segunda-feira, 21 de setembro de 2009

Filosofia (nem tão) vã (assim)

É da natureza do ser humano ser curioso (diz aí, Tigrón: até eu tou melhor que o Heidegger hein). Até aí tudo bem, quem nunca procurou alguém no google ou fuçou perfis alheios no orkut (no tempo em que o orkut não tinha cadeados, é claro) que atire a primeira pedra. O orkut, digam o que disserem, não é uma rede social, é um repositório de informações sobre as vidas dos que lá estão. E ele só faz o sucesso que faz porque supre a necessidade que temos de saber da vida alheia.

Sou usuária do orkut há cinco anos, e acho meio bizarras algumas das transformações que ele sofreu: cadeado nos scraps, cadeado nos depoimentos, cadeado nos vídeos, cadeado nas fotos... Praticamente uma prisão de segurança máxima! Tudo bem, acho realmente que as pessoas têm o direito de não expor suas vidas publicamente; mas então não faça confissões no about me nem coloque mil fotos no orkut! As pessoas se expõem loucamente e depois reclamam de terem suas vidas invadidas, bisbilhotadas, xeretadas. Não faz muito sentido pra mim...

Ok, cabe um mea culpa nesse momento: as minhas fotos e os meus scraps também estão lacrados. Mas eu tenho na minha lista de amigos quase 200 pessoas, muitas das quais eu conheço apenas superficialmente, ou não vejo há dez anos - ou ambos. E todas essas pessoas têm acesso
aos meus scraps e às minhas quase 900 fotos. E eu também desabilitei o meu dedurador de visitantes (altamente bizarro, por sinal), afinal qual é a graça de saber quem fuçou ou não o meu perfil? Tá lá é pra isso mesmo!

Bom, mas ao mesmo tempo em que criou cadeados, o orkut criou também o avisador de atualizações. Pra quem não lembra, nos primórdios do orkut a gente tinha que entrar em cada um dos perfis dos nossos amigos pra ver se tinha alguma mudança nas informações, se tinha foto nova, etc. Hoje não, aparece uma listinha ali embaixo dizendo "Fulano de Tal atualizou sua cor dos olhos". Eu até acho prático, não me entendam mal; claro, antes tinha o fator surpresa, "olha, faz tempo que eu não entro no perfil de Beltrano, vamos ver o que há de novo". E aí descobria que Beltrano tinha casado e já tinha um filho em idade pré-escolar. Hoje não, eu entro no orkut e sei quem postou foto, quem atualizou o que, até quem recebeu comentário em qual foto! Muito prático, como eu disse. Mas em grande contradição com o protecionismo cadeadístico.

Agora, a pior mudança de todas, na minha modesta e insignificante opinião, foi quando colocaram o relationship status antes de qualquer outra informação. Cara, de uma hora pra outra o teu estado civil é mais importante do que o teu about me! Tá, talvez essa mudança tenha me afetado mais porque eu tava saindo de um relacionamento bem na época, mas ainda hoje eu acho bem esquisito. Contra-intuitivo. Enfim. Coisas do seu orkut.

Eu andei limpando o meu orkut esses tempos, tirando algumas informações muito pessoais ou muito detalhadas. Não por nada, eu realmente não me importo que vejam o que tá lá, se eu coloquei é porque não me importo que duzentas pessoas vejam e tirem suas próprias conclusões, por mais equivocadas que sejam. Foda-se, as pessoas são loucas, precipitadas e adoram julgar. Pois que julguem. Só dei uma limpada porque agora quase todos os meus amigos têm facebook, muitos têm também blog e twitter, e todos eles tão bombando, já no orkut fico dias sem receber um scrapzinho sequer - algo totalmente impensável um ano atrás.

Enfim. Até pensei em excluir a minha conta do orkut esses tempos, mas depois desisti. Gosto do orkut, apesar de ter virado uma putaria (o Blog da PGA que o diga) e de quase não dar mais pra fuçar. E realmente não me importo que me fucem. O que me incomoda, isso sim, é quem fuça e sai fazendo fofoca por aí. Isso não é a curiosidade inerentemente humana se manifestando; é veneno mesmo.

Nenhum comentário: