segunda-feira, 29 de setembro de 2008

Enquanto isso, no seu Orkut...

Today's fortune: You are contemplative and analytical by nature.

Juuuuuuuura?!

Rapidinhas

Preciso vir aqui com calma contar que eu conheci hoje a língua mais sincera do mundo. Mas pra isso preciso de um tempo que hoje não tenho, então só quero deixar registrado que hoje eu reencontrei meu amigo imaginário, e há testemunhas!

* risos *

E eu decidi tatuar um lambda na nuca. Apesar das piadinhas de duplo sentido dos meus caros amigos.

domingo, 28 de setembro de 2008

Post Scriptum poético

Se não consigo responder às minhas perguntas, pelo menos ando contaminando as pessoas com a poesia do Drummond. A Lu postou o "Convite triste" ontem, que eu compartilhei com ela via msn num momento muito particular. E agora a Lara viu os versos finais do "Enterrado vivo" no meu msn e disse que vai postar no blog dela em minha homenagem.

Pra completar a série dos poemas dele que eu andei relendo muito nas últimas horas, vou grudar aqui também o "Consolo na praia", que não fala de praia. Mas que vontade de ver o mar!

Vamos, não chores
A infância está perdida.
A mocidade está perdida.
Mas a vida não se perdeu.

O primeiro amor passou.
O segundo amor passou.
O terceiro amor passou.
Mas o coração continua.

Perdeste o melhor amigo.
Não tentaste qualquer viagem.
Não possuis casa, navio, terra.
Mas tens um cão.

Algumas palavras duras,
em voz mansa, te golpearam.
Nunca, nunca cicatrizaram.
Mas, e o humour?

Falastério

Sinto que eu poderia escrever toneladas. Um post que durasse um dia inteiro. É tanta coisa passando pela minha cabeça, cenas de passados distantes e recentes, coisas que eu ouvi e que não tinham significado algum (hoje eu sei), histórias que os amigos me contam, uma conversa longa com o Tigrão hoje que eu queria colar inteira aqui mas acabei apagando sem querer, projeções de um futuro próximo que talvez aconteça, meus sonhos que não me deixam em paz, uma inércia de algumas coisas, inércia incômoda que eu quero mandar embora e não consigo, apesar de tudo. Poemas do Drummond que eu reli e lembrei como falam tão bem do que eu sinto, um poema do Bandeira que retrata bem o meu atual estado frente às coisas do mundo. Não preciso de tempo pra processar, já tá tudo muito bem processado. O problema todo é entender. Entender eu não consigo, entender dói. Entender é a tarefa mais difícil de todas. E eu não consigo sossegar enquanto não entendo. Por mais que eu pense e escreva e converse e argumente sozinha no escuro e saiba que tudo que eu tenho projetado tem grandes chances de acontecer, e daí? Não adianta nada. Não alivia a angústia. Me exaure essa dinâmica minha com o mundo. Mas não consigo mudar, não sei não ser inquieta.

Tou meio por aqui com tudo. Cansa. A minha autoconsciência se choca com a falta de autoconsciência da maioria dos seres que ambulam por esse mundão de deus. Como as pessoas podem não perceber o alcance das suas atitudes e palavras? Como podem ser tão mentirosas, ou se não são mentirosas, covardes? Pra quê? Por quê? O que aconteceu com a sinceridade?

Na falta de respostas às minhas eternas indagações, deixo aqui um poema do Drummond que não responde nada, mas que também fala da vida. E claro que o jeito dele de falar é muito melhor do que o meu...

Parolagem da Vida

Como a vida muda.
Como a vida é muda.
Como a vida é nuda.
Como a vida é nada.
Como a vida é tudo.
Tudo que se perde
mesmo sem ter ganho.
Como a vida é senha
de outra vida nova
que envelhece antes
de romper o novo.
Como a vida é outra
sempre outra, outra
não a que é vivida.
Como a vida é vida
ainda quando morte
esculpida em vida.
Como a vida é forte
em suas algemas.
Como dói a vida
quando tira a veste
de prata celeste.

