Então ontem choveu em São Paulo. E quando chove em São Paulo o trânsito vira um caos. Todo mundo sabe disso. Todo mundo que mora em São Paulo e entra num ônibus em horário de pico sabe que há grandes chances de a viagem não ser curta. Todo mundo que mora em São Paulo e entra num ônibus em horário de pico sabe que há grandes chances de ter que viajar de pé. E todo mundo que mora em São Paulo e entra num ônibus em horário de pico em dia de chuva sabe que essas duas possibilidades aumentam exponencialmente.
Pois é. Agora imaginem um ônibus atolado de gente às sete e dez na Rebouças, indo em direção à Paulista. E imaginem que às quinze pras oito o mesmo ônibus estava tentando entrar na Paulista. Ali bem na curva, entre a Consolação e a Paulista. Trânsito praticamente parado, um milhão de ônibus com um milhão de pessoas querendo descer no primeiro ponto. Aí uma jovem cidadã pede ao motorista pra abrir a porta pra ela descer. Ela está de pé no meio do ônibus. Tem um mar de gente entre ela e a porta. Setenta e cinco por cento desse mar de gente também quer descer no primeiro ponto da Paulista. O motorista não abre a porta. Nossa personagem olha pro rapaz que está do lado dela e dispara "pô, não custava, né?", ao que o rapaz responde "é, não abrir aqui é só de maldade mesmo".
Vamos tirar um momento pra pensar sobre esse singelo diálogo. O motorista tá ali, com duzentos carros, motos e ônibus atravessados tentando se enfiar na Paulista. O ônibus tá exatamente na esquina, já meio virado pra fazer a curva. Tem duzentas pessoas querendo descer do ônibus. Digamos que ele abra a porta. Todas as duzentas pessoas vão querer descer. O sinal vai abrir. Todos os carros, motos e ônibus que estão atrás do nosso ônibus vão começar a buzinar porque querem andar. O motorista não vai poder simplesmente fechar a porta na perna de alguém e arrancar. E se tiver um controlador de tráfego parado por ali, ainda vai tocar uma multa no motorista. Mas é, é maldade dele não abrir a porta.
Me espanta como todo mundo acha que não tem problema violar as leis, desde que seja em seu próprio benefício. Ninguém tá se importando se o motorista tá infringindo uma lei de trânsito ou não, se ele vai se fuder ou não. Raciocínio parecido é o da mulher que levou a planta pra casa: foi o governo que pagou, então é de todo mundo, então não é de ninguém, então é meu porque foi o meu imposto que pagou. E depois reclamam quando os políticos metem a mão no dinheiro público, que também é de todo mundo.
Aposto, mas aposto mesmo que se a guria do ônibus estivesse dirigindo um carro e o ônibus abrisse a porta pra galera descer, ela ia sentar a mão na buzina.
Pois é. Agora imaginem um ônibus atolado de gente às sete e dez na Rebouças, indo em direção à Paulista. E imaginem que às quinze pras oito o mesmo ônibus estava tentando entrar na Paulista. Ali bem na curva, entre a Consolação e a Paulista. Trânsito praticamente parado, um milhão de ônibus com um milhão de pessoas querendo descer no primeiro ponto. Aí uma jovem cidadã pede ao motorista pra abrir a porta pra ela descer. Ela está de pé no meio do ônibus. Tem um mar de gente entre ela e a porta. Setenta e cinco por cento desse mar de gente também quer descer no primeiro ponto da Paulista. O motorista não abre a porta. Nossa personagem olha pro rapaz que está do lado dela e dispara "pô, não custava, né?", ao que o rapaz responde "é, não abrir aqui é só de maldade mesmo".
Vamos tirar um momento pra pensar sobre esse singelo diálogo. O motorista tá ali, com duzentos carros, motos e ônibus atravessados tentando se enfiar na Paulista. O ônibus tá exatamente na esquina, já meio virado pra fazer a curva. Tem duzentas pessoas querendo descer do ônibus. Digamos que ele abra a porta. Todas as duzentas pessoas vão querer descer. O sinal vai abrir. Todos os carros, motos e ônibus que estão atrás do nosso ônibus vão começar a buzinar porque querem andar. O motorista não vai poder simplesmente fechar a porta na perna de alguém e arrancar. E se tiver um controlador de tráfego parado por ali, ainda vai tocar uma multa no motorista. Mas é, é maldade dele não abrir a porta.
Me espanta como todo mundo acha que não tem problema violar as leis, desde que seja em seu próprio benefício. Ninguém tá se importando se o motorista tá infringindo uma lei de trânsito ou não, se ele vai se fuder ou não. Raciocínio parecido é o da mulher que levou a planta pra casa: foi o governo que pagou, então é de todo mundo, então não é de ninguém, então é meu porque foi o meu imposto que pagou. E depois reclamam quando os políticos metem a mão no dinheiro público, que também é de todo mundo.
Aposto, mas aposto mesmo que se a guria do ônibus estivesse dirigindo um carro e o ônibus abrisse a porta pra galera descer, ela ia sentar a mão na buzina.
2 comentários:
Eu fui testemunha.
Uma observação: ela não poderia estar atrás do ônibus, na subida da Consolação. Duvido que ela soubesse fazer meia embreagem!
Com certeza, se estivesse atrás, reclamaria sobre a falta de consciência de tal motrista ter aberto a porta e atrapalhado o trênsito. Por aqui, lei só é lembrada se for em benefício próprio.
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