Explico: hoje voltei da academia bem irritada. Porque a gente vai pra academia pra ter qualidade de vida, porque exercício faz bem, porque a gente quer uma vida um pouco mais saudável. Certo?
Nem sempre. A academia que eu freqüento tem pessoas como eu, mas tem também um bando de marombeiros que se enchem de porcaria pra ficar musculosos. E, pior, muito pior, só sabem falar de festa, cerveja, mulher. A música que toca enquanto eu tou lá puxando ferro é da pior qualidade possível, da pior rádio possível. Funk, créu, Latino, uma horda de pagodes fuleiros, essas coisas nojentas. Tanto que já pensei até em levar meu iPod cheio de Miles Davis e rock'n'roll pra malhar. Resumindo, é um povinho baixo nível. Intelectualmente e em todos os outros -mentes que eu consigo pensar. Piadinhas infames ao cubo, daquelas de gurizinho de quinta série, um pegando no pé do outro, apostinha idiota de "ô meu, aposta quanto que eu levanto 250 quilos com um braço só?". Blérghs!
Mas o mais chato é que o instrutor segue o mesmo embalo. Faz trinta vezes os mesmos comentários vazios, todos os dias, querendo bancar o engraçado. Mas até aí vá lá, tem gente que não sabe a hora de parar, normal. Só que, por ser instrutor de academia, esperar-se-ia (hahaha) que pelo menos ele fosse adepto de uma vida saudável. Não? Parece que não mesmo, ingênua eu. O cara só sabe falar de porre, de encher a cara, que acorda às cinco da manhã e bebe cerveja, que faz e acontece, que dorme duas horas por noite, que blá blá blá. Aquele papinho típico de cara que quer aparecer. Me pergunto se esse tipo de papo realmente impressiona alguém. Mulheres? Porque eu não fico nem um pouco impressionada e cooom certeza não olho duas vezes pra um ser desse tipo. Suponho que eu devo ser uma criatura completamente estranha, praticamente um alien, porque se o cara até hoje não virou o disquinho nessa vida é porque o papinho deve colar. Enfim. Aí hoje o cara chega contando que tomou um remédio pra "ficar zonzinho". Um antidepressivo. Tão entendendo? Tou esperando o dia que ele vai chegar dizendo que cheirou, que usou LSD... Quase disse pra ele que se ele quer ficar zonzinho, melhor fumar maconha. Não sou nada a favor desse tipo de prática, mas convenhamos, pelo menos é mais natural do que comprimidinho pra dodói da cabeça.
Fico tão passada por conta dessas coisas que começo a lembrar por que sempre me neguei a freqüentar esse tipo de ambiente: ou tem esses caras toscos, ou uma mulherada fútil que se arruma dos pés à cabeça pra ir malhar e fica te olhando de alto a baixo porque tu usa calça de 19 pilas da Renner e sempre o mesmo tênis - comprado na promoção (mas sempre limpinho, tá?). Ou ambos. E aí mesmo com todo o resultado, barriga encolhendo e tal, pensei em desistir. Porque me irrita, gente vazia me irrita. Não entendam mal, eu adoro jogar conversa fora, falar bobagem, tomar umas que outras, quem me conhece sabe. Mas de vez em quando, e na boa, tem bobagens e bobagens. Eu preciso de bobagens inteligentes. É a velha conversa que eu sempre tenho com o Diego: preciso de pessoas inteligentes perto de mim, pessoas que tenham um mínimo de perspectiva, ironia, essas coisas. Porque o povinho pseudo-intelectualóide-de-esquerda-de-araque-que-lê-Rimbaud (nada contra Rimbaud, nada contra a política. O problema todo é o pseudo), o povinho gola-rulê, também me dá no saco. Parece que o tipo de pessoa que eu gosto de conviver é bicho raro. E nem é um tipo só, nem saberia definir exatamente. O que me leva ao ponto todo da conversa eterna com o Diego: nunca vamos arrumar "alguém". Porque "alguéns" são bichos raros. Nascemos para a solidão?
Tá, mas eu comecei dizendo que a vida é um troço estranho. E é mesmo. Porque eu cheguei em casa pau da vida com a bendita academia, pronta pra desistir ASAP. Aí liguei o rádio e o cara que fala sobre saúde no Chamada Geral da Gaúcha disse que a gente começa a envelhecer aos 25. Ou seja, tou começando a envelhecer. Preciso oficialmente fazer alguma coisa pela minha saúde, pra não virar uma velha torta e doente. Aquilo tudo que eu escrevi ontem sobre se cuidar vale loucamente a partir de agora. E isso significa que eu, ahimé, vou ter que abrir mão das minhas exigências intelectuais, da minha "saúde mental", em nome da saúde física. Mens sana in corpore sano, dizem.