Como a vida é isto
misturado àquilo.
Como a vida é bela
sendo uma pantera
de garra quebrada.
Como a vida é louca
estúpida, mouca
e no entanto chama
a torrar-se em chama.
Como a vida chora
de saber que é vida
e nunca nunca nunca
leva a sério o homem,
esse lobisomem.
Como a vida ri
a cada manhã
de seu próprio absurdo
e a cada momento
dá de novo a todos
uma prenda estranha.
Como a vida joga
de paz e de guerra
povoando a terra
de leis e fantasmas.
Como a vida toca
seu gasto realejo
fazendo da valsa
um puro Vivaldi.

Como a vida vale
mais que a própria vida
sempre renascida
em flor e formiga
em seixo rolado
peito desolado
coração amante.
E como se salva
a uma só palavra
escrita no sangue
desde o nascimento:
amor, vidamor!

sábado, 27 de setembro de 2008

Blog novo?

Se a coisa continuar como está, em breve vou ter que abrir um blog novo. Só pra falar dos meus sonhos.

Ou isso, ou direto pra terapia.

Confirmação

Eu tinha razão em achar que havia um motivo pro universo me deixar sem lembranças concretas.

As flores de plástico não morrem. Mas podem ser enfiadas no fundo de uma gaveta que nunca se abre.

sexta-feira, 26 de setembro de 2008

O que há de novo

Vamos às novidades:

Titio Boskovic foi embora na terça, deixando saudades. Na segunda tive atendimento com ele e foi muito, muito, muito produtivo. Me empolguei muito pra trabalhar rachando na tese. Tava sentido falta desse impulso.

Ontem fiz meu primeiro treino de boxe com a galera da pós. Foi muito legal. Empolguei total pra mexer o corpo, além do boxe vou fazer deep running no CEPE quatro vezes por semana. Tou toda dolorida hoje, mas parte disso tem a ver também com o megatombo que eu levei voltando do treino. Ouch!

A semana foi estranha. Quando o Julio falou eu não concordei, mas agora tou assinando embaixo. Meu dia hoje foi estranho, ouvindo Chico Buarque e lendo Drummond enquanto falava com a Lu no msn. Ela postou um poema lindo do Drummond no blog dela, que tem muito a ver com esse nosso momento. Eu vou postar algumas coisas dos dois em breve, talvez hoje mesmo.

Sonhei uma coisa bizarra essa noite, pra variar. Uma pessoa debandou do orkut. Tive uma conversa estranha, bizarra, totalmente fora de propósito (e todos os outros adjetivos desse nível que vocês conseguirem colocar aqui). Como sempre, cada vez menos eu entendo os seres humanos e as suas necessidades cretinas de auto-afirmação e projeção. Tem coisas que são desnecessárias, mas o povo faz sem medir conseqüências. Ou faz porque tá no embalo de fazer mesmo, mas depois nega até a último estertor. Não entendo mesmo.

Assisti os dois primeiros episódios da quinta temporada de House, e lembrei por que eu gosto tanto dele. De cara ele soltou a seguinte frase, bem no meio das minhas cada vez mais freqüentes tentativas de entender o que eu fiz de errado e o que eu fiz pra merecer tais e tais coisas que ficam se repetindo eternamente: "you don't get what you deserve; you get what you get". E seguindo o embalo das frases de efeito, é um fato que as pessoas cada vez menos são "what you see is what you get", salvo raras exceções. E que "you can't always get what you want, but if you try sometimes you just might find you get what you need" é uma lição que eu já aprendi faz tempo, mas que não tem funcionado muito na minha história recente, a menos que eu seja meant pra me ferrar - contradizendo a sábia frase do House. Finalizando os trocadilhos paronomásticos, "you get what you give" não tem se aplicado pra mim. Mas eu tenho aplicado aos que me cercam sem dó nem piedade. Hoje foi um bom exemplo.

quarta-feira, 24 de setembro de 2008

Assim, assim

Sabe quando fica aquela sensação superficial de felicidade, de que tá tudo bem, mas na verdade tem alguma coisa incomodando que a gente não sabe bem o que é?

Tou, ao mesmo tempo, satisfeita e insatisfeita. Não pensando e pensando. Lamentando e dando de ombros. Sem conseguir decidir se é bom ou não. Só sei que indiferente não é. Ah, mas não é mesmo.

domingo, 21 de setembro de 2008

Ainda sonhos

Ou eu paro de sonhar esses sonhos bizarros e atormentadores cada vez que eu durmo, ou a coisa vai ficar mais preocupante do que já está!

