sábado, 29 de novembro de 2008

Amanhecer

Adoro a sensação. O sol chegando de leve, batendo nos prédios, aquela luz que nenhum outro momento do dia sabe ter, mesmo numa manhã nublada na cidade cinzenta. Não tenho pressa de chegar em casa. O som dos passarinhos e do Tom Waits, do salto do sapato batendo devagar na calçada enquanto a Norah Jones canta só pra mim. Miles Davis e a rua vazia. Que vontade de não chegar! O corpo tá cansado, o olho não aguenta mais; a cabeça vai cheia, do coração nem sei. Sei que a noite provoca coisas, e essa não foi diferente. A virada cultural virou foi a minha cabeça. O coração não sei. Quieto e inquieto. Moral, imoral, amoral. Corpo, alma, cabeça, coração. Vontade de ler o livro, vontade de ler Fernando Pessoa e redescobrir o sentido da vida. Vontade de correr de volta pra rua, mas os carros já vão lá, as cores já não são as mesmas. A cabeça cheia. O coração... também.

Um comentário:

Amanda disse...

que lindo. eu também adoro o amanhecer. :)