Sexta-feira, 7 de Novembro de 2008

Clique clique

Lembro de ter comentado com alguém que da última vez não sobrou nenhuma lembrança além de um vídeo com vozes não muito distinguíveis ao fundo e um cantinho de mão numa foto. Period.

No início isso me entristeceu um pouco. Gosto de lembranças concretas. Depois de um tempinho comecei a achar que era um sinal. E, claro, no final das contas acabei dando graças a Deus por não ter ficado nada além de um objeto que eu joguei no fundo de uma gaveta que eu nunca abro. (Por que eu não joguei no lixo, a exemplo da conversa no msn, eu não sei explicar. Talvez pra não esquecer de vez e acabar caindo na mesma historinha de novo. Talvez porque apesar dos pesares foi bom...)

Evidentemente tem as lembranças não-físicas: um disco especial, algumas outras músicas, cenas que volta e meia voltam na minha cabeça... Mas essas, como eu já disse aqui essa semana, são projeções. Saudade eu já não sinto faz um tempo.

Mas aí hoje... clique clique clique e lá estava. Na primeira olhada nem senti nada. Saí. Clique clique clique, voltei. Senti uma pontinha de alguma coisa. Saí de novo. Clique clique clique, lá estava eu de novo, over and over again ao longo do dia, inevitavelmente atraída a ver de novo e de novo. Agora mesmo, clique clique clique. Dois anos e dois dias. Dois meses e dois dias. Clique clique clique. A lembrança que eu queria tanto ter, agora escancarada na minha frente. Agora que eu não quero mais lembrar, não quero mais pensar, não quero mais! Troco a música. Não sei quantas vezes apertei o botão pra pular a faixa. Nada me atrai. Demora, talvez umas cinquenta apertadas de botão depois, entra o disco. Clique clique clique. Como eu procurei, não faz tanto tempo assim. Parece que faz anos, parece que nunca aconteceu. Clique clique clique. Lá vou eu de novo, mais uma espiadinha. Nada de mais, e ao mesmo tempo...

A merda, minha gente, é que às vezes aparece alguém.

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