Alguém ponha um freio no meu inconsciente!!

Da série: como é que a gente nunca tinha feito isso?

Fab four juntos na pista pela primeira vez. Modéstia à parte, arrasamos! A noite acabou conforme o esperado: corpos cansados empilhados num conhecido sofá. Nem preciso dizer que hoje tou no 220.

Ainda chove nessa terra. Fotos do orkut dos outros pra matar uma saudade besta que me bateu. Meu futuro talvez sendo decidido amanhã. E eu que não penso em outra coisa...

sábado, 20 de setembro de 2008

Sabadão

Essa semana a vida me deu uma bolinha nas costas dia sim dia não. Literalmente. Mas o mais legal é que justo esses dias foram os mais legais da semana. Terça saímos com os argentinos e o Boskovic (preguiça de achar os diacríticos... rs). Quinta a Larinha e o Gigio estavam aqui e fizemos cachorro-quente na casa do Julio, e conversamos muito e rimos muito mais ainda e a noite tava linda de morrer mesmo. E eu tive uma conversa que me deixou um pouco mais tranqüila.

Ontem levamos o Boskovic pra dançar. Foi bom, eu não saía pra dançar há séculos, aproveitei bem a oportunidade. Mas claro, como sempre, quando tem muitos humanos na minha volta eu fico observadora demais. Filosófica demais. Tentando entender o mundo demais. Ontem à noite cheguei à conclusão de que eu tenho limites racionais. Coisas que eu até faria, em tese, mas algum motivo muito racional me impede de fazer. Nunca imaginei que eu fosse assim. Sempre me achei o instinto em pessoa. Mas agora eu percebo que racionalizar certas coisas também é instinto. Tou pensando sobre isso ainda.

Acordei faz umas duas horas só. Os corinthianos malditos que ficam berrando na rua me acordaram dos meus sonhos insanos. Agora mais gritos, fogos, buzinas e tudo mais que vocês possam imaginar que faz barulho, pra ajudar na minha dor de cabeça. Acho que essa é a primeira vez na vida que eu não tenho remédio pra dor de cabeça em casa. Deve ser um sinal dos tempos. Chove em Sampa city, e não sei o que será da minha noite, só sei que será com Boskovic: ou levamos ele pra balada, ou eu fico em casa lendo os textos dele sobre movimento e concordância.

Casamento da Sheila hoje. Era pra eu estar lá em Porto Alegre assistindo na primeira fila. Infelizmente não dá. Feriado no sul, dia do gaúcho. E eu completamente desconexa.

quinta-feira, 18 de setembro de 2008

Filosofia barata (mas boa)

Lembram que esses dias eu falei que a vida é uma constante bolinha nas costas? Pois eu tive uma forte comprovação disso essa semana. Completamente sozinha e desprotegida mesmo estando no meu próprio território. Acho que me saí bem no teste (bom, ao menos a demonstração de despeito não foi minha...).

Serviu pra eu comprovar como eu realmente tenho uns amigos do caralho. Que se preocupam comigo de verdade, que tentam me salvar das situações. Acabou sendo um dia muito legal: não só o curso do Boskovic foi extremamente relevante pra minha tese (ainda mais do que o esperado!), como ainda acabei tendo uma noite ótima e muito bem acompanhada. Voltei pra casa tri feliz.

Moral da história #1: "se a vida te der um limão, faça uma caipirinha". Ou: nem tudo tá como eu gostaria, mas ainda assim eu tou muito melhor agora.

Moral da história #2: lingüistas são so very cool. And you can have it all.

Moral da história #3: meu inglês ainda presta.

Moral da história #4: eu tenho ótimos amigos, como ele mesmo já dizia.

Moral da história #5: eu sou forte. e uma lady.

E por fim: nunca saia de casa sem se arrumar... rs.

Motivo de comemoração (2)

Larinha e Gigio em Sampa por esses dias! Larinha aqui em casa! Larinha e Gigio em Sampa por um longo tempo num futuro próximo!

Motivo de comemoração (1)

O curso do Boskovic tá sendo tudo o que eu esperava e mais um pouco. Fazia tempo que a lingüística não fazia o meu coração bater mais forte! Estou absoluta e definitivamente encantada.

domingo, 14 de setembro de 2008

Cansada

De ouvir todo mundo e ninguém me ouvir. Será que eu vou ter que gritar? Será que sem gritar ninguém vai perceber? Sou tão invisível assim?

