quinta-feira, 16 de abril de 2009

Velho Carlos

Quando eu mesma não acho as palavras pra dizer o que vai cá dentro (coisa que, a bem da verdade, é bastante incomum), costumo apelar pra poesia. Sempre alguém na minha estante tem as palavras certas. Ou, pra casos mais urgentes, na minha coleção de músicas.

Hoje eu corri pro Drummond. É comum eu correr pro velho Carlos quando a coisa aperta... Também volta e meia me salta um verso dele na cabeça e lá vou eu correndo catar o livrão verde de papel-bíblia na estante pra me esbaldar um pouco, a única obra completa da Nova Aguilar que eu ousei gastar os tubos e comprar. E mesmo assim mantive comigo a edição d'O Amor Natural com as ilustrações e o ensaio do Sant'Anna no final, simplesmente porque ela é linda. E, lógico, tem um valor sentimental que vocês não queiram saber.

Bom, mas acontece que hoje o Drummond resolveu tirar uma comigo. Não achei nele as palavras perfeitas pro que eu tou sentindo; mas achei as palavras perfeitas pra expressar a falta de palavras:

Gastei uma hora pensando um verso
que a pena não quer escrever.
No entanto ele está cá dentro
inquieto, vivo.
Ele está cá dentro
e não quer sair.
Mas a poesia deste momento
inunda minha vida inteira.


Drummond, meus caros, é um gênio.

Um comentário:

Marcos Carreira disse...

Pelo menos, vc não se autoafetou... se fosse esse o caso, o poema seria:

Quando nasci, um anjo torto
desses que vivem na sombra
disse: Vai, Carlos! ser gauche na vida.

beijos!

Marcos