver uma e fazer um pedido, mas eu tava tão leve e plena e feliz quando ela chegou que nem me ocorreu nada pra pedir.

Como eu previa, tenho muita coisa pra contar. Podia escrever um tratado, uma tese, um romance. Mas dessa vez, contrariando todas as expectativas, eu prefiro guardar pra mim a noite memorável, as histórias, as conversas, as decisões, as opiniões, os palpites pro futuro... Claro que eu sempre tenho apostas, e é difícil eu errar, vocês sabem disso. Mas eu não sinto a mínima vontade de escrever a respeito. Os interessados sabem o que eu penso, e isso basta. After all, como diz uma música que já figurou nesse blog (e lá se vai quase um ano!), "are we learning all the way or is it all just wasted time? Someday maybe we will find our way..."

sábado, 5 de julho de 2008

Preparação psicológica

Dentro de quatro horas e meia, lá vou eu encarar mais quinzinhas horas de bus pra Sampa. Goiânia foi bom, muito bom, apesar do provincianismo de "tudo fecha à meia-noite". Como sempre, eu me preparo pra umas coisas e acontecem outras totalmente diferentes, mas não por isso menos interessantes. Mas mesmo assim alguns padrões se repetem, over and over again. O que também não deixa de ser interessante. Alguém vai levar muita flauta nos próximos dias... hehehehe.

sexta-feira, 4 de julho de 2008

GT sem emoção não há!

Hoje o dia começou muito interessante. E há um sério risco de ser melhor ainda até o final da noite...

Lição pra vida

Ontem, na mesa de indígenas, a Filomena apresentou a seguinte informação sobre o Kadiwéu:

Tem o jeito normal de dizer "eu te amo" na língua, é claro. Mas dizer "eu te amo" usando uma estrutura de antipassiva significa dizer "eu te amo à distância, sem te ver, mas mesmo assim eu morro de paixão".


O máximo do amor platônico! Não dá pra querer menos que isso nessa vida. Decidi: quero um amor kadiwéu!

quarta-feira, 2 de julho de 2008

Aventuras de viagem

Daí a pessoa tá viajando há umas três mil horas num ônibus que sacode muito (apesar de ser megaconfortável). A pessoa não consegue dormir, talvez overwhelmed por tanto conforto. Às três e meia da manhã o ônibus pára numa lancheria de beira de estrada em algum recanto de Minas. E o que tem em todas as paredes do restaurante? Pôsteres do Grêmio campeão do mundo, pôsteres do Grêmio campeão da América (dos dois anos), pôsteres do Grêmio campeão de tudo quanto é coisa.

Não dá pra não ficar feliz!