Acho que vou começar a levar meu iPod...
Nem sempre. A academia que eu freqüento tem pessoas como eu, mas tem também um bando de marombeiros que se enchem de porcaria pra ficar musculosos. E, pior, muito pior, só sabem falar de festa, cerveja, mulher. A música que toca enquanto eu tou lá puxando ferro é da pior qualidade possível, da pior rádio possível. Funk, créu, Latino, uma horda de pagodes fuleiros, essas coisas nojentas. Tanto que já pensei até em levar meu iPod cheio de Miles Davis e rock'n'roll pra malhar. Resumindo, é um povinho baixo nível. Intelectualmente e em todos os outros -mentes que eu consigo pensar. Piadinhas infames ao cubo, daquelas de gurizinho de quinta série, um pegando no pé do outro, apostinha idiota de "ô meu, aposta quanto que eu levanto 250 quilos com um braço só?". Blérghs!
Mas o mais chato é que o instrutor segue o mesmo embalo. Faz trinta vezes os mesmos comentários vazios, todos os dias, querendo bancar o engraçado. Mas até aí vá lá, tem gente que não sabe a hora de parar, normal. Só que, por ser instrutor de academia, esperar-se-ia (hahaha) que pelo menos ele fosse adepto de uma vida saudável. Não? Parece que não mesmo, ingênua eu. O cara só sabe falar de porre, de encher a cara, que acorda às cinco da manhã e bebe cerveja, que faz e acontece, que dorme duas horas por noite, que blá blá blá. Aquele papinho típico de cara que quer aparecer. Me pergunto se esse tipo de papo realmente impressiona alguém. Mulheres? Porque eu não fico nem um pouco impressionada e cooom certeza não olho duas vezes pra um ser desse tipo. Suponho que eu devo ser uma criatura completamente estranha, praticamente um alien, porque se o cara até hoje não virou o disquinho nessa vida é porque o papinho deve colar. Enfim. Aí hoje o cara chega contando que tomou um remédio pra "ficar zonzinho". Um antidepressivo. Tão entendendo? Tou esperando o dia que ele vai chegar dizendo que cheirou, que usou LSD... Quase disse pra ele que se ele quer ficar zonzinho, melhor fumar maconha. Não sou nada a favor desse tipo de prática, mas convenhamos, pelo menos é mais natural do que comprimidinho pra dodói da cabeça.
Fico tão passada por conta dessas coisas que começo a lembrar por que sempre me neguei a freqüentar esse tipo de ambiente: ou tem esses caras toscos, ou uma mulherada fútil que se arruma dos pés à cabeça pra ir malhar e fica te olhando de alto a baixo porque tu usa calça de 19 pilas da Renner e sempre o mesmo tênis - comprado na promoção (mas sempre limpinho, tá?). Ou ambos. E aí mesmo com todo o resultado, barriga encolhendo e tal, pensei em desistir. Porque me irrita, gente vazia me irrita. Não entendam mal, eu adoro jogar conversa fora, falar bobagem, tomar umas que outras, quem me conhece sabe. Mas de vez em quando, e na boa, tem bobagens e bobagens. Eu preciso de bobagens inteligentes. É a velha conversa que eu sempre tenho com o Diego: preciso de pessoas inteligentes perto de mim, pessoas que tenham um mínimo de perspectiva, ironia, essas coisas. Porque o povinho pseudo-intelectualóide-de-esquerda-de-araque-que-lê-Rimbaud (nada contra Rimbaud, nada contra a política. O problema todo é o pseudo), o povinho gola-rulê, também me dá no saco. Parece que o tipo de pessoa que eu gosto de conviver é bicho raro. E nem é um tipo só, nem saberia definir exatamente. O que me leva ao ponto todo da conversa eterna com o Diego: nunca vamos arrumar "alguém". Porque "alguéns" são bichos raros. Nascemos para a solidão?
Tá, mas eu comecei dizendo que a vida é um troço estranho. E é mesmo. Porque eu cheguei em casa pau da vida com a bendita academia, pronta pra desistir ASAP. Aí liguei o rádio e o cara que fala sobre saúde no Chamada Geral da Gaúcha disse que a gente começa a envelhecer aos 25. Ou seja, tou começando a envelhecer. Preciso oficialmente fazer alguma coisa pela minha saúde, pra não virar uma velha torta e doente. Aquilo tudo que eu escrevi ontem sobre se cuidar vale loucamente a partir de agora. E isso significa que eu, ahimé, vou ter que abrir mão das minhas exigências intelectuais, da minha "saúde mental", em nome da saúde física. Mens sana in corpore sano, dizem.
Acho que vou começar a levar meu iPod...
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