terça-feira, 23 de novembro de 2010

Da série: perguntas que não querem calar

Preocupação filosófica do dia: por que a gasolina nos EUA é ridiculamente mais barata do que a gasolina no Brasil?

Hipótese #1: Porque o petróleo americano é carne de pescoço, é um petróleo denso, pesado. Nada parecido com o filet mignon que é o petróleo do pré-sal. 

Hipótese #2: Por causa das boas e fraternais relações diplomáticas que os EUA mantêm com o Irã. 

É... Sorte dos EUA que não ganharam o bilhete premiado...

6 comentários:

Eduardo Parise disse...

Não diria nem que a gasolina brasileira é cara, mas sim que a gasolina norte-americana é barata. O preço do combustível na Europa ainda é bem mais alto do que no Brasil. O negócio é que os norte-americanos não vivem sem carro, é o way of life deles. E a Europa tem alternativas de transporte público excelente e barato pra quem não quer usar carro. Então o cidadão se vira de algum jeito.

Já aqui, ou vai de carro e paga um olho pela gasolina e outro pelos pedágios, ou anda em ônibus lotado, poluidor e lento por estradas ruins e engarrafadas. Havia trens no passado, mas foram sucateados. Então, não fazemos nem uma coisa, nem outra. Jóinha!

R. C. disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
R. C. disse...

1) Os EUA também tem um sistema de transporte público bem melhor do que o brasileiro. Aliás, em cidades grandes como New York, quase ninguém tem ou usa carro próprio.

2) Em capitais européias, também há problemas de transporte particular. Amsterdam, por exemplo, implantando um sistema de pedágio urbano, que cobrará de cada carro por cada kilômetro rodado ao sair da garagem... para diminuir os problemas de trânsito. E olha que é a cidade do mundo que mais usa bicicletas.

Acho que os problemas da falta de infra-estrutura e planejamento para o transporte público e vias urbanas são reais no Brasil. Acho que você está certo em apontar que temos os dois problemas: gasolina cara para o transporte particular e péssimas condições para o transporte público.

Mas não vejo que haja relação tão direta da má qualidade do transporte público com o preço da gasolina. Até porque a lógica me parece que deveria ser inversa: se há mais necessidade de uso do transporte particular, como nos EUA, a gasolina devia ser mais barata.

Principalmente quando “o Petróleo é nosso” e a “Petrobrás é do povo brasileiro”. Qual é a estatal do petróleo que há nos EUA? Que tal rifarmos a Petrobrás para quem pagar mais e passarmos a pagar por gasolina mais barata?

carlinhos disse...

O preço do petróleo no mundo está nas mãos de poucas famílias, americanas e sauditas que, além de serem donas da maioria do petróleo no planeta, ainda tem o poderio bélico por trás. Logo, não tem negociação.

A questão de rifar ou não a Petrobras passa por qual tipo de país queremos ser. A Petrobras é moeda de troca, aquisição de tecnologia, poder de barganha. Já não temos tecnologia nuclear (o que concordo, não acho que esse seja o caminho), se não tivermos nem o controle do petróleo, vamos oferecer o que, bananas?

O preço da gasolina é estritamente político, não importa qual partido está no governo, ou se a Petrobras é nossa ou não. É como aquela pessoa que pega no pé só por pegar, não importa o motivo. Se fizermos tudo certinho, como ela quer, ainda assim vai pegar no pé. Se o problema é a distribuição e arrumarmos a malha ferroviária pro transporte ser mais barato, o problema passa a ser os impostos, se fizermos a reforma tributária, aí o problema passa a ser falta de estacionamento (se a gasolina baixar e todo mundo tiver carro), e assim por diante...

Se vender a Petrobras fosse a solução, ela já teria sido passada adiante faz tempo; tanto é que as outras privatizações foram feitas, com alguma resistência, é claro (afinal, esquerda não é esquerda se não for pra rua sacudir cartaz), mas foram feitas. Já a Petrobras não, porque é estratégica.

R. C. disse...

1) O preço do petróleo no Brasil não é definido por famílias sauditas, mas pela Petrobrás — aquela empresa cujo presidente está mais preocupado em servir de cabo eleitoral de Dilma do que em trabalhar.

2) O que será que fez com que a Petrobrás se tornasse dona do Brasil (ao invés de o Brasil ser dona dela) — a livre concorrência, equilibrando o poder dos concorrentes? Ou o monopólio estatal dominado por grupos políticos?

3) O argumento de que privatizar a Petrobrás não é a solução porque “se fosse a solução, já teria sido privatizada” é completamente circular.

4) As “bananas” ou as commidites — a produção agrícula em geral — é o setor econômico mais forte do Brasil, é o setor que mais emprega, é o responsável pela maior parte do PIB e é o setor que deu lucro enorme e o verdadeiro responsável por o Brasil ter saído não tão mal da crise internacional (apesar de o PT demonizar este mesmo setor agrícula). E tudo isso sem precisarmos de uma BananaBrás para usarmos como moeda de troca ou instrumento de aquisição de tecnologia.

Leo disse...

"ela" quem?