domingo, 23 de novembro de 2008

Mais sobre Hamlet...

Impossível descrever o que a peça causou em mim. Já li Hamlet pelo menos duas vezes, já fiz workshop sobre Shakespeare, já vi o filme do Kenneth Branagh (mas não o do Mel Gibson), mas nada se compara ao que eu senti ali sentada. Finalmente entendi o conceito de catarse aristotélica: continuo tão sob o efeito da peça que nem a derrota do meu time me atingiu. Meu olho não desgrudava do palco nem por um segundo, e quando os atores chegavam pertinho de onde eu tava meu corpo se arrepiava todo. O palco pequeno, a frugalidade do figurino e do cenário, a proximidade com o palco, acho que tudo contribuiu pra gerar essa sensação que eu não consigo descrever. Impossível não sorrir vendo o Tonico Pereira sentado a dois passos de mim, ou o Caio Junqueira sorrir lá de cima. Inevitável engasgar com o choro dele no final do espetáculo. Parece a coisa mais imbecil e tiete do mundo, mas mexe com a gente ver aqueles atores famosos dando o sangue no palco. Faz a gente perceber o quanto a tevê achata o talento dos caras...

Ok, ok, mas vamos falar do ingrediente principal: o Wagner Moura. Lindo, a gente já sabe que ele é.
Mas ao vivo, Deus me defenda, é muito mais. Babei muito quando ele entrou no palco, e no resto todo do tempo. Achei o máximo quando ele chegou perto de onde eu tava, e melhor ainda quando ficou na minha frente, fora de cena. Mas o mais marcante, por incrível que pareça, não é a beleza; é o show de interpretação. É ver como o cara consegue modalizar a voz, ser gaiato agora, agressivo daqui a 30 segundos, doce logo depois; é ver o tanto que o rosto dele se inflama, o quanto ele sai suado no intervalo da peça. Tirei meu chapéu pra ele, pro resto do elenco, pra adaptação, pro Aderbal Freire-Filho. Valeu a pena pagar quarenta reais. Valeu a pena ter a produção destruída pelo banho de chuva.

Valeu a pena ir comer na pizzaria da Villaboim, mesmo tendo tido que deixar o ingresso lá pra poder ganhar o desconto (logo eu que coleciono ingressos!). Me deu uma nostalgia meio inesperada da Itália, comecei a lembrar de um monte de coisa, fiquei contando pra Lu como era a minha vida lá, entre um comentário e outro sobre a peça. Acabei sonhando com a Itália, com o Wagner no palco... e com mais um monte de coisas que a noite desencadeou em mim.

Um comentário:

Luciana disse...

valeu pela companhia!
:)