Após dois dias de atenções dominadíssimas pela Isabella, eis que a vida volta ao normal. A constatação, de novo, é que eu evidentemente não vou ter tempo de fazer tudo o que eu queria antes de ir embora, nem antes de as férias acabarem. Até olhei pra trocar a passagem, mas não dá - ou melhor, dá, mediante o pagamento de uma nada módica quantia em reais. Forget it, tou pobre, no way. Aliás, a minha bolsa é uma das coisas que eu preciso resolver em Sampa assim que eu chegar, fora todas as tarefas domésticas pendentes e organizações pré-início-de-semestre. Ou seja, ficar aqui não ia resolver muito.
Evidentemente, não trabalhei quase nada nas férias. O que significa trabalhar em triplo na primeira semana de aulas. Ainda tenho que dar jeito no computador que vai ficar com o pai e a mãe, e isso vai me tomar um certo tempo. Fora as derradeiras visitas, a superterça cinematográfica que aparentemente vai rolar com o pai y otras cositas más (nunca sei se é com acento...), tipo arrumar minhas trouxas para partir na quinta de manhã. Enfim, no final de outubro voltarei e quero tentar ficar uns dez ou quinze dias pra ver todo o mundo e pra curtir o aniver de um aninho da Isabella.
Mudando loucamente de assunto, hoje choveu o dia inteirinho. Ou melhor, caiu um dilúvio de proporções bíblicas. Nada contra uma boa chuva no domingão pra atiçar a preguiça, mas hoje eu queria ir pro Olímpico Monumental torcer pelo meu time, líder do campeonato brasileiro, contra o Parmera maledetto do Luxa-manicure, e ainda por cima a gente tinha almoço do Circolo Trentino, não dava pra não ir. E aquela chuva que começou bem na hora de a gente sair de casa, às onze da manhã, e não parou até agora.
O jogo, claro, foi pras cucuias porque com aquela chuva não tinha como. Mas pro almoço a gente foi, apesar de eu estar morrendo de preguiça de me mexer de dentro de casa. Abre parênteses cultural. O Circolo Trentino é uma associação de descendentes de imigrantes trentinos. Os trentinos são as pessoas que nascem no Trento, uma região do norte da Itália, na divisa com a Áustria (na verdade, já pertenceu à Áustria, e a isso eu credito a minha personalidade quando tou de mau humor). E eu e a minha mãe estamos com processo de descendência pela parte dos Manica, da minha avó, cuja família veio do Trento pro Brasil há muitos e muitos anos. O resto todo da minha família, seja por parte de pai ou de mãe, também veio ou do Trento ou do Veneto, que é ali pertinho. Fecha parênteses cultural. E hoje tinha esse almoço porque tá aí uma comitiva de Trento, incluindo autoridades e um grupo musical que se apresentou antes do almoço e promoveu uma cantoria fenomenal depois dele e de muitas taças de vinho.
Pra começar, uma missinha bilíngue básica. Abre novo parênteses cultural. A igreja da Pompéia aqui de Porto Alegre é uma igreja de imigrantes de todos os lugares do mundo. Os padres são missionários e os frequentadores são em sua maioria pessoas que migraram de outros lugares do mundo pra cá. Por isso tem missas bilíngues, em várias outras línguas além do italiano. Fecha novo parênteses cultural. A missa foi legal, apesar do frio horroroso que tava fazendo dentro da igreja. Depois foi todo mundo pro salão paroquial pra almoçar e confraternizar. Eu gosto muito de frequentar os eventos do Circolo porque é tudo muito simples. Não conheço quase ninguém dos sócios, mas o atual presidente foi meu professor de italiano na UFRGS, e eu ajudei, a convite dele, antes ainda de descobrir minha origem trentina, a dar o pontapé inicial no curso de italiano que é oferecido lá. E por isso eu conheço i capi e todo mundo me paparica e pergunta quando eu volto pra assumir as turmas. Pra variar, o Pedro (o meu professor) me incumbiu de ser a fotógrafa oficial do evento. O grupo musical é fantástico, é música folclórica com roupagem atual, show de bola (bom, pelo menos pra mim, que adoro música folclórica italiana e sabia cantar todas hoje). E tinha um gatinho que tocava instrumentos de sopro e trocou olhares comigo, mas os meus pais me arrastaram pra casa quando a festa tava ficando etilicamente boa, antes que eu pudesse tomar a nonagésima taça de vinho e me apresentar pra ele cantando a Verginella. Abre mais um parênteses (duvidosamente) cultural. A Verginella é uma música folclórica italiana que nós, descendentes de imigrantes, cantamos quando estamos bêbados. Pra dizer que alguém tá muito bêbado, tchucão mesmo, gente diz "Fulano daqui a pouco começa a cantar a Verginella". Hoje descobrimos que isso vale também no Trento. Fecha mais um parênteses (duvidosamente) cultural.
Mesmo assim ganhei o dia. Explico: a mesa da comitiva trentina era atrás da mesa em que a gente tava. E lá pelas tantas um dos tiozinhos da comitiva inventou de falar com a mãe, enquanto eu fotografava os músicos tocando. O pai só me cutucou e disse "vai lá socorrer a mãe". Porque ela entende tudo, e até fala, mas falta fluência. Não deu 30 segundos e ela me chamou. Comecei a conversar com o cara e bah, meu italiano destravou na hora! O tal cara é formado em Letras, estudou na Toscana e dá aula em Roma. E a cidade italiana preferida dele é Siena, quando contei que morei lá o cara quase teve um troço. E lá pelas tantas no papo me disse: "Complimenti, il suo italiano è perfetto, ha un'accento bellissimo! Non solo sei bella, ma sei anche brava!" Depois dessa, francamente, me digam se não é pra eu ficar me achando pro resto da vida?