Depois perguntam por que eu tenho um blog... Porque se eu não botar pra fora eu morro, por isso eu tenho um blog!

Coverdale

Não bastasse a música-título do blog...

As I stand at the crossroad
I see the sun sinking low
With my cross of indecision
I can't tell which way to go
Now I have seen the seven wonders
And I have sailed the seven seas
I've walked and talked with angels
And danced all night with gypsy queens

All in all it's been a rocky road
Twists and turns along the way
But I still pray for tomorrow
All my hopes, my dreams
Don't fade away
Don't fade away


I have painted many portraits
Memories of love and pain
Though cut down by life's deceptions
I found the strength to start again

All in all it's been a rocky road
Twists and turns along the way
But I still pray for tomorrow
All my hopes my dreams
Don't fade away
Don't fade away


Heaven help a man
Trying to make up his mind
With the darkness closing in
I feel I'm running out of time
Shine a light for me
Help me find the way to go
And take me where I've never been before

And so I stand at the crossroad
Watching the sun sinking low
With my cross of indecision
Still trying to find the way to go

All in all it's been a rocky road
Twists and turns along the way
But, I still pray for tomorrow
All my hopes, my dreams
Don't fade away


Ouvindo de novo a discografia do Whitesnake descobri que esse desgraçado canta a minha vida. Tenho ouvido muito o Starkers in Tokyo, um disco acústico de 40 minutos no qual ele canta, entre outras coisas, essa aí de cima. O disco é de cortar os pulsos. Pelas músicas e pela associação recente. Devia ser proibido associar discos bons com certas situações. Mesmo que a situação seja maravilhosa. Porque acaba. Às vezes cedo demais, às vezes mesmo antes de começar. E aí a gente leva um tempão pra "desintoxicar" os discos bons. E nunca consegue fazer isso completamente, sempre sobra uma pontinha de lembrança.

Como diriam os Titãs, "as flores de plástico não morrem". Mas às vezes elas têm perfume. E desabrocham depois de uma semana...

Hangin' on the telephone

Sonhei um telefonema. Só um "boa noite" do outro lado da linha. Um boa noite com um sotaque inconfundivelmente gostoso de ouvir.

Um telefonema que, eu acho, nunca vou receber.

Conclusões da noite

1) Eu gosto muuuito de guitarras e daquela fritação toda. Gosto mesmo, acho o máximo, curto pra caramba. Mas no final eu pago pau é pra baterista mesmo.

2) Escorpiões são muito legais, mas eu ainda prefiro a cobra branca.

3) Some people just don't belong in certain places, certo como dois e dois são cinco. E nem se esforçam. E também tem muita coisa que simplesmente não fecha.

4) Senti falta de alguém... mas não de quem vocês tão pensando.

5) Long live rock'n'roll!

sexta-feira, 12 de setembro de 2008

Da série: como eu nunca tinha notado?

A música-título desse blog foi lançada originalmente em... 1982!
Nem eu acredito que eu nunca tinha me tocado disso!!

quinta-feira, 11 de setembro de 2008

É foda

"Take it easy" definitavamente não é pra mim. Já tou toda pilhada de novo. Odeio isso! Aaaaah pelo visto não adiantou querer desenvolver a virtude da paciência. Não tive paciência nem pra isso... rs.

Baixas recorrentes

Não entendo por que anda morrendo tanta gente nesses últimos dias se agosto já acabou! Como diria minha mãe, "que cosa"...

quarta-feira, 10 de setembro de 2008

Urinóis e cachimbos

Fui ver a exposição do Duchamp no MAM hoje. E lá estava "A fonte", mais conhecida como "urinol de Duchamp". Lembrei muito dos textos do Affonso Romano de Sant'Anna em que ele discute o que é arte. Eu e a Lu fizemos muitas piadinhas com isso, como parar pra observar o umidificador que tava ali num canto. Arte moderna é um negócio estranho, tem coisas que eu não consigo ver como arte, porque nem são belas (nem no sentido de belo-feio), nem são estéticas, nem causam catarse nem nada do tipo. Admiro arte, não sou uma profunda conhecedora, mas pra certas coisas eu bem que digo "isso até eu teria feito". Essa coisa da arte-conceito é meio avessa pra mim. E os que se dizem modernos, moderninhos, modernosos, deviam ir ver a exposição e sacar que aquele Modernismo, aquele Surrealismo têm genialidade, não um monte de absorvente pendurado na parede.

