terça-feira, 31 de julho de 2007

Enxaqueca

É, tava demorando. Duas semanas de rotina desregrada e nenhum sinal de enxaqueca, tinha alguma coisa errada. Mas hoje ela apareceu. Claro que eu ajudei, dormindo até quase meio-dia. Mas entendam, eu tava cansada, e de hoje em diante vou ter que cair na cama cedo sempre, as férias tão acabando. Minhas primeiras férias em 3 anos!

Fora a enxaqueca, não aconteceu nada de mais. Claro, exatamente por causa da enxaqueca, toda a minha programação pra hoje foi pro espaço: cabeleireiro, supermercado, tudo dançou. Fiquei deitada o dia todo no sofá assistindo tv. Só levantei pra atender o telefone (sim, meu telefone tocou pela primeira vez!) e pra jantar.

E sabem de uma coisa? Tou louca pra que as coisas comecem logo de uma vez!

segunda-feira, 30 de julho de 2007

De volta!

Após dias e dias de espera, finalmente habemus internet: banda larga virtua com dois mega flash. Finalmente vou poder atualizar o blog diariamente, responder aos meus e-mails decentemente, essas coisas. Skavurska!! Hehehe...

Buenas, minha mãe ficou uns dez dias aqui, meu pai também veio, em suma, o cafofo lotou. Foi bem legal, mas quase morremos de frio, porque é claro que atrás de mim sempre vem frio, chuva e um desastre de proporções incomensuráveis. Vocês não sabem? Quando eu me mudei pra Floripa, em agosto de 2005, choveu duas semanas sem parar, fez um frio nunca dantes visto na ilha e pegou fogo no mercado municipal. Alguma semelhança com a minha vinda pra São Paulo?

Ah, não é o suficiente pra vocês? Pois bem: na minha segunda semana em Floripa a minha tv pifou. Simplesmente parou de funcionar. O que aconteceu na minha segunda semana em São Paulo? Adivinhem? Pois é. Os caras instalaram a net na sexta e no sábado a tv pifou. Pifou pifadinha, a tv que eu comprei em Floripa. Eita!

Mas nem tudo é desgraça e coincidência! Tou feliz, bem animada, ganhei bolsa, hoje fui pra USP pra conversar com o Jairo, ganhei as chaves da sala do projeto, tou me sentindo muito bem acolhida. Vou cursar três disciplinas e mais uma ainda como ouvinte. Ainda falta chegar a minha mesa de trabalho e comprar umas coisinhas pra casa, mas fora isso tá tudo "nos eixos". Na quarta já começam as aulas e eu tô morrendo de medo de chegar atrasada, porque hoje, com a volta às aulas, o trânsito já ficou mais complicado. Acho que vou sair de casa às sete pra aula às nove. Ou antes disso. Se duvidar, vou sair antes da minha casa do que o Jairo de Campinas. Eita!!!

Amanhã eu conto mais coisas. Tá muito frio e eu quero ir ali me enrolar na coberta e assistir tv a cabo sentada no meu sofá novo!

quarta-feira, 18 de julho de 2007

Novidades muito breves e amontoadas

Internet faz uma puta falta, né? Pois é. Então vou atualizar muito rapidamente tudo o que aconteceu nessa minha primeira semana de sãopaulice:

1) meu vôo de vinda milagrosamente não atrasou
2) minha entrevista pra bolsa foi legal
3) já conheci um monte de gente legal no dia da entrevista
4) minha mudança chegou no sábado
5) mas a minha cama só chegou HOJE!!! tou devendo minha alma ao Julio por me emprestar o apê dele
6) o sinal de TV aqui é péssimo, vou ter que instalar NET
7) fui numa lan fazer minha matrícula online e o computador tava com vírus, mandou scraps viróticos pra todos os meus contatos
8) ontem teve palestra do Booij, da Universidade de Leiden, aqui. Aqui na USP sempre tem alguma coisa rolando pra gente fazer. e eu concluí que tava com saudades da vida acadêmica
9) daí a minha mãe vinha hoje de manhã mas o avião da TAM caiu e ela só vem na sexta. horrível, triste demais, fiquei superdeprê e passei mal essa noite por causa do acidente.
10) ganhei bolsa do departamento!!!! yay!!!!!
11) minha casa é legal demais, meu apê é o máximo, os porteiros são tri gente boa, o bairro é o máximo!!!!!! tou amando minha nova cidade! nem peguei tanto congestionamento, apesar de toda a chuva. peguei aperto no ônibus, mas nada diferente de porto. andei de noite sozinha na rua e não aconteceu nada. as lojas de rua abrem no domingo até as seis da tarde. ó, civilização!! bendita civilização!
12) são paulo tem a maior concentração de homens bonitos por metro quadrado. não importa em que lugar ou circunstância, sempre tem MUITOS!!
13) óbvio que estou com saudades de todos!

acho que por hoje é isso. quando eu tiver internet em casa vou ter muita coisa pra contar!

terça-feira, 10 de julho de 2007

Parênteses irrelevantes de quem não quer falar sobre a viagem de amanhã, pois não quer lembrar do caos aéreo + meteorológico que assola a cidade

(Ou: de como o título de um post pode ser maior do que o próprio)

Não posso mais ver o Wagner Moura. Não consigo olhar pra ele. Sempre me dava uma sensação estranha, mas eu não sabia por quê.

Até que um dia eu olhei bem pras manchinhas no rosto dele. E uns dias depois descobri, por acaso, por que o sotaque dele mexia tanto comigo.

E nem vamos falar de quando ele morde a Bebel! Aí eu não agüento...

domingo, 8 de julho de 2007

Despedidas

Hoje começou a série de despedidas: churrasco com meus padrinhos e meus amigos queridos da faculdade. Regada a uno, imagem e ação, churrascão e muuuito vinho. Foi um dia muito, mas muito feliz mesmo.

Tava tão bom que a re-despedida vai ser na terça de noite, num restaurante árabe. Coisa boa quando os amigos não querem largar do nosso pé!

sábado, 7 de julho de 2007

777

Ontem eu falei e falei sobre 7, 1997, 2007, e nem me toquei que hoje é 07/07/07. Pra vocês verem como eu tou ligada no mundo...

Tá, na verdade eu não tou tão desligada assim. Só não percebi. Às vezes a gente não percebe as coisas. E às vezes a gente se ferra por isso. Não é o caso dessa vez, mas é sempre bom lembrar.

O fato é que ontem esqueci de falar a coisa mais importante sobre o 07. Meu primeiro namoro começou num dia 07: 07/06/00. Hoje li na Zero Hora sobre um casal que namora há sete anos e decidiu casar hoje. Fiquei pensando que bem poderia ser eu, casando depois de sete anos de namoro. Sei lá. Eu sei que não era pra ser, e não tenho vontade de um revival. Já teimamos o suficiente. Também não tou desesperada pra casar, aliás, nem quero casar do verbo casar. Só fiquei pensando mesmo. E poucos minutos depois recebi um convite pra um cineminha. E fiquei pensando mais ainda.

Hoje um amigo me contou que tava conversando com a mãe dele sobre mulheres. A mãe dele é daquelas que nunca foi com a cara de mulher nenhuma que ele tenha apresentado em casa. Mas ela gosta de mim, apesar de não me conhecer (bem... talvez exatamente por isso). Enfim, a conversa era sobre o azar do meu amigo com mulheres. E a mãe dele perguntou por que ele não tinha casado comigo. Achei tão engraçado... Engraçado de estranho, não de hilário. Sei lá, eu tenho um monte de amigos legais, mas tenho certeza que se eu tentasse um relacionamento com qualquer um deles, não duraria mais de cinco minutos. Por outro lado, as minhas relações até hoje até que duraram, mas não deram certo. Umas por culpa minha, outras por culpa
dessa raça maldita sem a qual infelizmente a gente não vive das circunstâncias. C'est la vie.

E antes que vocês perguntem, eu não faço a menor idéia do porquê de eu estar escrevendo sobre isso. Acho que foi a mudança. Fazer mudança sempre me deixa meio melancólica. Ainda mais com chuva; mas dizem que mudança com chuva é bom, atrai bons presságios. E hoje também é um dia de presságios. Vai ver por isso o Grêmio conseguiu ganhar fora de casa...


P.S.: A Zero Hora também dizia que hoje é um dia de mudanças. Tudo bem, eu fiz mudança. Mas ganhar na mega-sena acumulada que é bom, ainda não foi dessa vez...

sexta-feira, 6 de julho de 2007

Esquentando os tamborins

Ou seja: empacotando o resto da mudança e comprando coisinhas pra minha casa nova. O orçamento tá curtíssimo, magérrimo (sim, estamos aceitando doações... rs), mas tem que comprar algumas coisas. Vou ter uma máquina de lavar e uma cama de verdade! No more bicamas, dormir no chão e dependência de lavanderias! Também vou ter um sofá que vai ser só sofá. Ah, vai ser tão bom!! Vai ser a casa mais legal do mundo, com quadros na parede e tudo o mais. Até pensei em comprar um cachorrinho pra me fazer companhia. Mas não teria com quem deixar o bichinho quando viajar, e também o apê é pequeno demais pro bichinho se mexer. Fora o cheiro de cachorro. Desisti, apesar do cachorrinho da loja ter ficado me olhando fixamente durante minutos hoje.

Hoje ganhei vários presentes legais (não, não ganhei o cachorrinho): uma colcha linda (com capas para travesseiro) pra minha cama nova, uma luminária e lençóis; um livro liiiiindo de aniversário que a Sá me mandou pelo correio (o mesmo que eu ia mandar pra ela no dia do amigo, by the way); e hospedagem pros meus primeiros dias em Sampa, enquanto a mudança não chega, na casa do Julinho, meu salvador da pátria paulistana. Tá tudo dando tão certo que até dá medo de não saber mais como ser feliz.

Na verdade, agora que tudo tá indo pros eixos de novo eu tô conseguindo perceber como eu fui infeliz no ano passado. Eu devia saber; anos pares nunca são bons pra mim. Os ímpares são sempre os melhores. 1997 foi o melhor ano da minha vida so far. Dez anos depois, parece que vai se repetir. 07 sempre foi o meu número da sorte.

* Nota mental: nunca mais começar um relacionamento em ano par. *

Hahahahahahahaha!!

quinta-feira, 5 de julho de 2007

Profissão: lingüista

Ontem a corretora que tá fazendo o meio-de-campo pra gente alugar o apartamento que será o meu lar lá em Sampa mandou o contrato pra gente assinar, rubricar todas as páginas, reconhecer em cartório, mandar benzer no Vaticano e enviar uma cópia num foguete pra Lua. Enfim, não importa; o que importa mesmo, de verdade, é que no contrato tá lá bem lindo pra todo o mundo ver:

"...para residência de L.S., brasileira, solteira,* lingüista..."

Viram? Foi a primeira vez que alguém aceitou a minha profissão na vida! Não quis colocar estudante, nem professora, nem nada do tipo.

Será que um dia eu consigo colocar "pesquisadora em lingüística"?


* ok, não gosto muito dessa parte, mas fazer o quê...
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E a vida segue seu curso. Corrido, é claro. A mudança sai daqui no sábado. Eu saio na quarta, e se tudo der certo nos encontraremos, eu e a mudança, na sexta.

quarta-feira, 4 de julho de 2007

O coelho branco

Hoje o dia foi de encaixotamento à jato de mudança e levantamento de tudo o que precisa levar, comprar ou providenciar. E de pintura dos cubos de MDF que serviam como apoio pra minha tv lá em Floripa e que agora servirão de mesinha de centro. Eu queria fazer um lance diferente: selecionei 8 capas de discos que eu gosto e ia aplicar cada uma delas a uma face dos cubos, em preto-e-branco. Depois ia pintar criativamente por cima, de um jeito bem legal. Ia ficar lindo de morrer. Não dá tempo. Tive que escolher pinturas simples de formas geométricas. Não dá tempo pra fazer diferente.

Também não dá tempo de escrever o projeto pra FAPESP, nem de ver todo o mundo que eu queria ver, nem de fazer as correções na dissertação pra já me livrar disso. Não dá tempo de escrever pros amigos, nem pra postar decentemente no blog, quanto mais pra ler o blog dos outros. Não dá tempo de ligar pra ninguém. Também não dá tempo de ver o jogo da seleção na tv.

Nãodátemponãodátemponãodátempo. Pra ler um livro, ouvir música, ver tv. Pra conversar, pra pensar. Não dá tempo. Pra escolher os cds que eu quero levar. Não, não dá tempo.

Chato isso de não ter tempo pra nada. Ainda bem que é por uma boa causa.

São Paulo, my love

Voltei de São Paulo ontem à noite, depois de horas e horas em Congonhas, atraso de aeronave e problema técnico na aeronave quando eu já tava dentro dela. Voltei de São Paulo convencida de que fiz a coisa certa em ir pra lá, mesmo com a via-crucis aérea que eu provavelmente vou ter que enfrentar toda bendita e santa vez que decidir voltar pro Sul. Isso, ou 18 horinhas dentro de um ônibus Regis Bittencourt afora. Prefiro o aeroporto.

A viagem, todo mundo sabe, foi pra procurar um lugar pra morar. O que pouca gente sabe (ao menos eu não sabia) é que tá difícil pra caralho achar apartamentos pra alugar na cidade. Ou a gente encontra um quadruplex nos Jardins por R$9838237564858, ou então uma kitchenete (kitinete, quitinete, kitchineti... há várias opções, hehehe) pra dividir com mais 5 pessoas. No ó da zona leste. Um abuso. Passou terça, quarta e quinta e nada. Não tinha achado nada, nem pensão. Até que na sexta de manhã finalmente a minha fama de sortuda falou mais alto e eu finalmente consegui entrar em contato com uma corretora pra ver um apê que eu tinha visto na internet depois da entrevista do doutorado, em maio, e tinha achado perfeito: mobiliado, com fogão e geladeira e aquecimento a gás no chuveiro, com ônibus na esquina pra me levar pra USP. Dentro dos preços que eu vi, era o melhor custo-benefício. Eu digo que tenho sorte, e digo mais: quando eu enfio uma coisa na cabeça ninguém mais tira. Eu sabia que aquele era o apartamento. E foi mesmo.

Agora, o que eu não sabia é que a Viviane Senna mora no prédio do lado, muito menos que o Jô Soares mora na esquina e que o Fernando Henrique Cardoso mora há duas quadras de distância. Isso que eu saiba, né? Mas imagina, pode ter muitas outras celebridades lá na vizinhança! Ok, ok, quem me conhece sabe que eu não pago pau pra celebridades de nenhum tipo (nem as televisivas, nem os escritores famosos, nem o Chomsky). Mas pô, morar do lado e não dar bola também é pedir demais da pessoa, a gente tem que ter um mínimo de empolgação e "humanidade" nessas horas.

(Já aviso que alugo a minha janela pra espionagem de famosos e posso ciceronear os interessados em um tour pelo bairro visando a caça de celebridades. Por um preço não tão módico, é claro. Lingüistas também precisam sobreviver, e bolsa só deus sabe quando.)

Aliás, não. Ontem me ligaram da pós avisando que a entrevista pra bolsa vai ser dia 12. Quinta da semana que vem. Isso significa que na semana que vem, se tudo der certo, eu já me mudo, porque eu não tou interessada em gastar 300 contos de passagem só pra ir pra entrevista, pra ter que gastar tudo de novo na semana seguinte. Já viram que uma coisa na minha vida não mudou: eu continuo correndo feito uma doida. Vai ver é por isso que eu me sinto "no mundo" em São Paulo (apesar de eu estar indo morar num bairro muito silencioso). E também porque num dia só a gente vai em 5 feiras sem fazer muito esforço. E porque a gente come bem demais, mesmo quando o prato do dia é yakissoba de pé no meio da rua. E tem um sebo em cada esquina, com livros ótimos. E tem feijoada da boa, e uma rua só de instrumentos musicais que a gente vai descendo e ouvindo gente tocando bateria atééé lá embaixo - coisas que trazem lembranças de um tempo bem bom que não vai voltar. E tem muito homem bonito na rua pra gente superar a saudade daquele tempo bem bom que não vai voltar. Infelizmente, vários dos gatos são gays, a depender de onde se transite, mas olhar faz bem pra alma, não paga imposto nem requer muitas masculinidades de parte do admirado. Só a constatação de que eu sinto vontade de cutucar alguém e dizer "bah, que gato", ou de que eu me engasgo vendo um cara bonito passar (e pago o maior mico na frente dele, e destruo toda e qualquer chance de ele se sentir atraído por mim, mas assovia agora e esquece essa parte), já são bom sinal. Sinal de cura. Como dizem por aí, tarda mas não falha.

Mas o que a cabeça sabe que não volta o coração ainda não fez o favor de aprender. E ontem, voando em cima de uma certa cidade, e parando num certo aeroporto, o coração apertou que só ele. Mesmo com todo o cansaço, correu uma lagriminha no canto do olho. Lagriminha que fazia tempo que não pintava, lagriminha que ninguém viu, mas que doeu aqui dentro. Saudade que me tomou hoje o dia todo, lagriminha virou choro frouxo ouvindo música que dá saudade.
Saudade que me deu no dia do meu aniversário ouvindo a voz que eu sabia que ia estar do outro lado do telefone, que eu sabia que seria a primeira voz de parabéns do ano. Saudade pegou fundo pensando daqui a dois meses como vai ser olhar no olho de novo na frente de todo o mundo, sem poder expressar sentimento, e que sentimento vai ser? Queria olhar no olho de novo, mas já desisti de falar, insistir e ser chata. A cabeça desistiu; o coração ainda não, ainda sonha.

Saudade que vai me dar cada vez que eu passar na Paulista, que eu entrar na Fnac. Acho que foi bom não morar perto da Teodoro, nem na Vila Mariana, no fim das contas. Tem coisa que ainda dói, mesmo eu não querendo. Mas um dia vai parar de doer, e acho que não vai demorar. Eu sinto que não. E São Paulo, que era nossa, agora vai passar a ser só minha. E eu vou ser feliz.