Uma pessoa sem nada pra fazer, ou melhor, cheia de coisa pra fazer e sem nenhuma vontade de fazer nada, chega a cúmulos do tipo vasculhar a comunidade do seu antigo colégio em busca de figuras conhecidas de muito tempo atrás. Não exatamente pra adicionar, mas pra ver como vão as pessoas. Ok, pra bisbilhotar mesmo, tá, eu admito.
Claro, pra uma acadêmica como eu, quase nada pode ser feito sem um mínimo de cientificidade, então após algumas horas de pesquisa, tou pronta pra escrever um tratado. Algumas constatações:
* As gurias supostamente mais gostosas estão, na maioria, umas barangas solteiras;
(observação: eu obviamente não me enquadrava nessa categoria)
* As gurias supostamente mais gostosas que não estão umas barangas continuam com uma boa aparência, mas têm do seu lado caras feinhos, gordinhos, sem nada de mais;
(observação: nada contra caras gordinhos ou feinhos; o que me choca é como o padrão delas caiu ao longo do tempo)
*A maioria das gurias que não tinham nada de mais naquela época estão muito bonitas e com vidas aparentemente interessantes;
(observação: espero me enquadrar nessa categoria)
* A maioria dos caras que eram lindos continuam do mesmo jeito, ou melhoraram;
(observação: meu Deus, eu tenho bom gosto!)
* Alguns caras que não eram lindos passaram a ser lindos (hehehehehe);
* Todas as pessoas que eu julgava babacas e sem futuro continuam exatamente do mesmo jeito; todas as gurias que eram, na minha modesta opinião, umas vagabundas, também continuam do mesmo jeito.
Pra quem não sabe, eu tenho um certo trauma do colégio. Na verdade não é exatamente um trauma, até fui feliz nos meus 12 anos estudando lá. Só que eu não me encaixava no padrão "um bando de pseudo-riquinhos cabeça-oca vivendo de aparências". Traduzindo: eu não era gostosa, nem tinha grana, nem era chegada em transgressões (e continuo igual). E como eu sempre fui uma pessoa inteligente, eu era a cdf. Mas como eu era uma das poucas gurias divertidas e sem frescura, eu era amiga dos caras com quem as gostosinhas queriam ficar. Traduzindo de novo: eu tinha amigos, mas a minha vida amorosa era abaixo de zero.
Tou ouvindo os caros leitores dizendo "recalque". Não é. Eu era completamente insegura naquela época, em relação a tudo, e credito muito da minha insegurança à atmosfera do colégio. Eu morria de medo de ir pra faculdade, porque achava que a sensação de not belonging ia ser ainda maior. Mas, pra surpresa geral, já na minha primeira hora de faculdade eu conheci as pessoas que são algumas das minhas melhores amigas até hoje, e nunca deixarão de ser. Claro, ao longo da vida fui conquistando outros grandes amigos, e eu tenho sorte com os meus amigos (à exceção de um ou dois, que serviram pra me fazer abrir o olho um pouquinho), mas vejam que da época de colégio tem algumas poucas pessoas com quem tenho um mínimo de contato, e de quem sinto falta. Pessoas que me ajudaram a sobreviver em momentos difíceis, inclusive; mas não são pessoas presentes na minha vida, e acho que nunca vão ser. E sinceramente, apesar das saudades, não é que eu sinta falta. Já a faculdade foi, desde o primeiro instante, um lugar onde eu me encaixei perfeitamente, onde eu finalmente podia ser eu mesma, fazer piadas de duplo sentido, ser irônica, usar um vocabulário mais elaborado, detestar música fuleira, sem parecer pedante ou cdf. A faculdade foi uma libertação.
Claro, eu sinto falta de algumas coisas da minha infância/adolescência: pessoas, situações, lugares... O próprio colégio, é engraçado que até hoje, sempre que eu sonho que estou na faculdade (seja UFRGS, UFSC ou USP), o prédio do meu sonho é o prédio do colégio. Então é claro que eu sinto saudades. Mas não sou nada nostálgica. Minha infância foi legal, a adolescência também; mas sempre acho que estou na minha melhor fase e que o melhor está por vir. Incorrigivelmente otimista, eu. Graças a Deus.