domingo, 19 de agosto de 2007

Sonhos, sonhos...

Eu já contei pra vocês de quando eu fazia terapia? Não? Pois bem, eu fiz terapia. Em 2004, aquele ano em que o Carlinhos quase conseguiu me enlouquecer de vez. A minha terapeuta era a mesma do Tigrão (e de muitos outros colegas da Letras, conforme eu fui descobrindo depois) e ela é a terapeuta mais gente boa do mundo, tenho certeza disso. Só parei de ir lá porque arrumei mil empregos e não tinha mais tempo; depois mudei pra Floripa e aí já viram. Confesso que às vezes faz falta; no final do ano passado eu tava quase indo buscar ajuda profissional de novo. Mas a gente também não pode correr pro analista cada vez que toma um pé na bunda, e eu já tinha desenvolvido um certo know-how pra lidar com a coisa. Foi difícil, mas eu levantei sozinha (na verdade, com o apoio emocional de todos os meus amigos que serviram de terapeutas, ouvindo as minhas lamentações durante meses e meses), e agora eu posso dizer "eu levantei sozinha, eu tenho a força". E isso é muito bom, apesar de eu talvez ter ficado com seqüelas que ainda não consigo identificar muito bem, e por isso eu ando pensando tanto nessas coisas.

Mas o fato é que quando eu ia na Corina eu tinha um problema: eu não conseguia sonhar! Quero dizer, eu sonhava, mas coisas absolutamente banais: ir pra faculdade, trabalhar, essas coisas burocráticas. Nunca sonhava um sonho analisável, interpretável psicanaliticamente. Teve algumas poucas vezes, mas era conseqüência direta de coisas que eu tinha pensado ou falado sobre no dia anterior. Era chato. Eu morria de inveja do Amigo Tigre, que tem mil sonhos mirabolantes sempre.

E hoje eu tive o sonho mais maluco de todos os tempos: sonhei que a pessoa aquela tinha feito uma história em quadrinhos me criticando! Colocando toda a culpa pelo fracasso do relacionamento (que é dele, todo mundo sabe, inclusive o próprio) em mim. Mas o mais engraçado é que, além de ter mil absurdos na história em quadrinhos (coisas que não aconteceram, coisas que até aconteceram mas não daquele jeito), e apesar de todo o repúdio, a pessoa me encontrava nos corredores de uma certa universidade para a qual eu poderia ir na semana que vem, me abraçava, me beijava e a gente saía de mãos dadas corredor afora! Até eu ver a revista, claro, porque eu não sou trouxa. Mas mesmo antes de ver a revista eu tava desconfortável com aquela mão na minha. Eu não queria estar com ele-sem-itálico-pra-não-dar-bandeira.

Mais ainda: de repente eu olhei bem pra criatura e ela tava de calça social e camisa cáqui, coisa que eu só vi uma vez na vida. E nem tava de tênis furados. Aí eu realizei a inverossimilhança (pra resgatar um termo aristotélico) do sonho. Acordei rindo sozinha de madrugada. Às gargalhadas, na verdade.

Dormi de novo e acordei bem depois do planejado, com o celular tocando pra avisar da tradicional mensagem de domingo de mamãe. Acordei no meio de outro sonho, no qual eu tava na frente do computador e ouvia o toc-toc-toc-oh-oh do icq...

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