Evidentemente, não trabalhei quase nada nas férias. O que significa trabalhar em triplo na primeira semana de aulas. Ainda tenho que dar jeito no computador que vai ficar com o pai e a mãe, e isso vai me tomar um certo tempo. Fora as derradeiras visitas, a superterça cinematográfica que aparentemente vai rolar com o pai y otras cositas más (nunca sei se é com acento...), tipo arrumar minhas trouxas para partir na quinta de manhã. Enfim, no final de outubro voltarei e quero tentar ficar uns dez ou quinze dias pra ver todo o mundo e pra curtir o aniver de um aninho da Isabella.
Mudando loucamente de assunto, hoje choveu o dia inteirinho. Ou melhor, caiu um dilúvio de proporções bíblicas. Nada contra uma boa chuva no domingão pra atiçar a preguiça, mas hoje eu queria ir pro Olímpico Monumental torcer pelo meu time, líder do campeonato brasileiro, contra o Parmera maledetto do Luxa-manicure, e ainda por cima a gente tinha almoço do Circolo Trentino, não dava pra não ir. E aquela chuva que começou bem na hora de a gente sair de casa, às onze da manhã, e não parou até agora.
O jogo, claro, foi pras cucuias porque com aquela chuva não tinha como. Mas pro almoço a gente foi, apesar de eu estar morrendo de preguiça de me mexer de dentro de casa. Abre parênteses cultural. O Circolo Trentino é uma associação de descendentes de imigrantes trentinos. Os trentinos são as pessoas que nascem no Trento, uma região do norte da Itália, na divisa com a Áustria (na verdade, já pertenceu à Áustria, e a isso eu credito a minha personalidade quando tou de mau humor). E eu e a minha mãe estamos com processo de descendência pela parte dos Manica, da minha avó, cuja família veio do Trento pro Brasil há muitos e muitos anos. O resto todo da minha família, seja por parte de pai ou de mãe, também veio ou do Trento ou do Veneto, que é ali pertinho. Fecha parênteses cultural. E hoje tinha esse almoço porque tá aí uma comitiva de Trento, incluindo autoridades e um grupo musical que se apresentou antes do almoço e promoveu uma cantoria fenomenal depois dele e de muitas taças de vinho.
Pra começar, uma missinha bilíngue básica. Abre novo parênteses cultural. A igreja da Pompéia aqui de Porto Alegre é uma igreja de imigrantes de todos os lugares do mundo. Os padres são missionários e os frequentadores são em sua maioria pessoas que migraram de outros lugares do mundo pra cá. Por isso tem missas bilíngues, em várias outras línguas além do italiano. Fecha novo parênteses cultural. A missa foi legal, apesar do frio horroroso que tava fazendo dentro da igreja. Depois foi todo mundo pro salão paroquial pra almoçar e confraternizar. Eu gosto muito de frequentar os eventos do Circolo porque é tudo muito simples. Não conheço quase ninguém dos sócios, mas o atual presidente foi meu professor de italiano na UFRGS, e eu ajudei, a convite dele, antes ainda de descobrir minha origem trentina, a dar o pontapé inicial no curso de italiano que é oferecido lá. E por isso eu conheço i capi e todo mundo me paparica e pergunta quando eu volto pra assumir as turmas. Pra variar, o Pedro (o meu professor) me incumbiu de ser a fotógrafa oficial do evento. O grupo musical é fantástico, é música folclórica com roupagem atual, show de bola (bom, pelo menos pra mim, que adoro música folclórica italiana e sabia cantar todas hoje). E tinha um gatinho que tocava instrumentos de sopro e trocou olhares comigo, mas os meus pais me arrastaram pra casa quando a festa tava ficando etilicamente boa, antes que eu pudesse tomar a nonagésima taça de vinho e me apresentar pra ele cantando a Verginella. Abre mais um parênteses (duvidosamente) cultural. A Verginella é uma música folclórica italiana que nós, descendentes de imigrantes, cantamos quando estamos bêbados. Pra dizer que alguém tá muito bêbado, tchucão mesmo, gente diz "Fulano daqui a pouco começa a cantar a Verginella". Hoje descobrimos que isso vale também no Trento. Fecha mais um parênteses (duvidosamente) cultural.
Mesmo assim ganhei o dia. Explico: a mesa da comitiva trentina era atrás da mesa em que a gente tava. E lá pelas tantas um dos tiozinhos da comitiva inventou de falar com a mãe, enquanto eu fotografava os músicos tocando. O pai só me cutucou e disse "vai lá socorrer a mãe". Porque ela entende tudo, e até fala, mas falta fluência. Não deu 30 segundos e ela me chamou. Comecei a conversar com o cara e bah, meu italiano destravou na hora! O tal cara é formado em Letras, estudou na Toscana e dá aula em Roma. E a cidade italiana preferida dele é Siena, quando contei que morei lá o cara quase teve um troço. E lá pelas tantas no papo me disse: "Complimenti, il suo italiano è perfetto, ha un'accento bellissimo! Non solo sei bella, ma sei anche brava!" Depois dessa, francamente, me digam se não é pra eu ficar me achando pro resto da vida?
Nenhum comentário:
Postar um comentário