Tá, vou parar. Já tou vendo que vai ter mil neguinhos entrando aqui anonimamente pra me desaforar porque eu tou desmerecendo a arte moderna, apesar de não ser esse o caso. Crianças, não se ofendam!

Deixo pra quem não pode ir à exposição a foto da obra-símbolo do Duchamp:




Eu vi o urinol do Duchamp! Eu sou uma pessoa feliz! :oD

Gato escaldado

E então a gente vive coisas desagradáveis. Sofre, chora, quase morre. Depois que passa, a gente sai achando que pelo menos aprendeu muito, que nunca mais vai se deixar passar pelas mesmas coisas outra vez. "Estou imune".

Aí a vida espera o tempo passar e pá!, te coloca de novo na mesma situação. Ou numa situação muito parecida. Todos os teus instintos e todo o aprendizado entram num puta conflito com a vontade de encarar de novo. Afinal, parece muito bom. Hmmm... Muito bom? Bom demais pra ser verdade, talvez? Não aprendeu nada nessa vida, guria? Tsc tsc tsc...

E aí? Deixar passar uma oportunidade por puro medo? É difícil colocar na balança. Eu que no início do ano cheguei à conclusão de que precisava aprender a ter calma, a não me jogar de cabeça nas coisas, tou aqui, quase querendo me jogar de cabeça. E pensando se eu realmente tinha que aprender e não aprendi, ou se aprendi e vou com calma mas vou. Mas o que eu vejo são pessoas assustadas. Loucas pra tentar, mas uma mais se cagando que a outra. Difícil largar tudo, difícil encarar, difícil achar um meio-termo inicial. Tou quase me sentindo o Kofi Annan depois de ontem, tentando negociar. Mas em meu próprio benefício. Se alguém viesse me contar a história e pedir conselho, eu saberia exatamente o que dizer. Mas como casa de ferreiro espeto de pau, vocês já conseguem calcular a merda que isso vai dar. Ou pode dar. Mas e se não der? E se der tudo muito certo? Mas como é que uma coisa dessas pode dar certo?

Superar velhos traumas, agora eu sei, é muito mais difícil do que eu pensava...

terça-feira, 9 de setembro de 2008

Tic tac

Tic tac tic tac tic tac tic tac tic tac tic tac tic tac tic tac tic tac tic tac tic tac tic tac tic tac tic tac tic tac tic tac tic tac tic tac tic tac tic tac tic tac...

segunda-feira, 8 de setembro de 2008

Das coisas difíceis de entender

Acabo de saber que a Ana Rocha faleceu. A Ana Rocha, vocês não devem saber disso, foi a minha primeira professora de graduação. A primeira aula de faculdade da minha vida foi com ela, Leituras Orientadas I. Literatura grega. Odisséia de Homero e Édipo Rei de Sófocles. Foi dela que eu ouvi, logo nessa primeira aula, "nada de novo depois dos gregos" e "quem não leu o Tio Ari ainda, façam o favor". O Tio Ari, é claro, é o Aristóteles. Lembro de me sentir muito estúpida porque todo mundo já tinha lido Dostoiévsky e eu nem o Aristóteles, imagina, que absurso. Foi na aula dela que o celular da Lídia tocou loucamente, matando todo mundo de rir. Mais tarde naquele mesmo semestre ela voltou à disciplina pra dar literatura inglesa. Com ela conheci a fantástica Elegia 19 de John Donne, Beowulf, Os Contos da Cantuária e, claro, Shakespeare. Ok, Shakespeare eu já conhecia. Mas ela sabia tudo de Shakespeare, dava gosto ouvir ela falar. No semestre seguinte, durante a Semana de Letras, ela ofereceu um Workshop chamado "Who's afraid of the English bard?". Foi o primeiro Workshop de que eu participei. E foi inesquecível. Depois disso, nunca mais ela foi minha professora. Mas nos cruzamos muitas e muitas vezes durante a minha graduação, inclusive na campanha pra direção do Instituto em 2004. Ela e sua indefectível latinha de Coca-Cola de manhã cedo.

