quarta-feira, 31 de outubro de 2007

Sonhos

Primeiro foram piercings. Piercings voando no espaço, piercings nos outros, piercings cruzando o meu caminho na rua sem que eu conseguisse identificar o(s) portador(es), piercings em mim mesma, no supercílio, no queixo, nos dedos das mãos, piercings sendo martelados em mim na força bruta, uma dor insuportável. Por várias noites essa imagem me perseguiu, com variações sobre o mesmo tema.

Depois um jantar finérrimo, uma mesa supersofisticada, pessoas conhecidas, desconhecidas, e uma menina num canto, que não dava conta de cortar sua própria carne. Os assuntos eram indigestos, era um bando de gente me pressionando sobre várias coisas pendentes ou faltantes na minha vida. Não conseguia ver o rosto da menina, até ela me pedir pra que eu cortasse a carne. Aí eu vi: a menina era eu eu, e a carne era um sapo enorme, gigante, amarelo, nojento.

Na noite seguinte, sonhei um e-mail. Um e-mail cheio de culpas minhas apontadas sem dó. Como se o fracasso de tudo (tudo?) tivesse sido culpa minha. Como se tivessem coragem de me dirigir a palavra. Doeu. No sonho, doeu muito. Acordei doendo. Fui checar meu e-mail. Não tinha nada.

Se seguiram várias noites de sonhos cada vez mais confusos, eu nos braços de alguém, sempre a mesma pessoa, mas eu não conseguia nunca ver o rosto.

Ontem sonhei um abraço. Um abraço forte, apertado, demorado, confortável. Aconchegante. Necessário. Acordei sorrindo como se fosse verdade. Dois segundos depois, a verdade contingente veio como um soco no estômago.

Tá cada vez mais difícil de lidar com as coisas: com as saudades, com as responsabilidades, com as frustrações, com as expectativas. Olho pra trás e enxergo padrões incômodos, e parece que por mais que eu faça diferente as coisas não mudam. Por mais que eu saiba onde vai dar errado, e tente avisar, ninguém nunca ouve. Por mais que eu tente fugir dos padrões, pick a different one, parece que eu sou como um reagente químico: entrou em contato comigo e dá nisso, não importa qual a essência do elemento. Como um toque de Midas: atrai e destrói, atrai irremediavelmente mas não consegue manter.

O discurso é sempre o mesmo: eu mereço mais. Vai ver eu mereço tanto, mas tanto, que o que eu mereço não existe.

3 comentários:

Ana Paula disse...

Piercings voadores?! Não sei o que tu tá tomando, mas eu quero dose dupla! HAHAHAHAHAHAHAHA Esquenta não, Leo. Enquanto for só em sonho, tá tranquilo. Pelo menos tu não tem o mesmo pesadelo há (+ ou - uns 10) anos, como eu. É um saco!

Leo disse...

ai Ana, pior que tenho, viu? há mais de 10 anos, inclusive. é tão, mas tão chato, que quando começo a sonhar eu meio que fico consciente e penso: "putz, de novo essa chatice..."

carlinhos disse...

perfeito prum 31 de outubro, dia das bruxas!!! não podia ser melhor!!!