Ela era fora de série, em todos os aspectos. Vai fazer falta. Deixo aí a Elegia 19 do Donne como forma de homenagem. Carpe diem!

Come, Madam, come, all rest my powers defy,
Until I labor, I in labor lie!

The foe oft-times, having the foe in sight,
Is tired with standing though he never fight.
Off with that girdle, like heaven’s zone glistering,
But a far fairer world encompassing.
Unpin that spangled breastplate which you wear
that th’ eyes of busy fools may be stopped there.
Unlace yourself, for that harmonious chime
Tells me from you that now it is bed-time.
Off with that happy busk, which I envy,
That still can be and still can stand so nigh.
Your gown going off, such beauteous state reveals
As when from flowery meads th’ hill’s shadow steals.
Off with that wiry coronet and show
The hairy diadem which on you doth grow;
Now off with those shoes, and then safely tread
In this love’s hallowed temple, this soft bed.
In such white robes, heaven’s angels used to be
Received by men; thou, angel, bring’st with thee
A heaven like Mahomet’s paradise; and though
Ill spirits walk in white, we easily know
By this these angels from an evil sprite,
Those set our hairs, but these our flesh upright.
License my roving hands, and let them go
Before, behind, between, above, below.
O my America! my new-found-land,
My kingdom, safeliest when with one man manned,
My mine of precious stones, my empery,
How blest am I in this discovering thee!
To enter in these bonds is to be free;
There where my hand is set, my seal shall be.
Full nakedness! All joys are due to thee.
As souls unbodied, bodies unclothed must be.
To taste whole joys. Gems which you women use
Are like Atalanta’s balls, cat in men’s views,
That when a fool’s eye lighteth on a gem,
His earthly soul may covet theirs, not them.
Like pictures, or like books’ gay coverings, made
For laymen, are all women thus arrayed;
Themselves are mystic books, which only we
(Whom their imputed grace will dignify)
Must see revealed. Then since that I may know,
As liberally as to a midwife show
Thyself: cast all, yea, this white linen hence,
There is no penance due to innocence.

Dos seres humanos

Me impressiona a capacidade que algumas pessoas parecem ter de ignorar os outros seres humanos. Como se nunca nada tivesse acontecido, como se não houvesse uma história, ainda que breve, a ser respeitada. Como se não tivesse acontecido nada de bom. Faz quase uma semana que espero uma resposta que a essas alturas já sei que não vai vir. Ou eu passei a ser extremamente insignificante, ou então eu significo tanto, mas tanto, apesar de passado tanto tempo, que deixei a criatura sem rebolado. Sabe quando a gente se sente inadequada? Eu achei que me sentiria assim, mas aparentemente não foi comigo que isso aconteceu. E nem sou eu que tou dizendo, todo mundo notou. Aí quando achei que ia ser diferente, acontece de novo a mesma coisa. Será que sou eu que acredito demais na sinceridade das pessoas, ou será que a humanidade gostou de me passar a perna? É ingenuidade minha ou sacanagem alheia? Sempre acreditei que olhares não mentem, que tem coisas que não precisam ser ditas. E como eu vi olhares reveladores nos últimos dias! Tanto engano assim não é possível.

É sempre assim: quando eu volto a ter um pingo de esperança na vida, quando eu me convenço de novo de que tudo pode ser diferente, pá! Bolinha nas costas. Todo ano a mesma coisa? Na mesma época, ainda por cima? Complicado. Tou começando a ficar sem fichas pra apostar. E sem o menor ânimo também. Nem o benefício da dúvida eu consigo dar mais.

Tá na hora de parar a palhaçada

Sonhei de novo essa noite. Um sonho mais tranqüilo que o da noite passada, mas ainda assim um sonho do passado que o meu inconsciente não entende que ficou pra trás. Um criado-mudo cheio de perfumes femininos. Comentários sobre a tal bolsa que ninguém engoliu. A confissão que eu queria ouvir e nunca ouvi. Foi bom.

Parece mentira

Tou com a garganta muito ferrada desde que cheguei de volta de Curitiba. Uma amigdalite como há muito tempo eu não tinha. Pra ser mais precisa, desde a semana do saco cheio do ano passado. Quando tudo tava um turbilhão de emoções e eu não sabia pra que lado correr.

Quem duvida, volte lá nos posts de final de agosto / início de setembro e veja com seus próprios olhos. Parece uma grande piada, mas é a mais pura verdade. Lembram daquela história da vida que se repete em ciclos? Pois é. Eu às vezes esqueço...

Perdida em pensamentos

Se vocês soubessem o que eu sonhei na noite passada...
Se vocês soubessem o que eu sonhei acordada...
Hehehe.

domingo, 7 de setembro de 2008

:oS

Ui que agonia!
Jesus!!

Ah, vida real...

Depois de quase um mês de andanças pra cá e pra lá, estou de volta a São Paulo até o final de outubro. Na verdade, se contar Goiânia e as férias em Porto, tou na estrada desde o início de julho! Cada um dos lugares que eu visitei trouxe experiências novas, muitas lembranças boas pra guardar, e uma vasta dose de aprendizado. Sei que tou devendo até hoje o relato de Montevideu, mas sinto muito, esse eu vou ficar devendo pro resto da vida. Não quero um blog anacrônico, e tanta coisa aconteceu de lá pra cá que não sinto mais vontade de escrever sobre aquela viagem. Foi maravilhosa, isso vocês já sabem. E basta.

Curitiba foi surreal. A maioria dos que lêem esse blog conhece minha vida pregressa e sabe como eu tava apreensiva de botar meus pezitchos naquela cidade de calçadas tortuosas novamente. A carga emocional que ficou por lá é muito grande, e eu tinha medo de que tudo voltasse e me sufocasse, afinal de contas foi a última grande experiência afetiva da minha vida. Chegar naquela rodoviária à meia-noite no mesmo maldito portão em que eu cheguei lá pela primeira vez e não ter ninguém me esperando foi estranho. Pisar na Federal no dia seguinte e dar de cara com o pronome e sua atual na cantina foi foda. O abraço apertado e o sorriso foram bons, mas a levantação de sobrancelhas que se seguiu ao longo dos dois dias não foi nada legal. Fiquei chateada, mas parou por aí. Não senti nada de especial. Fizemos muita festa, revi lugares conhecidos, finalmente subi na torre da Telepar, fui no Bar do Alemão, peguei o trem pra comer barreado em Morretes, tudo o que tinha ficado pendente eu fiz.

No dia mais fatídico, fui embora cedo mandar um e-mail que até hoje não recebeu resposta. Na manhã seguinte, voltei a pegar o velho ônibus no Círculo Militar. Caminhei pelo velho caminho do Bosque do Papa, sentei no mesmo banco do último dia juntos, há quase dois anos, e fiquei ali tentando lembrar o nome da árvore, respirando aquele pozinho. Visitei o Museu do Olho, mais uma pendência resolvida. Fui embora almoçar picanha no Passeio Público - outro clássico - e eu tava feliz. Naquela noite, depois do terceiro Hi-Fi, decidi que já bastava de tudo aquilo, e com "tudo aquilo" quero dizer ele e o que veio depois. Resolvi que era hora de bola pra frente. Aí olhei pro lado, seguindo o conselho da Ana. E vivi os dias mais felizes da minha vida em muito tempo. Já faz dois dias que eu voltei pra casa, e o sorriso continua aqui pendurado na minha cara sem querer desgrudar.

Não consigo entender o que tem nessa cidade que tanto me prende. Amo Curitiba, agora posso admitir, tenho bons amigos lá (engraçado que todos eles tão querendo se bandear pra USP), me sinto bem no meio daquelas araucárias todas. E Curitiba tá sempre envolvida em coisas importantes da minha vida: em 2006, ele. Em 2007, uma expectativa depois frustrada, mas que foi alimentada lá. Em 2008, a superação de toda essa bagagem, a criação de memórias novas, um milhão de possibilidades. Ok, um milhão é muito, mas algumas possibilidades existem. Criar expectativas é sempre complicado, mas tem horas que vale a pena. E eu já fazia tempo que andava achando que nunca mais ia ter essa chance...

quinta-feira, 4 de setembro de 2008

You can't always get what you want

But if you try sometimes you might find you get what you need...